**Lead**
As eleições presidenciais de 2022 foram marcadas por uma polarização intensa entre o então presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Embora Lula tenha vencido o primeiro turno com uma vantagem nacional, diversos estados apresentaram resultados extremamente apertados, onde a diferença entre os dois candidatos foi de poucos pontos percentuais. Essas disputas geográficas não apenas definiram o cenário político, mas também revelam como a cultura local, as tradições regionais e as identidades sociais influenciam o comportamento eleitoral. Do Rio de Janeiro ao Rio Grande do Sul, passando por Minas Gerais e pelo Distrito Federal, a competição acirrada é um reflexo das diferentes visões de Brasil que coexistem no país.
**Contexto**
A cultura política brasileira é profundamente enraizada em contextos regionais. Estados como Rio de Janeiro, onde o bolsonarismo encontrou forte eco entre as classes médias urbanas e evangélicas, viram uma disputa quase empate com Lula, que manteve a preferência nas áreas periféricas e mais pobres. Da mesma forma, em Minas Gerais, estado historicamente decisivo, a divisão entre o agronegócio e os movimentos sindicais e rurais criou um cenário de votação muito equilibrada. No Distrito Federal, a presença de servidores públicos e uma classe política mais diversa gerou um resultado que refletia a complexidade cultural da capital. Também no Rio Grande do Sul, a forte tradição de partidos de centro-direita e a influência da cultura gaúcha fizeram com que Bolsonaro e Lula disputassem voto a voto. Esses estados exemplificam como fatores culturais — religião, classe social, identidade regional — moldam as escolhas eleitorais.
O mapa da votação mostra que, em muitos estados das regiões Sul e Sudeste, a vantagem de Bolsonaro foi pequena, enquanto no Nordeste Lula venceu com folga, mas com exceções como o sul da Bahia. A cultura do voto tem relação direta com a história econômica e social de cada localidade. Estados com forte presença do agronegócio e da indústria tendem a apoiar candidatos liberais na economia, enquanto regiões com tradição sindical e movimentos sociais se inclinam para a esquerda. Esse fenômeno não é novo, mas nunca foi tão explícito quanto em 2022, quando a polarização atingiu o auge.
**Análise**
A importância dessas disputas apertadas vai além do resultado eleitoral. Elas indicam que o Brasil está dividido não apenas em termos de preferência partidária, mas também em visões de mundo e valores culturais. A cultura política, entendida como o conjunto de crenças e práticas que orientam a participação cidadã, varia enormemente entre as regiões. Nos estados onde a diferença foi mínima, a campanha eleitoral se intensificou em temas como costumes, religião e segurança pública, que ressoam com a identidade cultural local. Por exemplo, em São Paulo, o embate foi mais forte nos bairros de classe média alta e nas periferias, mostrando uma fragmentação cultural dentro do mesmo estado.
Além disso, a análise desses estados revela tendências para o futuro. A cultura de confronto político, alimentada por redes sociais e pela mídia, tende a se aprofundar, mas também há espaços para diálogo onde as diferenças são pequenas. A compreensão das nuances culturais pode ajudar a reduzir a polarização, ao reconhecer que o voto é moldado por fatores que vão além da economia ou da gestão pública. A cultura local, com suas festas, religiões e tradições, é um filtro poderoso para a mensagem política.
**Fontes**
Esta análise foi baseada em dados eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) referentes ao primeiro turno das eleições presidenciais de 2022, além de estudos acadêmicos sobre cultura política regional no Brasil, como trabalhos do Centro de Estudos de Opinião Pública (Cesop) da Unicamp e do Ibope Inteligência. As descrições culturais foram fundamentadas em relatos de pesquisadores de ciência política e sociologia, sem a utilização de números ou porcentagens exatas para evitar imprecisões.
Por Renan Filho · 2026-10-24