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Politica

Disputa entre Ciro e Elmano acirra polarização no Ceará e expõe palanques múltiplos para 2026

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-23

A briga pelo governo do Ceará entre Ciro Gomes (PDT) e Elmano de Freitas (PT) deixou de ser apenas estadual e virou termômetro da disputa nacional. Com ataques pessoais, uso da máquina e alianças contraditórias, o embate revela o custo do gigantismo estatal e a falta de propostas de livre mercado.

A campanha ao governo do Ceará em 2026 já começou antes do prazo oficial, e o tom é de guerra total. De um lado, o ex-governador e ex-presidenciável Ciro Gomes, que tenta voltar ao Palácio da Abolição após oito anos. Do outro, o atual governador Elmano de Freitas, que busca a reeleição com o apoio do presidente Lula e do PT nacional. O que parecia uma disputa local rapidamente se nacionalizou, com Ciro usando o palanque cearense para criticar o governo Lula e o PT, enquanto Elmano responde com acusações de “aventureirismo” e “falta de compromisso com o povo”.

Em publicação nas redes sociais no último domingo, Ciro afirmou que o Ceará “não pode virar curral eleitoral do PT” e que o governo Elmano “gasta mal, tributa demais e entrega pouco” — frase que ecoa a crítica liberal-conservadora ao modelo estatizante adotado no estado. Dados oficiais do Tesouro Nacional mostram que a dívida consolidada do Ceará cresceu 12% em termos reais entre 2023 e 2025, enquanto o investimento per capita caiu 4% no mesmo período, o que reforça a tese de ineficiência na gestão dos recursos públicos.

Elmano, por sua vez, rebateu em entrevista à Rádio O Povo na segunda-feira, chamando Ciro de “irresponsável” e dizendo que o ex-governador “abandonou o estado para tentar ser presidente duas vezes e fracassou”. A estratégia do petista é colar a imagem de Ciro ao “antipetismo radical” e ao bolsonarismo, já que o pedetista tem feito críticas duras à política econômica de Lula. No entanto, Ciro nunca apoiou Jair Bolsonaro e se posiciona como terceira via, o que torna a polarização ainda mais confusa.

Por que isso importa? Porque o Ceará é um dos maiores colégios eleitorais do Nordeste e historicamente decisivo nas eleições presidenciais. A briga entre Ciro e Elmano não é apenas sobre o estado: é sobre quem terá o palanque mais forte para 2026. Ciro já sinalizou que, se eleito, se tornará um contraponto ao governo Lula e pode até lançar seu nome para a Presidência em 2030. Elmano, por outro lado, é um fiel escudeiro do PT e usará o mandato para reforçar a máquina partidária.

A análise FORTIS: o que falta nessa disputa é um debate real sobre o tamanho do Estado. O Ceará tem uma das maiores cargas tributárias do Nordeste, com ICMS de 20% sobre a maioria dos produtos, e ainda assim apresenta indicadores sociais medianos. A saúde pública enfrenta filas de até seis meses para cirurgias eletivas, e a educação, apesar de avanços, ainda tem notas abaixo da média nacional no Ideb. Nenhum dos dois candidatos propõe cortar gastos ou reduzir a burocracia. Ciro, que já foi um defensor do desenvolvimentismo estatal, agora fala em “eficiência”, mas sem detalhar cortes. Elmano defende mais programas sociais e investimentos públicos, mas não explica como financiá-los sem aumentar impostos ou endividar o estado.

Contraponto: é justo reconhecer que o governo Elmano manteve o pagamento de servidores em dia e ampliou o programa Ceará sem Fome, que atende 1,2 milhão de famílias. Segundo dados da Secretaria de Planejamento, a taxa de pobreza no estado caiu de 42% para 38% entre 2023 e 2025. No entanto, esse avanço foi financiado por transferências federais e pelo aumento da arrecadação, não por ganhos de produtividade. O modelo é insustentável a longo prazo, como mostram os déficits previdenciários estaduais que já consomem 18% da receita corrente líquida.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.