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O dólar comercial fechou em queda no Brasil nesta quinta-feira, cotado a R$ 5,34, após declarações do presidente do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, indicando que o ciclo de aperto monetário norte-americano pode estar chegando perto do fim. A fala foi repercutida por investidores no mundo inteiro e aliviou a pressão sobre moedas de mercados emergentes, especialmente o real.
A cotação recuou após dois dias consecutivos de alta, retornando ao menor patamar da semana. O movimento foi puxado principalmente pela diminuição do apetite por dólares no exterior, já que a perspectiva de juros estáveis nos EUA tende a reduzir a atratividade da renda fixa americana e favorecer ativos considerados de maior risco.
**Contexto**
A declaração do chair do Federal Reserve aconteceu durante um evento em Washington, na noite da véspera. Ele afirmou que a economia americana segue resiliente, mas que o comitê de política monetária precisa avaliar com cuidado os próximos passos, sinalizando cautela antes de novos ajustes na taxa básica de juros. A fala foi lida pelo mercado como um aceno à possibilidade de manutenção dos juros americanos no atual nível, algo que vinha sendo amplamente especulado por analistas.
No Brasil, o movimento do dólar também foi influenciado por fatores domésticos. O fluxo de capital estrangeiro para a bolsa brasileira seguiu positivo, com recursos direcionados a papéis de empresas ligadas a commodities. As exportações do agronegócio seguram um fluxo cambial relevante, especialmente em um momento de colheita recorde de soja e de aumento nos embarques de milho. Além disso, a ata do Comitê de Política Monetária, divulgada nesta manhã, reforçou a percepção de que o Banco Central brasileiro mantém compromisso com o controle da inflação, mas indicou que a trajetória futura da Selic dependerá da evolução dos cenários fiscal e internacional.
O desempenho da moeda brasileira nesta sessão é o mais recente capítulo de um trimestre marcado por forte volatilidade cambial. Entre julho e setembro, o dólar chegou a operar acima de R$ 5,70, pressionado por temores fiscais e pela aversão global a risco. Nos últimos dias, contudo, a aproximação de dados econômicos dos Estados Unidos e a sinalização do Fed ajudaram a ancorar as expectativas e derrubar o prêmio de risco exigido por investidores estrangeiros.
**Análise**
O recuo do dólar para R$ 5,34 tem impacto direto sobre a economia brasileira. Uma moeda mais barata ameniza a pressão inflacionária sobre itens importados, como combustíveis, alimentos industrializados e produtos eletrônicos. Também contribui para o reequilíbrio das contas externas e reduz o custo do serviço da dívida atrelada a moedas estrangeiras. No entanto, para setores exportadores, a queda da cotação pode comprimir margens em reais, especialmente em um cenário de preços internacionais voláteis.
O comportamento do câmbio daqui para frente deve continuar sendo guiado pelo calendário econômico dos Estados Unidos. Os próximos índices de inflação e de emprego americanos serão determinantes para calibrar as apostas sobre a política monetária do Fed. Ao mesmo tempo, o mercado doméstico acompanha de perto as discussões do governo sobre o arcabouço fiscal. A combinação de sinais de responsabilidade fiscal no Brasil com uma postura mais branda do banco central americano costuma ser o cenário mais favorável para a valorização do real.
É importante destacar que o nível de R$ 5,34, embora mais confortável, ainda reflete um ambiente internacional incerto. O Federal Reserve não afirmou que irá reduzir juros de forma imediata, e sim que pode desacelerar o ritmo de altas. Qualquer novo dado que aponte para inflação persistente nos EUA pode reverter rapidamente o fluxo de capitais para mercados emergentes. Por isso, a orientação de analistas de câmbio é de cautela: a tendência de curto prazo é positiva, mas o cenário segue sujeito a mudanças bruscas de humor dos investidores globais.
**Fontes**
As informações sobre a cotação do dólar e o comportamento do mercado financeiro foram apuradas com base em dados públicos de fechamento do câmbio comercial, relatórios de corretoras e instituições financeiras que operam no mercado brasileiro, além de comunicados oficiais do Federal Reserve e da ata do Copom divulgada pelo Banco Central do Brasil.
Por Renan Filho · 2026-10-29