**Lead**
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou nesta segunda-feira, 27 de outubro, que a Polícia Federal abra investigação para apurar suspeitas de interferência estrangeira que teriam beneficiado o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A decisão atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e insere o caso no contexto das investigações sobre a atuação de forças externas na política brasileira.
**Contexto**
A determinação foi assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator dos inquéritos que tramitam no STF sobre notícias fraudulentas e atos antidemocráticos. Segundo fontes oficiais, a PGR apresentou elementos que apontariam para uma suposta articulação internacional com o objetivo de fortalecer o entorno do senador Flávio Bolsonaro. Os fatos sob apuração teriam ocorrido entre os anos de 2022 e 2023, período que envolve o processo eleitoral brasileiro e os atos de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas.
Flávio Bolsonaro é senador pelo Rio de Janeiro e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele já foi alvo de outras frentes investigativas, como o caso das rachadinhas, que tramitou no Ministério Público do Rio de Janeiro, e chegou a ser absolvido em uma das ações relacionadas ao tema. A nova suspeita, no entanto, teria um caráter distinto: a possível participação de agentes estrangeiros em tentativas de desestabilizar instituições brasileiras ou de promover uma agenda política específica no país.
A PF será responsável por colher depoimentos, analisar documentos e rastrear comunicações que possam confirmar ou afastar a existência de um plano de interferência externa. A investigação deve envolver cooperação internacional, uma vez que parte dos indícios teria origem em interações com autoridades ou intermediários de outros países. O sigilo do inquérito foi decretado para preservar as diligências.
**Análise**
A decisão do STF reforça a tese de que o Judiciário brasileiro vem adotando um papel ativo no monitoramento de ameaças à ordem democrática. A apuração de interferência estrangeira não é um tema inédito no Brasil: a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) de 8 de Janeiro já havia coletado depoimentos sobre supostos contatos de integrantes do governo anterior com representantes de governos estrangeiros. A diferença, agora, é que a investigação ganha contornos formais dentro da estrutura da Polícia Federal, com aval do STF.
Para analistas políticos, o caso pode representar mais um capítulo do esforço das instituições brasileiras em responder a tentativas de ingerência externa. A expressão “interferência estrangeira” tornou-se recorrente no debate público após as eleições de 2022, quando o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) criou um programa de enfrentamento à desinformação que afetava o processo eleitoral. Especialistas apontam que a atuação coordenada de desinformação vinda de fora é um fenômeno global e que o Brasil passou a tratá-la com mais rigor institucional.
A investigação também ocorre em um momento de tensão política, com o Congresso Nacional analisando pautas sensíveis ao governo Lula e ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro, por sua vez, tem negado irregularidades e classificou iniciativas anteriores contra ele como perseguição política. A defesa do senador não se manifestou até a publicação desta reportagem.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de notas oficiais do Supremo Tribunal Federal, da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal. A reportagem também consultou matérias publicadas por veículos como Agência Brasil, Folha de S.Paulo e O Globo, que acompanharam o desdobramento do caso.
Por Renan Filho · 2026-10-27