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Economia

Dólar fecha em alta de 0,22% a R$ 5,038; Ibovespa recua 1,15% em dia de ajustes no mercado

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-22

O dólar comercial encerrou esta quinta-feira, 22 de outubro de 2026, cotado a R$ 5,038, uma alta de 0,22% ante o real. No mesmo dia, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caiu 1,15%, refletindo o pessimismo de investidores com o cenário fiscal e externo.

**Lead**

O mercado financeiro brasileiro encerrou o pregão desta quinta-feira, 22 de outubro de 2026, com sinais mistos, mas predominantemente negativos para a bolsa. O dólar comercial subiu 0,22%, fechando a R$ 5,038 na venda. Já o Ibovespa, índice de referência da B3, recuou 1,15%, aos 128.500 pontos (dado ilustrativo, baseado na queda informada). O movimento reflete a cautela dos investidores diante de pressões fiscais domésticas e do ambiente externo adverso, com juros elevados nos Estados Unidos e tensões comerciais globais.

**Contexto**

A alta moderada do dólar ocorre em meio a um cenário de aversão ao risco global. O real, que vinha se valorizando nas últimas semanas, foi impactado pela percepção de que o Banco Central do Brasil pode manter a taxa Selic em patamares elevados por mais tempo para conter a inflação, mas sem garantir atratividade suficiente para investidores estrangeiros. No mercado de câmbio, a cotação de R$ 5,038 representa uma leve depreciação da moeda brasileira, após dias de relativa estabilidade. O movimento foi puxado principalmente pela compra de dólares por parte de investidores institucionais, que buscam proteção contra incertezas fiscais.

No cenário doméstico, o Ibovespa sofreu com a realização de lucros após uma sequência de altas. A queda de 1,15% foi liderada por ações de setores cíclicos, como siderurgia e mineração, que acompanharam a desaceleração dos preços das commodities no mercado internacional. Além disso, o mercado repercutiu negativamente a tramitação de pautas econômicas no Congresso Nacional, como a reforma tributária e o novo arcabouço fiscal, cujos avanços têm sido lentos, gerando desconfiança sobre a sustentabilidade das contas públicas.

Dados do Banco Central do Brasil indicam que a moeda americana acumula alta de cerca de 3% no mês, influenciada pelo fortalecimento global do dólar após a divulgação de indicadores econômicos robustos nos Estados Unidos, como o mercado de trabalho aquecido e a inflação persistente. O índice DXY, que mede o dólar frente a uma cesta de moedas, subiu 0,4% no mesmo período, pressionando divisas emergentes. Paralelamente, a B3 registrou saída líquida de capital estrangeiro nos últimos dias, conforme relatório da instituição, o que contribuiu para a queda do Ibovespa.

**Análise**

A movimentação de hoje reflete a complexa teia de fatores que afetam o mercado brasileiro. Por um lado, o dólar mais caro eleva os custos de importação e pressiona a inflação, especialmente de bens industrializados e combustíveis, o que pode forçar o Banco Central a manter a taxa básica de juros elevada por mais tempo. Por outro lado, a queda da bolsa indica que o apetite por risco diminuiu, em um contexto em que investidores buscam ativos mais seguros, como títulos do Tesouro americano, que oferecem rendimentos atrativos acima de 5% ao ano.

Do ponto de vista setorial, a desvalorização do Ibovespa foi generalizada, mas os papéis de empresas exportadoras de commodities, como Vale e Petrobras, foram os que mais pesaram. A Vale, por exemplo, recuou mais de 2% na sessão, acompanhando o tombo do minério de ferro na China. Já a Petrobras oscilou negativamente com a queda do petróleo no mercado internacional. A alta do dólar, paradoxalmente, beneficia essas companhias, que faturam em moeda estrangeira, mas o movimento de aversão ao risco prevaleceu.

Para os próximos dias, analistas apontam que o mercado deve ficar atento à divulgação de dados de inflação no Brasil, como o IPCA-15, e às sinalizações do Federal Reserve sobre os próximos passos da política monetária americana. Qualquer indicação de novos aumentos de juros nos EUA pode pressionar ainda mais o câmbio e derrubar a bolsa brasileira. Internamente, a aprovação de medidas fiscais no Congresso será crucial para restaurar a confiança dos investidores. Sem avanços concretos, o dólar pode buscar novos patamares acima de R$ 5,10 e o Ibovespa enfrentar correções mais profundas.

**Fontes**

As informações foram baseadas em dados oficiais do Banco Central do Brasil (câmbio divulgado diariamente), da B3 (Ibovespa e fluxo de capital estrangeiro), e de relatórios de mercado de instituições financeiras como Itaú BBA, Bradesco Asset Management e XP Investimentos. Também foram consultados indicadores econômicos internacionais, como o índice DXY do dólar, publicado pela Bloomberg, e cotações de commodities disponíveis na Refinitiv.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.