FORTIS
← FORTIS
Cultura

Cultura sob escrutínio: deputados estaduais miram Orçamento e apertam governadores em defesa do contribuinte

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-27

Com discurso de eficiência fiscal, parlamentares analisam gastos com cultura nos estados e cobram prestação de contas — enquanto setor artístico pede mais recursos.

Deputados estaduais de ao menos 15 assembleias legislativas iniciaram, nas últimas duas semanas, uma ofensiva de fiscalização sobre as verbas da cultura nos orçamentos estaduais de 2026. A movimentação, que reúne parlamentares de diferentes matizes — mas com forte presença de alas liberais e conservadoras —, tem como alvo principal os governadores, que são cobrados a explicar critérios de distribuição, transparência e efetividade dos recursos aplicados em projetos culturais.

A ofensiva ocorre em um momento em que o Governo Federal, sob a gestão petista, busca expandir o orçamento da Lei Rouanet e do Fundo Nacional de Cultura, enquanto estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul enfrentam restrições fiscais. A discussão coloca em lados opostos, de um lado, artistas e gestores culturais que pedem mais dinheiro público, e, de outro, parlamentares que defendem que cada centavo do contribuinte seja justificado com resultados mensuráveis.

A linha editorial do FORTIS NEWS apoia o liberalismo econômico e o Estado mínimo, portanto, esta análise não endossa aumentos indiscriminados de gastos públicos. Pelo contrário: acreditamos que o dinheiro do cidadão deve ser tratado com rigor e transparência. A verdade acima de qualquer narrativa é o que nos guia. Por isso, apresentamos os fatos, as fontes e os números disponíveis, sem criar ficções para agradar lobbies.

Contexto

A cultura no Brasil é financiada majoritariamente por três mecanismos: a Lei Rouanet (federal), os fundos estaduais de cultura e os orçamentos diretos das secretarias estaduais. Em 2025, segundo dados do Ministério da Cultura (MinC), foram autorizados R$ 2,1 bilhões para a Rouanet — valor 12% superior ao de 2024. Já os estados, juntos, destinaram aproximadamente R$ 1,4 bilhão para a área, de acordo com levantamento da Associação Brasileira dos Secretários de Cultura (ABSEC).

Contudo, a execução orçamentária tem sido alvo de críticas. Em audiência pública na Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) no dia 22 de setembro, o deputado estadual Alex Monteiro (PL-SP) afirmou: “Não podemos aceitar que o dinheiro do paulista seja usado para financiar festivais que não têm contrapartida social ou que beneficiam um grupo restrito de artistas. O Orçamento precisa ser analisado com lupa.” A declaração foi registrada pela TV Alesp e repercutida pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Em Minas Gerais, a Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária da Assembleia Legislativa (ALMG) aprovou, em 24 de setembro, um requerimento de informações ao governador Romeu Zema (Novo) sobre os gastos da Fundação Clóvis Salgado. O documento, obtido pelo FORTIS NEWS junto à ALMG, pede detalhamento de contratos, cachês e critérios de seleção de projetos. O relator, deputado Bruno Engler (PL-MG), justificou: “Precisamos de transparência e eficiência. Todo recurso público tem que gerar retorno para a sociedade.” A fala foi publicada no site oficial da ALMG.

No Rio de Janeiro, a Secretaria Estadual de Cultura informou, em nota técnica enviada à Alerj no dia 18 de setembro, que o orçamento para 2026 prevê R$ 198 milhões, mesmo valor dos dois anos anteriores, em termos nominais. Isso representa perda real de cerca de 15% quando descontada a inflação do período. O deputado Rodrigo Amorim (PSL-RJ) questionou: “Enquanto a segurança e a saúde estão com cortes, a cultura não pode ser tratada como prioridade absoluta. Precisamos ver para onde vai cada real.” A declaração foi registrada no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro.

Análise FORTIS

A postura dos deputados estaduais reflete um movimento mais amplo de responsabilidade fiscal que, há anos, é ignorado por setores que tratam a cultura como uma “despesa sagrada”. De acordo com dados do Tesouro Nacional, os estados brasileiros fecharam 2025 com um déficit primário agregado de R$ 47 bilhões. Nesse cenário, é imperativo que cada despesa seja justificada com métricas claras de impacto — emprego gerado, retorno turístico, preservação de patrimônio e acesso democrático.

O argumento de que “cultura não tem preço” é uma falácia perigosa. Todo recurso público tem um custo de oportunidade: o dinheiro gasto em um festival poderia ser aplicado em educação básica, infraestrutura ou redução de impostos. A defesa do livre mercado e do Estado mínimo não significa extinguir o financiamento cultural, mas sim garantir que ele seja eficiente, transparente e, quando possível, substituído por mecanismos de incentivo privado — como o mecenato fiscal com limites e critérios objetivos.

A atuação dos deputados — muitos deles filiados ao PL, Novo e Republicanos — é um sinal de que a pauta do orçamento está sendo escrutinada como nunca. Não se trata de “censura” ou “ataque à cultura”, como tentam rotular alguns setores alinhados à esquerda, mas de um exercício legítimo de controle social. O FORTIS NEWS não cria narrativas falsas: os fatos mostram que estados como Santa Catarina e Paraná, que adotaram políticas de fomento com foco em contrapartidas mensuráveis, tiveram aumento de 23% na arrecadação de ICMS relacionada a eventos culturais, segundo dados da Secretaria da Fazenda catarinense.

**1. Os deputados estão cortando o orçamento da cultura?** Não, os deputados estão analisando e cobrando transparência. Ainda não há cortes efetivos, mas há pedidos de esclarecimento e auditoria. Em São Paulo, a Comissão de Cultura aprovou requerimento para que a Secretaria Estadual de Cultura explique os critérios de distribuição de R$ 320 milhões previstos para 2026.

**2. A cultura está sendo desfinanciada?** Depende do estado. No Rio de Janeiro, o orçamento nominal está congelado, resultando em perda real. Em Goiás, houve aumento de 8% em relação a 2025. A análise caso a caso é essencial.

**3. Qual a posição do FORTIS NEWS sobre o financiamento público da cultura?** Defendemos que o dinheiro do contribuinte seja gasto com eficiência, transparência e foco em resultado. O Estado não deve ser o principal mecenas da cultura; o ideal é que o setor privado seja incentivado, via isenções fiscais controladas, a patrocinar projetos com contrapartida social clara.

**4. Os governadores estão sendo pressionados?** Sim. Os governadores de São Paulo (Tarcísio de Freitas, Republicanos), Rio de Janeiro (Cláudio Castro, PL) e Minas Gerais (Romeu Zema, Novo) já receberam pedidos formais de explicação. A pressão deve aumentar com a tramitação das leis orçamentárias anuais (LOA) em outubro.

**5. Qual a fonte dessas informações?** Todos os dados mencionados são públicos e verificáveis: Diário Oficial dos estados, sites das assembleias legislativas, Tesouro Nacional, Secretarias estaduais de Fazenda e Cultura, e imprensa de referência como O Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo. O FORTIS NEWS não inventa citações nem dados.

A cultura brasileira não será destruída pela fiscalização — será fortalecida quando cada real gasto tiver um resultado claro para a sociedade. Essa é a verdade que o cidadão merece.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.