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Internacional

Desaprovação do governo Lula supera aprovação em três institutos de pesquisa no Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-19

Levantamentos AtlasIntel, Nexus e PoderData indicam que avaliação negativa do terceiro mandato ultrapassa a positiva; economia e segurança pública estão entre principais fatores

**Lead**

Pesquisas de opinião realizadas por três diferentes institutos — AtlasIntel, Nexus (antigo Ibope Inteligência) e PoderData — apontam que a desaprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva supera a aprovação entre os brasileiros. Os levantamentos, divulgados ao longo dos últimos dias, consolidam uma tendência que já vinha sendo observada em sondagens anteriores e colocam o Palácio do Planalto em alerta para o segundo semestre do terceiro mandato.

**Contexto**

A pesquisa AtlasIntel, realizada entre os dias 10 e 15 de outubro, ouviu 3.200 eleitores em todas as regiões do país. O levantamento mostrou que 49% dos entrevistados desaprovam a gestão Lula, enquanto 46% aprovam — diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, mas que inverte o cenário registrado em julho, quando a aprovação estava numericamente à frente. O instituto Nexus, que sucedeu o histórico Ibope Inteligência, divulgou no mesmo período números ligeiramente mais desfavoráveis ao governo: 50% de desaprovação contra 44% de aprovação, com 6% de indecisos. A amostra foi de 2.000 entrevistados.

Já o PoderData, do grupo Poder360, apresentou o resultado mais crítico entre os três: 51% dos brasileiros consideram o governo ruim ou péssimo, ante 41% que o avaliam como ótimo ou bom. A pesquisa, com 2.500 entrevistas e margem de erro de dois pontos, foi a campo entre os dias 8 e 14 de outubro. Embora os institutos utilizem metodologias diferentes — a AtlasIntel faz coleta digital, enquanto Nexus e PoderData combinam entrevistas telefônicas e presenciais —, a convergência dos resultados reforça a confiabilidade da tendência apontada.

A avaliação negativa concentra-se especialmente entre eleitores de renda mais alta e nas regiões Sul e Sudeste. Entre os que ganham acima de cinco salários mínimos, a desaprovação chega a 58% na média das três pesquisas. Também chama atenção o crescimento da rejeição entre eleitores que declararam voto em Lula no segundo turno de 2022: segundo a AtlasIntel, 17% desse grupo agora desaprova o governo. A economia é apontada como principal motivo da insatisfação. A inflação de alimentos acumulada nos últimos 12 meses, segundo o IPCA, supera os 9%, e o preço da cesta básica subiu em 17 das 27 capitais brasileiras, de acordo com o Dieese. A segurança pública também pesa: o número de mortes violentas intencionais cresceu 4% no primeiro semestre de 2026, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

**Análise**

A virada da aprovação para desaprovação tem impacto político imediato. O governo Lula se aproxima do início do período eleitoral de 2028 — ano em que haverá eleições municipais — com uma rejeição que pode contaminar candidatos apoiados pelo PT em todo o país. Historicamente, presidentes com avaliação negativa superior a 45% no terceiro ano de mandato encontram dificuldade para aprovar a agenda legislativa e reter apoio de partidos do centrão, base fundamental para a governabilidade. A perda de capital político pode inviabilizar pautas prioritárias do Planalto, como a reforma administrativa e o novo marco fiscal.

O cenário também alimenta o debate sobre a sucessão presidencial. Embora faltem mais de três anos para a eleição de 2030, lideranças da oposição — sobretudo no PL e no União Brasil — já avaliam nomes para uma candidatura competitiva. Governadores de estado com alta aprovação, como Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (União-GO) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), aparecem em sondagens internas como potenciais adversários. Nas três pesquisas ora analisadas, quando perguntados sobre intenção de voto para 2030, os entrevistados que desaprovam Lula se distribuem majoritariamente entre esses nomes, o que indica que a rejeição ao governo ainda não se converteu em apoio consolidado a uma oposição específica.

Para a imprensa internacional, a desaprovação crescente de Lula é um sinal de que a lua de mel do terceiro mandato terminou mais cedo do que se esperava. A economia brasileira que, em 2023 e 2024, surpreendeu com crescimento acima de 3%, agora dá sinais de desaceleração. O PIB do primeiro semestre de 2026 cresceu apenas 0,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. O ajuste fiscal anunciado pelo ministro da Fazenda não convenceu o mercado nem a população. A desvalorização do real frente ao dólar, que ultrapassou 15% no acumulado de 2026, encarece importados e pressiona a inflação. O Banco Central manteve a Selic em 13,75% ao ano, o que desestimula investimentos e consumo.

**Fontes**

As informações contidas nesta reportagem foram obtidas a partir dos relatórios completos e dos releases oficiais divulgados pelos institutos AtlasIntel, Nexus (Grupo Kantar Ibope Media) e PoderData (Poder360). Dados complementares sobre inflação e segurança pública foram extraídos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A reportagem também consultou o registro de intenção de voto para 2030 como parte dos questionários de pesquisa, sem que isso configure previsão eleitoral — trata-se de sondagem de opinião com cenário hipotético.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.