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Ciencia

Dólar sobe a R$ 5,38 com incertezas sobre política fiscal no quarto mandato de Lula

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-29

A moeda americana atingiu o maior patamar em meses, pressionada por dúvidas do mercado quanto à sustentabilidade do arcabouço fiscal e à trajetória da dívida pública brasileira.

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O dólar comercial fechou esta quarta-feira, 29 de outubro de 2026, cotado a R$ 5,38, registrando alta expressiva em meio a crescentes incertezas sobre a política fiscal do governo federal. O movimento reflete a percepção de agentes financeiros de que o arcabouço fiscal proposto para o quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode não ser suficiente para equilibrar as contas públicas no médio prazo. A cotação é a mais elevada desde o início do ano e interrompe uma sequência de relativa estabilidade cambial observada nos meses anteriores.

**Contexto**

A alta do dólar ocorre em um ambiente de debates acirrados no Congresso Nacional sobre a aprovação de medidas que visam aumentar a arrecadação e conter despesas obrigatórias. O governo apresentou, nas últimas semanas, um conjunto de propostas que incluem a revisão de subsídios, a ampliação da base de tributação de setores específicos e mudanças nas regras de correção do salário mínimo. No entanto, analistas do mercado financeiro apontam que as medidas ainda carecem de detalhamento e enfrentam resistência de diferentes bancadas parlamentares.

Paralelamente, dados oficiais divulgados pelo Banco Central mostram que a dívida bruta do setor público consolidado ultrapassou a marca de 78% do Produto Interno Bruto (PIB), nível que acendeu alertas entre investidores estrangeiros. A trajetória ascendente do endividamento, combinada com a perspectiva de crescimento econômico moderado para os próximos trimestres, tem levado agências de classificação de risco a revisar suas projeções para o Brasil. Embora nenhuma rebaixamento tenha sido anunciado até o momento, o mercado precifica um prêmio de risco maior, o que se reflete na desvalorização do real.

Outro fator que contribui para a pressão cambial é o cenário externo. O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, manteve a taxa de juros em patamar elevado, e sinais de resiliência da economia americana reduzem a expectativa de cortes iminentes. Com isso, o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, que historicamente atrai capital estrangeiro para aplicações em renda fixa, perdeu parte de seu atrativo. Investidores migram para ativos considerados mais seguros, como o dólar e títulos do Tesouro americano, pressionando moedas de economias emergentes.

**Análise**

A cotação do dólar a R$ 5,38 não é apenas um número no placar do mercado financeiro; ela carrega implicações diretas para a inflação, o poder de compra das famílias e a competitividade da indústria nacional. Produtos importados, como eletrônicos, medicamentos e insumos agrícolas, tendem a ficar mais caros, alimentando a pressão sobre os índices de preços. Para as empresas exportadoras, a desvalorização do real pode ser benéfica no curto prazo, mas a volatilidade cambial dificulta o planejamento de investimentos de longo prazo.

Do ponto de vista da ciência econômica, a alta do dólar pode ser interpretada como um termômetro da credibilidade fiscal. Modelos de precificação de ativos indicam que, quando o mercado percebe um desvio na trajetória de sustentabilidade da dívida, o prêmio de risco soberano aumenta, e a moeda local se desvaloriza. Estudos empíricos mostram que choques de confiança fiscal têm efeitos persistentes sobre o câmbio, podendo levar a ciclos de realimentação negativa: desvalorização eleva a inflação, que pressiona os juros, que desaceleram a economia e pioram as contas públicas.

A situação atual exige do governo uma comunicação clara e medidas concretas que sinalizem compromisso com o equilíbrio fiscal. A equipe econômica tem reiterado que o arcabouço fiscal será cumprido, mas o mercado demanda ações, não apenas promessas. A aprovação de reformas estruturais, como a administrativa e a tributária, poderia ancorar as expectativas e reduzir a volatilidade cambial. No entanto, o calendário político é apertado, com eleições municipais se aproximando e a base aliada fragmentada.

**Fontes**

- Dados de câmbio do Banco Central do Brasil (taxa de fechamento do dólar comercial). - Relatório Focus do Banco Central (projeções de mercado para câmbio, inflação e PIB). - Comunicados do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic. - Notas técnicas da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado Federal sobre trajetória da dívida pública. - Análises de economistas de instituições financeiras como Itaú BBA, XP Investimentos e Goldman Sachs (sem citação direta de nomes).

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.