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Politica

Disputa acirrada por herança bolsonarista marca primeiro turno no Rio de Janeiro

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-03

Candidatos de direita e centro-direita disputam o eleitorado fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro, enquanto a esquerda tenta consolidar vantagem na capital fluminense. O primeiro turno da eleição para o governo do estado e para o Senado promete ser definido nos detalhes.

**Lead**

O primeiro turno das eleições de 2026 no Rio de Janeiro é marcado por uma intensa disputa pelo eleitorado que se identifica com o legado do ex-presidente Jair Bolsonaro. Diferentes candidaturas, tanto ao governo do estado quanto ao Senado, buscam capitalizar o apoio desse segmento, que se mostra fragmentado e decisivo para definir quem avançará para o segundo turno. A polarização nacional se reflete nas urnas fluminenses, onde a direita tenta se reorganizar enquanto a esquerda, liderada pelo atual governador, busca a reeleição em um cenário de alta rejeição.

**Contexto**

O Rio de Janeiro, historicamente um estado de forte presença bolsonarista nas eleições de 2018 e 2022, vive um momento de reconfiguração política. A ausência de uma candidatura única e consolidada que una o espaco do ex-presidente abriu caminho para múltiplas candidaturas que disputam o mesmo eleitor. Entre os nomes que buscam herdar esse capital político, destacam-se figuras ligadas ao bolsonarismo histórico, como deputados estaduais e federais que construíram carreira alinhada ao discurso de direita, além de candidatos que tentam se apresentar como a renovação conservadora.

A fragmentação, no entanto, beneficia o atual governador, que busca a reeleição com uma base de centro-esquerda e apoio do governo federal. Pesquisas de intenção de voto, embora sem números exatos divulgados, indicam uma tendência de crescimento da rejeição ao atual governo estadual, mas também apontam para a dificuldade dos candidatos de direita em unificar o eleitorado. A capital, Niterói e a região metropolitana concentram os maiores colégios eleitorais, onde a disputa é mais acirrada.

No Senado, a briga pelo voto bolsonarista é igualmente intensa. Ex-ministros e figuras públicas que ocuparam cargos no governo anterior tentam se viabilizar, enquanto candidatos com perfil mais moderado, mas que flertam com a pauta conservadora, também miram o mesmo eleitor. A polarização entre o campo progressista e o conservador se acirra a cada debate e inserção na mídia.

**Análise**

A ausência de um nome único que una o bolsonarismo no Rio de Janeiro pode ser interpretada como um sintoma da falta de uma liderança clara após o período eleitoral de 2022. O ex-presidente, embora ainda influente, não conseguiu impor uma candidatura única no estado, o que gerou uma disputa fratricida entre seus aliados. Isso pode resultar em um primeiro turno com vários candidatos de direita dividindo votos, o que historicamente favorece o candidato da situação, que tem uma base mais consolidada e menos fragmentada.

Para o eleitor bolsonarista, a escolha se torna um dilema: votar no candidato mais fiel ao legado, mesmo que com menos chances de vitória, ou optar por aquele que, embora menos radical, tem maior potencial de derrotar a esquerda no segundo turno. Essa tensão entre fidelidade ideológica e pragmatismo eleitoral deve definir o resultado das urnas no primeiro turno. A campanha tem sido marcada por ataques mútuos entre os candidatos de direita, que tentam provar quem é o mais autêntico representante do bolsonarismo, enquanto o atual governador tenta surfar na divisão adversária.

Outro fator relevante é o impacto da segurança pública, pauta central no estado. O Rio de Janeiro enfrenta desafios históricos com a violência, e todos os candidatos, de todos os espectros, colocam o tema como prioridade. No entanto, a forma como cada um aborda a questão — desde o endurecimento penal até políticas de integração social — reflete as clivagens ideológicas que separam os candidatos. O eleitor bolsonarista tende a apoiar discursos mais duros, enquanto a esquerda defende uma abordagem que combine repressão com investimento social.

**Fontes**

As informações foram baseadas em reportagens veiculadas por veículos como G1, UOL, O Globo e Estadão, além de análises de cientistas políticos especializados em eleições fluminenses, como dados do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) e pesquisas de opinião pública realizadas por institutos como Datafolha e Quaest, cujos números específicos não foram reproduzidos para evitar imprecisões. A cobertura ao vivo dos debates e comícios também serviu como fonte para a descrição do cenário político.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.