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Opiniao

Disputas mais equilibradas entre Lula e Flávio: veja onde a eleição presidencial deve ser decidida no detalhe

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-27

Levantamento com base em cenários eleitorais aponta que alguns estados brasileiros podem ter diferenças mínimas entre o petista e o ex-ministro, concentrando as atenções da reta final da campanha.

**Lead**

As eleições presidenciais de 2026 caminham para um desfecho apertado em um grupo específico de estados, onde a vantagem entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Dino tende a ser medida por poucos pontos percentuais. Embora nenhum instituto tenha divulgado números consolidados com esse recorte regional, a leitura de pesquisas recentes e o histórico eleitoral de cada unidade da federação indicam que as maiores batalhas devem ocorrer em Minas Gerais, Goiás, Pará, Ceará e no Distrito Federal. São estados que combinam eleitorados divididos, forte presença de lideranças locais e oscilações de humor do eleitor nas últimas semanas.

**Contexto**

A polarização entre Lula e Flávio Dino não se reproduz de forma homogênea no território nacional. Enquanto o Nordeste concentra a base mais sólida do petista, com vantagens históricas em estados como Bahia, Pernambuco e Piauí, o Sul e parte do Sudeste tendem a oferecer terreno mais fértil ao ex-ministro da Justiça, que construiu sua imagem pública como governador do Maranhão e depois como ministro do Supremo Tribunal Federal. Nesse cenário, as eleições costumam ser decididas nos estados que não têm identidade partidária consolidada com nenhum dos dois campos.

Minas Gerais aparece como o principal termômetro. O estado tem tradição de definir eleições nacionais e possui um eleitorado fragmentado entre o interior, mais conservador, e a região metropolitana de Belo Horizonte, onde o petismo tem capilaridade. Além disso, a disputa local pelo governo estadual tende a influenciar a corrida presidencial, com lideranças de diferentes partidos puxando votos para cada lado. Em 2022, a diferença entre os dois principais candidatos ficou dentro da margem de erro em diversas pesquisas, e o cenário se repete com contornos semelhantes.

Goiás e o Distrito Federal formam outro eixo de atenção. No Planalto Central, o eleitorado tem demonstrado preferência por discursos de gestão e combate à corrupção, o que historicamente beneficia nomes de centro-direita. Por outro lado, a presença de Flávio Dino no primeiro escalão do governo federal e sua atuação em temas de segurança pública podem atrair eleitores que valorizam pautas institucionais. Em Goiás, o peso do agronegócio e a força de lideranças locais, como o governador Ronaldo Caiado, criam uma dinâmica própria que impede qualquer projeção linear.

No Pará, a disputa ganha contornos amazônicos. O estado tem uma das maiores taxas de comparecimento eleitoral do Norte e uma agenda fortemente ligada a questões ambientais, desenvolvimento econômico e políticas sociais. Lula tem histórico positivo na região, especialmente pela implementação de programas como o Bolsa Família, mas Flávio Dino também busca se posicionar como herdeiro de uma pauta de proteção da Amazônia que dialoga com setores urbanos e juventude. A disputa no Pará deve ser influenciada ainda pela eleição estadual, com grupos políticos locais se alinhando às campanhas nacionais.

O Ceará é o caso mais curioso do Nordeste. Embora a região seja majoritariamente favorável a Lula, o estado tem uma tradição de voto personalista e forte influência das lideranças locais, sobretudo a família Ferreira Gomes. O ex-governador Ciro Gomes, que já foi aliado e depois adversário do PT, pode atuar como fiador de um apoio a Flávio Dino ou manter neutralidade, dependendo dos acordos partidários. Como o eleitorado cearense costuma seguir orientações de líderes regionais, o estado pode surpreender e apresentar uma das menores diferenças entre os dois presidenciáveis.

**Análise**

A importância desses estados para o resultado final vai além dos votos que cada um representa individualmente. Em um cenário de segundo turno apertado, vencer em Minas Gerais ou no Pará pode significar uma vantagem de cerca de dois a quatro milhões de votos, o suficiente para definir a eleição sem depender de outros estados. Além disso, o desempenho nesses locais tem efeito simbólico sobre a reta final da campanha, influenciando a percepção de virada e o ânimo das bases.

O padrão histórico mostra que candidatos que conseguem reduzir a diferença no Nordeste ou ampliar a margem no Centro-Oeste tendem a ter mais fôlego na reta final. Para Flávio Dino, o desafio é romper a barreira do voto antipetista sem perder o diálogo com setores que apoiaram Lula em eleições anteriores. Para Lula, a missão é evitar que o desgaste natural de um governo em fim de mandato corroa sua vantagem em regiões onde o partido sempre foi forte. Os estados mais equilibrados serão, portanto, o palco real da decisão.

**Fontes**

As informações aqui analisadas baseiam-se em tendências consolidadas de pesquisas eleitorais divulgadas por institutos como Datafolha, Quaest e Ipec até a data de publicação, bem como em resultados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral nas eleições de 2018 e 2022. Os cenários regionais descritos levam em conta o histórico de votação por estado e o posicionamento público das principais lideranças políticas envolvidas. Números específicos não foram citados por ainda não haver levantamento fechado com recorte por unidade da federação para o atual ciclo eleitoral.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.