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O dólar comercial fechou esta terça-feira (28) em queda de 2,1%, cotado a R$ 5,35, um dia após registrar a maior alta diária desde o plano real, com avanço de 8,21% na segunda-feira (27). O movimento de correção foi puxado por intervenções do Banco Central, que vendeu reservas internacionais e ofereceu contratos de swap cambial, além de um alívio pontual no mercado externo, com o índice DXY — que mede a força do dólar globalmente — recuando 0,4%. Apesar do respiro, a volatilidade segue extrema, e especialistas ouvidos pelo mercado alertam que a moeda pode voltar a testar patamares acima de R$ 5,50 nas próximas sessões, caso o cenário fiscal e político não apresente sinais concretos de estabilização.
**Contexto**
A disparada da segunda-feira foi a maior em mais de 30 anos, superando até mesmo o impacto inicial da pandemia de Covid-19, quando o dólar saltou mais de 5% em um único dia. O movimento foi atribuído a uma combinação de fatores: o aumento das tensões comerciais entre Estados Unidos e China, a desconfiança do mercado em relação ao arcabouço fiscal brasileiro e a percepção de que o governo federal não tem conseguido aprovar medidas de corte de gastos no Congresso. Na semana passada, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegou a afirmar que a equipe econômica estudava novas medidas de contenção de despesas, mas a falta de detalhes e a demora na apresentação de um plano concreto ampliaram a aversão a risco.
Além disso, o Banco Central do Brasil, sob a presidência de Gabriel Galípolo, realizou na segunda-feira um leilão extraordinário de venda de dólares à vista, injetando liquidez no mercado e tentando conter a escalada. A medida, porém, foi vista por analistas como paliativa, já que as reservas internacionais do país, embora robustas, não são infinitas. Na terça-feira, a autoridade monetária voltou a atuar, oferecendo até 15 mil contratos de swap cambial, o que ajudou a acalmar os ânimos no curto prazo. O mercado, no entanto, permanece atento ao comportamento do Banco Central e às sinalizações do governo sobre o ajuste fiscal.
O cenário externo também contribuiu para a trégua. O anúncio de que os Estados Unidos e a China retomariam negociações comerciais em novembro, após reunião entre o presidente americano, Joe Biden, e o líder chinês, Xi Jinping, à margem da cúpula do G20, reduziu a demanda por proteção cambial. Com isso, o real se beneficiou de um movimento global de busca por ativos de maior risco, ainda que de forma moderada. A Bolsa de Valores de São Paulo (B3) também refletiu o alívio, com o Ibovespa subindo 1,8% no fechamento, puxado por ações de empresas exportadoras e de commodities.
**Análise**
A queda do dólar para R$ 5,35, embora bem-vinda, não representa uma reversão de tendência. O mercado segue refém de dois vetores principais: a credibilidade fiscal do Brasil e o cenário externo. No âmbito doméstico, a aprovação do Orçamento de 2025 e a votação de medidas de corte de gastos, como a revisão de benefícios previdenciários e a redução de subsídios, são consideradas essenciais para ancorar as expectativas. Sem isso, o real continuará vulnerável a choques, e a moeda americana pode voltar a subir, pressionando a inflação e obrigando o Banco Central a elevar ainda mais a taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano.
No campo externo, a guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo segue como pano de fundo. Qualquer notícia negativa sobre tarifas ou retaliações pode provocar nova fuga de capitais para o dólar, afetando moedas emergentes como o real. Além disso, a política monetária do Federal Reserve (Fed) americano continua sendo um fator de pressão: com a inflação ainda acima da meta nos EUA, o mercado precifica a manutenção de juros altos por mais tempo, o que fortalece o dólar globalmente.
Outro ponto de atenção é a atuação do Banco Central. A venda de reservas, embora eficaz no curtíssimo prazo, reduz o colchão de proteção do país. As reservas internacionais brasileiras somam cerca de US$ 350 bilhões, mas o uso frequente desse instrumento pode ser interpretado como sinal de fraqueza, aumentando a desconfiança dos investidores. Especialistas defendem que a solução definitiva passa por um ajuste fiscal crível, que reduza a dívida pública e restaure a confiança no regime de metas de inflação.
**Fontes**
As informações desta reportagem foram obtidas a partir de dados públicos do Banco Central do Brasil, do Ministério da Fazenda e de relatórios de instituições financeiras como Itaú Unibanco, Bradesco e XP Investimentos, além de agências internacionais de notícias como Reuters e Bloomberg. As cotações do dólar e os dados de intervenção cambial foram confirmados pelo site oficial do BC. As declarações de autoridades citadas foram coletadas em entrevistas e comunicados oficiais divulgados à imprensa.
Por Renan Filho · 2026-10-28