**Lead**
A sucessão estadual no Acre entra em uma fase decisiva com as primeiras rodadas de pesquisas de intenção de voto. Levantamentos realizados por institutos reconhecidos nos meses de setembro e outubro indicam um empate técnico entre a vice-governadora Mailza Assis (PP) e o senador Alan Rick (União Brasil), ambos cotados como favoritos na disputa pelo governo do estado. A indefinição reflete um eleitorado ainda volátil, com cerca de um terço dos entrevistados declarando voto em branco, nulo ou indecisão.
**Contexto**
O atual governador, Gladson Cameli (PP), não disputará a reeleição por ter cumprido dois mandatos consecutivos, abrindo caminho para uma sucessão aberta. Mailza Assis, que exerce a vice-governadoria desde 2019, é a candidata apoiada pelo governo e herdou parte da base de Cameli. Alan Rick, senador com mandato até 2030, construiu sua candidatura com discurso de renovação administrativa e críticas à atual gestão, especialmente nas áreas de saúde e infraestrutura.
Pesquisas feitas pelos principais institutos do país mostram que ambos oscilam entre 28% e 35% das intenções de voto, dentro da margem de erro, que varia de 3 a 4 pontos percentuais para mais ou para menos. O cenário sugere que a definição pode ocorrer apenas no segundo turno, já que nenhum dos dois ultrapassa os 50% necessários para vitória na primeira rodada. Um terceiro candidato, o ex-prefeito de Rio Branco e deputado federal, tem aparecido em terceiro lugar com cerca de 15% das intenções, mas também sem capacidade de ameaçar os líderes neste momento.
A amostragem das pesquisas considerou 2.000 eleitores em todas as regiões do estado, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais. Os levantamentos foram registrados no Tribunal Regional Eleitoral do Acre e seguem as diretrizes da legislação eleitoral brasileira. Vale destacar que a campanha oficial ainda não começou – o período de propaganda gratuita no rádio e na televisão terá início apenas em 2026, conforme o calendário eleitoral –, o que pode alterar significativamente o quadro atual com a exposição das propostas.
**Análise**
O empate técnico entre Mailza e Alan revela uma eleição que será decidida nos detalhes. A vice-governadora conta com a máquina pública e o apoio de prefeitos e vereadores da base aliada, enquanto o senador aposta na imagem de renovação e no desgaste natural de um governo de longa data. A disputa também carrega um peso simbólico: é a primeira vez desde a redemocratização que uma mulher (Mailza) tem chances reais de vencer o governo do Acre, o que pode atrair o voto feminino e de setores progressistas. Por outro lado, Alan Rick, com seu perfil de centro-direita e experiência no Senado, busca capitalizar a insatisfação com a segurança pública e a educação no estado.
O cenário de indefinição também é alimentado pela fragmentação partidária: mais de oito partidos lançaram pré-candidatos, mas apenas dois ou três devem ter viabilidade real. A terceira via, representada por nomes como o do deputado federal, pode crescer se conseguir unificar o bloco de oposição ao governo. Contudo, a polarização entre Mailza e Alan tende a se consolidar à medida que a campanha avança, especialmente se os debates televisivos e as sabatinas expuserem contrastes claros entre as propostas de gestão fiscal e investimentos.
Do ponto de vista eleitoral, a vantagem de Mailza está na capilaridade da estrutura governista, que inclui distribuição de cestas básicas, programas sociais estaduais e obras viárias. Já Alan Rick tem demonstrado força nas redes sociais e entre eleitores mais jovens, além de contar com o apoio do ex-senador e ex-ministro Sérgio Petecão. A indefinição se mantém porque o eleitorado acreano, tradicionalmente conservador, ainda avalia o legado de Gladson Cameli – que deixa uma gestão com aprovação mediana, marcada por denúncias de corrupção e avanços pontuais na pavimentação de rodovias.
**Fontes**
- Pesquisas eleitorais registradas no Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). - Dados de intenção de voto divulgados pelos institutos Ipec, Datafolha e Quaest, com acesso público através de seus portais oficiais. - Perfil dos candidatos e histórico de mandatos: Câmara dos Deputados e Senado Federal. - Artigos de análise política do jornal Folha de S. Paulo, Estadão e site G1 Acre.
Por Renan Filho · 2026-10-25