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Politica

Disputa na Amazônia ignora floresta em pé, e candidatos defendem abertura de áreas e grandes obras para o Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-03

Em meio à corrida eleitoral de 2026, propostas de candidatos à Presidência e governos estaduais priorizam a exploração de novas áreas na Amazônia Legal, com megaprojetos de infraestrutura e flexibilização de licenciamento ambiental, deixando em segundo plano a conservação da floresta.

**Lead**

A campanha eleitoral de 2026 trouxe para o centro do debate a Amazônia Legal, mas o tom predominante entre candidatos de diferentes espectros políticos tem sido o de ampliar a fronteira de exploração econômica na região. Propostas de abertura de novas áreas para mineração, expansão de rodovias e hidrelétricas, além da flexibilização de regras ambientais, dominam os discursos, enquanto a pauta da floresta em pé — com bioeconomia, pagamento por serviços ambientais e regularização fundiária sustentável — aparece de forma marginal. O movimento acende alerta entre especialistas e organizações ambientais, que veem um retrocesso em relação aos compromissos climáticos assumidos pelo Brasil.

**Contexto**

A Amazônia brasileira vive um ciclo de pressão crescente desde o início da década. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que, apesar de uma ligeira queda em 2025, os índices de desmatamento ainda se mantêm em patamares elevados, especialmente em estados como Pará, Mato Grosso e Amazonas. O garimpo ilegal, a grilagem de terras e a expansão do agronegócio continuam a corroer a cobertura florestal. Nesse cenário, candidatos ao Palácio do Planalto e aos governos estaduais têm apresentado plataformas que priorizam a “vocação econômica” da região, com ênfase em obras de infraestrutura como a pavimentação da BR-319 (Manaus-Porto Velho), a conclusão de hidrelétricas no Tapajós e a criação de novas zonas de exploração mineral.

A ausência de um debate robusto sobre alternativas de desenvolvimento sustentável preocupa setores da sociedade civil. Organizações como o Imazon e o Observatório do Clima apontam que a maioria das propostas ignora o potencial da bioeconomia — que movimenta bilhões de reais com produtos como açaí, castanha e óleos vegetais — e desconsidera o valor econômico da floresta em pé, estimado em serviços ecossistêmicos como regulação climática e manutenção de recursos hídricos. A pressão por grandes obras, muitas vezes associadas a discursos de “desenvolvimento” e “integração nacional”, repete padrões históricos que resultaram em desmatamento, conflitos fundiários e violência contra povos indígenas e comunidades tradicionais.

**Análise**

A ênfase na abertura de áreas e na realização de megaprojetos reflete uma visão de desenvolvimento que privilegia o curto prazo e setores econômicos consolidados, como o agronegócio e a mineração. Essa abordagem, no entanto, colide frontalmente com as metas do Acordo de Paris e com o compromisso brasileiro de zerar o desmatamento ilegal até 2030. Ao mesmo tempo, ignora os riscos de aprofundamento da crise climática: a Amazônia já se aproxima de um ponto de inflexão ecológica, além do qual a floresta perderia capacidade de se regenerar, com impactos diretos sobre o regime de chuvas em todo o continente.

A ausência de propostas consistentes de conservação também fragiliza a posição do Brasil na agenda internacional. Países europeus e investidores globais têm condicionado acordos comerciais e financiamentos a compromissos ambientais verificáveis. A sinalização de que o próximo governo pode flexibilizar o licenciamento ou ampliar a exploração em áreas sensíveis tende a afastar capitais estrangeiros e a prejudicar a imagem do país como parceiro confiável em questões climáticas. Especialistas ouvidos por veículos de imprensa destacam que a verdadeira disputa na Amazônia não é entre desenvolvimento e preservação, mas entre modelos de desenvolvimento: um que destrói a floresta e outro que a mantém de pé como ativo econômico de longo prazo.

**Fontes**

- Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) – Programa de Monitoramento da Amazônia (PRODES). - Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) – Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD). - Observatório do Clima – Análises de políticas climáticas brasileiras. - Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima – Dados oficiais sobre desmatamento e licenciamento. - Artigos e reportagens de veículos como Folha de S.Paulo, O Globo e Reuters sobre a agenda eleitoral na Amazônia.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.