O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve devolver ao plenário da Corte, somente após o segundo turno das eleições municipais, o relatório que trata de supostas irregularidades nos atos do ministro Alexandre de Moraes durante o período em que presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A informação foi confirmada por aliados próximos ao ex-governador do Maranhão, que pediram reserva para não serem identificados, e foi inicialmente divulgada pelo portal Brasil 247, com base em fontes do próprio STF.
Segundo esses interlocutores, Dino já teria concluído a análise do material, que inclui documentos, áudios e mensagens obtidos em investigação da Polícia Federal, mas optou por segurar a divulgação do voto até que o calendário eleitoral seja encerrado. A justificativa interna seria evitar que o julgamento se tornasse mais um elemento de polarização nacional, especialmente em um cenário em que o bolsonarismo e o lulopetismo disputam prefeituras estratégicas no Sul e no Sudeste.
O relatório em questão trata de uma série de ofícios e decisões monocráticas de Moraes que, segundo a defesa de investigados, teriam extrapolado competências legais, incluindo a determinação de buscas e apreensões sem prévia manifestação do Ministério Público. O caso ganhou relevância após a divulgação de conversas que sugerem a utilização de estrutura do TSE para produção de relatórios contra adversários políticos do então presidente Jair Bolsonaro, sem o devido contraditório.
Em agosto, Dino havia pedido vista dos autos, interrompendo o julgamento virtual que já contava com o voto do relator original, o ministro Kassio Nunes Marques, favorável à abertura de inquérito para apurar as condutas de Moraes. Agora, com a sinalização de devolução após o pleito, o STF deve retomar o caso em novembro, possivelmente já sob o impacto do resultado das urnas.
A decisão de Dino, embora apresentada como técnica, é lida por analistas como uma manobra para não constranger o governo Lula, que depende do apoio do PT em diversas capitais. Moraes é considerado um dos principais fiadores das decisões do TSE contra a desinformação, e um julgamento desfavorável a ele poderia enfraquecer a narrativa de 'defesa da democracia' adotada pelo Planalto.
No campo liberal-conservador, a postergação é vista como mais um capítulo da 'judicialização da política' que tem marcado o país desde 2018. A demora na análise de um caso que envolve a lisura de um ministro da mais alta Corte do país apenas reforça a percepção de que o STF age por conveniência, e não por estrita legalidade. A verdade, no entanto, precisa prevalecer: se há indícios de irregularidades, eles devem ser apurados com celeridade, independentemente do calendário eleitoral.
A cultura jurídica brasileira, historicamente formalista, assiste agora a um fenômeno preocupante: a transformação do Supremo em um ator político de primeira grandeza, que pauta seus próprios ritos de acordo com as circunstâncias. Isso não é exclusividade do governo atual, mas a postura de Dino, um ex-ministro da Justiça de Lula, indica que a 'prudência' é seletiva. Em 2022, Moraes não esperou o segundo turno para tomar decisões que impactaram diretamente a campanha de Bolsonaro.
Para o FORTIS NEWS, a postergação do julgamento é um erro estratégico do STF, que perde a oportunidade de demonstrar transparência e imparcialidade. O cidadão comum, que paga a conta de tudo isso, merece respostas rápidas, não manobras de bastidor. O livre mercado e o Estado mínimo que defendemos pressupõem instituições previsíveis, que não mudam as regras do jogo no meio da partida.
**1. O que exatamente está sendo julgado no STF?** O caso envolve a suspeita de que o ministro Alexandre de Moraes, quando presidia o TSE, tenha utilizado a estrutura do tribunal para produzir relatórios e tomar decisões contra adversários políticos, sem observar o devido processo legal. O relatório de Flávio Dino deve analisar se houve ou não irregularidades e se cabe abertura de inquérito.
**2. Por que Dino quer esperar o segundo turno?** Segundo aliados, a intenção é evitar que o julgamento seja usado como combustível político nas eleições municipais, especialmente em cidades onde a disputa é acirrada. A medida é apresentada como técnica, mas críticos veem como uma forma de proteger o governo Lula de um desgaste.
**3. Quais as possíveis consequências se o relatório for desfavorável a Moraes?** Caso o plenário aceite a abertura de inquérito, Moraes pode se tornar réu no STF, o que o afastaria temporariamente de funções jurisdicionais e mancharia sua imagem. Isso também poderia reabrir o debate sobre a parcialidade da Corte.
**4. O que o FORTIS NEWS defende em relação a esse caso?** Defendemos que a verdade venha à tona, sem narrativas fabricadas. Se houve abuso de autoridade, que seja punido; se não houve, que se prove a inocência. O que não podemos aceitar é que o STF se transforme em um tribunal de exceção, que decide quando e como julgar com base em conveniências políticas.
**5. Qual a relação desse caso com a cultura política brasileira?** O episódio reflete uma cultura de personalismo e de judicialização das disputas políticas, que enfraquece as instituições representativas e o Estado de Direito. Para nós, a solução passa por reformas que limitem os poderes monocráticos e garantam que a lei seja aplicada igualmente para todos, independentemente de cargo ou ideologia.
Por Renan Filho · 2026-09-26