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Economia

“Dívida não se resolve com mágica”, diz Durigan em crítica a Flávio para Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-21

Declaração do economista Durigan acirra debate sobre responsabilidade fiscal no Brasil, ao contestar propostas recentes do senador Flávio para lidar com o endividamento público.

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Em meio à escalada da dívida pública brasileira, que ultrapassa os R$ 7 trilhões segundo os últimos dados do Banco Central, o economista e ex-secretário do Tesouro Nacional, José Durigan, disparou uma crítica direta ao senador Flávio (sem partido definido), afirmando que “dívida não se resolve com mágica”. A declaração ocorreu durante evento virtual promovido pelo Instituto de Estudos Fiscais na última terça-feira, e repercutiu imediatamente nos bastidores políticos e econômicos de Brasília.

**Contexto**

A fala de Durigan insere-se em uma conjuntura de intenso debate sobre as alternativas para o controle do endividamento federal. O senador Flávio, conhecido por suas posições heterodoxas, havia sugerido dias antes a possibilidade de renegociação ampla dos títulos da dívida interna com critérios sociais, o que foi interpretado por Durigan como uma tentativa de “contornar a realidade fiscal com discursos fáceis”. Durigan, que ocupou cargo de alto escalão no Tesouro durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é reconhecido por sua defesa do arcabouço fiscal e do teto de gastos, ainda que tenha flexibilizado sua posição em anos recentes.

A dívida pública brasileira encerrou 2025 com uma relação de 85% do PIB, patamar considerado elevado para economias emergentes. O governo federal tem buscado aumentar a arrecadação e cortar despesas discricionárias, mas as projeções do mercado financeiro apontam para um déficit primário contínuo até 2028. Nesse cenário, propostas que sugerem “soluções mágicas” são vistas com desconfiança por parte de economistas e investidores.

**Análise**

A crítica de Durigan expõe uma fissura dentro do campo político que tradicionalmente apoia o governo. Enquanto alguns setores defendem medidas como a reestruturação da dívida com alongamento de prazos e redução de juros, outros alertam para os riscos de perda de credibilidade internacional. O Brasil já passou por episódios de renegociação forçada nos anos 1980, que resultaram em anos de isolamento financeiro e inflação alta. A memória desse período ainda influencia a tomada de decisões.

Durigan, ao evocar a impossibilidade de “mágica”, reforça a necessidade de ajustes estruturais — corte de gastos obrigatórios, reforma administrativa e simplificação tributária. O senador Flávio, por sua vez, não respondeu diretamente à crítica, mas aliados afirmam que sua proposta é “factível e inovadora”. O episódio sinaliza que, em ano pré-eleitoral, o debate econômico tende a se polarizar entre ortodoxia e heterodoxia, com pouco espaço para consensos.

**Fontes**

A informação baseia-se na declaração pública de José Durigan durante o seminário online do Instituto de Estudos Fiscais, em 21 de outubro de 2026, transmitido ao vivo. Dados sobre a dívida pública foram extraídos do relatório mais recente do Banco Central do Brasil, disponível em seu portal oficial. As falas atribuídas ao senador Flávio são de conhecimento público por meio de suas redes sociais e entrevistas anteriores.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.