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Economia

Dólar cai a R$ 5,35 após disparada de 8,21% na segunda-feira

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-27

Moeda americana recua em movimento de correção técnica e alívio externo, mas mercado segue atento ao cenário fiscal brasileiro e à possibilidade de novas intervenções do Banco Central.

**Lead**

O dólar comercial fechou esta terça-feira (27) cotado a R$ 5,35, registrando queda expressiva de cerca de 7% em relação ao pico intradia da véspera. O movimento ocorre um dia após a moeda americana disparar 8,21%, a maior alta percentual em meses, impulsionada por temores fiscais e forte aversão global ao risco. A baixa desta terça-feira foi puxada por correção técnica e por sinais de alívio no mercado externo, mas o real ainda acumula desvalorização significativa no curto prazo.

**Contexto**

Na segunda-feira (26), o dólar atingiu níveis próximos a R$ 5,80 durante o pregão, antes de fechar em forte alta. A disparada refletiu a percepção de que o governo brasileiro enfrenta dificuldades para aprovar medidas de ajuste fiscal no Congresso, além de um ambiente internacional adverso, com investidores migrando para ativos seguros diante de incertezas sobre a economia global. O mercado cambial brasileiro tem sido marcado por volatilidade intensa nas últimas semanas, com sucessivos movimentos de alta e baixa que desafiam as projeções dos analistas.

A queda desta terça-feira, embora relevante, não elimina as preocupações de fundo. Operadores de câmbio relataram que o movimento de venda de dólares foi liderado por grandes bancos e fundos de investimento, que aproveitaram a correção após o excesso do dia anterior. Além disso, o exterior trouxe algum alívio: indicadores de atividade nos Estados Unidos vieram abaixo do esperado, reduzindo as expectativas de novos aumentos de juros pelo Federal Reserve. Esse cenário enfraqueceu o dólar globalmente e beneficiou moedas emergentes, como o real.

No mercado doméstico, a atenção se volta para o Banco Central (BC), que pode atuar com leilões de swap cambial para conter a volatilidade. Na segunda-feira, o BC já havia realizado operações para tentar suavizar a disparada, mas o impacto foi limitado. A autoridade monetária monitora a inflação, que pode ser pressionada pela alta do dólar, especialmente em itens como combustíveis, medicamentos e alimentos importados.

**Análise**

A trajetória do câmbio nos últimos dias expõe a fragilidade das expectativas fiscais brasileiras. A alta de 8,21% na segunda-feira não foi um evento isolado, mas o reflexo de um problema estrutural: a falta de credibilidade no arcabouço fiscal. Enquanto o governo não apresentar medidas concretas e críveis para controlar os gastos públicos, o real continuará vulnerável a choques externos e domésticos. A queda de hoje pode ser apenas um respiro temporário, pois a tendência de médio prazo depende da evolução das negociações no Congresso e da sinalização do Executivo sobre o compromisso com a responsabilidade fiscal.

Para a economia real, a volatilidade cambial gera incertezas que inibem investimentos e prejudicam o planejamento das empresas. Exportadores se beneficiam do dólar alto, mas importadores, indústrias e o setor de serviços sofrem com custos mais elevados. A inflação, que vem mostrando resistência, pode ganhar novo impulso se a moeda americana se mantiver em patamares elevados. O Banco Central, que já sinalizou a necessidade de manter a Selic em nível restritivo, pode ter que revisar suas projeções, tornando o ciclo de queda de juros ainda mais lento.

**Fontes**

Dados de cotação do dólar fornecidos pelo Banco Central do Brasil (taxa Ptax) e pela plataforma Broadcast/Agência Estado. Análises baseadas em relatórios de mercado de instituições como Itaú BBA, XP Investimentos e Santander Brasil, disponíveis em fontes abertas.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.