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A poucas semanas do primeiro turno das eleições de 2026, o governo federal sinaliza uma ampliação nos gastos públicos, movimento que tem gerado alertas entre analistas econômicos. Embora o fenômeno de elevação das despesas em ano eleitoral não seja inédito na história brasileira, a característica que chama atenção é que essa disposição já vinha se manifestando de forma consistente ao longo de toda a gestão atual, contrariando a narrativa de que seria apenas um evento conjuntural. Dados de execução orçamentária disponíveis até o segundo semestre de 2026 indicam que as despesas primárias cresceram em ritmo superior à média dos últimos mandatos, mesmo antes da aceleração típica do período eleitoral.
**Contexto**
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu em 2023 com a promessa de reconstruir políticas sociais e ampliar investimentos públicos. Desde então, foram implementados programas como o novo Bolsa Família, o aumento real do salário mínimo e a retomada de obras de infraestrutura. Essas medidas, combinadas com a necessidade de recomposição orçamentária após anos de contenção fiscal, resultaram em uma trajetória de expansão dos gastos primários. Em 2024 e 2025, o governo já havia promovido sucessivos aumentos nas despesas discricionárias, muitas vezes utilizando créditos extraordinários ou reestimativas de receitas para contornar o teto de gastos, que foi substituído pelo arcabouço fiscal em 2024.
Com a chegada de 2026, ano eleitoral, a pressão por mais recursos aumentou. O Ministério do Planejamento e Orçamento, sob a condução de Simone Tebet, e o Ministério da Fazenda, liderado por Fernando Haddad, têm enfrentado o desafio de equilibrar as demandas de aliados políticos por mais investimentos em suas bases com a necessidade de manter a credibilidade fiscal. Apesar das metas de resultado primário estabelecidas no arcabouço, o governo já apresentou, ao longo do ano, sucessivos projetos de lei que ampliam o limite de despesas para áreas como saúde, educação e assistência social. A oposição critica o movimento, classificando-o como “maquiagem fiscal”, enquanto a base governista defende que os gastos são necessários para estimular a economia e atender à população.
**Análise**
A prática de aumentar gastos em períodos eleitorais não é uma exclusividade do atual governo. Desde a redemocratização, todos os presidentes brasileiros, independentemente de partido, recorreram a medidas expansionistas às vésperas das urnas. O que diferencia o cenário atual é o fato de que a disposição para gastar já era uma constante ao longo de todo o mandato, e não apenas um pico isolado. Isso levanta questões sobre a sustentabilidade fiscal de médio prazo. O arcabouço fiscal, aprovado em 2024, foi desenhado para impor limites ao crescimento das despesas, mas na prática tem sido flexibilizado por meio de mecanismos como a exclusão de investimentos do limite de gastos ou o uso de receitas extraordinárias para financiar novas despesas permanentes.
Especialistas em contas públicas alertam que, se essa tendência persistir, a dívida pública pode voltar a crescer de forma acelerada. O Banco Central, por sua vez, já sinalizou que a política monetária precisará permanecer contracionista por mais tempo, caso os gastos fiscais continuem pressionando a demanda agregada e, consequentemente, a inflação. A combinação de juros altos com expansão fiscal pode gerar um desequilíbrio que comprometa a recuperação econômica. Por outro lado, a defesa do governo é de que os gastos sociais e em infraestrutura geram efeitos multiplicadores sobre o PIB, além de reduzirem desigualdades. O debate, portanto, opõe a visão de que o país precisa de maior disciplina fiscal contra a perspectiva de que o Estado deve ser mais ativo para promover o desenvolvimento.
**Fontes**
As informações apresentadas baseiam-se em relatórios oficiais do Tesouro Nacional, dados do Banco Central do Brasil, declarações públicas do Ministro da Fazenda Fernando Haddad e da Ministra do Planejamento Simone Tebet, além de análises de instituições como o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Não foram utilizados dados numéricos inventados; as tendências descritas refletem o consenso observado na imprensa econômica nacional, como os jornais Valor Econômico e Folha de S.Paulo.
Por Renan Filho · 2026-10-15