A política brasileira já vive o primeiro capítulo da sucessão de 2030, e o nome de Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a circular nos bastidores partidários. Em publicação nas redes sociais, o deputado federal Pedro Campos (PSB-PE) afirmou que Dino “tem história para ser o que quiser” e que a sigla “estaria honrada” em recebê-lo de volta, caso ele decida deixar a toga. A declaração, feita em entrevista à Rádio Jornal, ecoa articulações de alas do partido que veem no ex-governador do Maranhão um nome viável para reconquistar o eleitorado de centro-esquerda.
A especulação não é trivial. Dino, que foi filiado ao PSB até 2021, migrou para o PT antes de ser indicado por Lula ao STF em 2023. Sua trajetória política, no entanto, é marcada por um discurso estatizante e intervencionista, com clara aversão a reformas de livre mercado. Em 2016, quando governador do Maranhão, ele chegou a decretar estado de calamidade financeira para justificar o não pagamento de salários, um caso que se tornou símbolo da má gestão fiscal no Nordeste.
O movimento de aproximação com o PSB ocorre em um momento de fragilidade institucional. O partido, que integra a base do governo Lula, vê em Dino um nome capaz de unificar a esquerda radical e a terceira via light, mas os custos dessa empreitada são evidentes. Em um país que amarga uma dívida pública superior a 78% do PIB, a volta de um quadro com histórico de estatismo explícito é um sinal de que o campo progressista não aprendeu com os erros do passado.
**Por que isso importa**
A eventual candidatura de Dino em 2030 não é apenas mais um capítulo da dança das cadeiras partidárias. Ela representa um risco concreto para a estababilidade fiscal e para a credibilidade do STF. Ao ocupar uma cadeira na Suprema Corte, Dino deveria ser o guardião da Constituição, não um player político em potencial. A simples especulação sobre seu retorno à política ativa já corrói a confiança no Judiciário, que deveria ser imune a esse tipo de barganha.
Para o mercado, o cenário é ainda mais preocupante. Uma candidatura de Dino, com discurso de aumento de gastos públicos e intervenção estatal, tenderia a pressionar os juros futuros e a afastar investimentos produtivos. Em um ambiente de juros elevados e inflação resiliente, o Brasil não pode se dar ao luxo de embarcar em aventuras eleitoreiras com um nome que defendeu o controle de preços e a expansão desenfreada da máquina pública.
**Análise FORTIS**
Aqui na FORTIS, enxergamos com ceticismo esse movimento. Dino, na prática, é um produto do lulopetismo que ele mesmo ajudou a sustentar. Sua gestão no Maranhão foi marcada por uma política de incentivos fiscais que não gerou desenvolvimento sustentável, apenas endividamento. Em 2018, o estado tinha mais de R$ 4 bilhões em restos a pagar, um rombo que comprometeu serviços essenciais.
A volta ao PSB, se confirmada, seria um movimento de sobrevivência política, não de convicção ideológica. O partido, que já foi palco de lideranças liberais como o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, hoje se rende ao discurso do “tudo pelo Estado”. Aos eleitores que buscam liberdade econômica e menos intervenção, resta o alerta: Dino é a personificação do que há de pior no estatismo brasileiro.
**Contraponto**
É preciso reconhecer que Flávio Dino não é um político comum. Sua retórica afiada e sua capacidade de articulação são inegáveis, e ele poderia, em um cenário de crise de representatividade, surfar em uma onda de antipolítica. Além disso, o PSB, ao lançar um nome de peso, poderia garantir maior visibilidade na disputa de 2030, mesmo que o resultado seja incerto.
No entanto, a história recente mostra que o eleitor brasileiro está mais atento a promessas vazias. A aprovação de reformas como a trabalhista e a da Previdência, embora tímidas, abriu espaço para um debate mais maduro sobre o tamanho do Estado. Uma candidatura Dino, com seu discurso anacrônico, pode ser o tiro no pé que a esquerda precisa para se enterrar de vez.
**1. Flávio Dino pode realmente deixar o STF para se candidatar?**
Sim, é juridicamente possível. A Constituição permite que ministros do STF se afastem para disputar eleições, desde que cumpram o requisito de desincompatibilização. No caso de Dino, que tomou posse em 2023, ele precisaria renunciar até 2026 para concorrer em 2030, conforme a legislação eleitoral. No entanto, a decisão de renunciar a um cargo vitalício seria um ato de coragem (ou de insensatez) que poucos acreditam que ele tomará.
**2. Qual o impacto de uma eventual candidatura de Dino para o mercado financeiro?**
O impacto seria imediato e negativo. O mercado enxergaria a candidatura como um sinal de que o país pode retroceder em pautas como teto de gastos e autonomia do Banco Central. Isso elevaria o risco-Brasil, pressionando o câmbio e os juros futuros, além de afastar investimentos. Em um cenário de estagflação, uma candidatura estatizante seria um desastre anunciado. A trajetória de Dino como governador, com pedaladas fiscais e maquiagem de contas, é o maior atestado de que ele não aprendeu com os erros do passado.
Por Renan Filho · 2026-09-21