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Internacional

Painel internacional: deputado propõe transição de dois anos para banir publicidade de bets no futebol brasileiro

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-01

Ex-vice-presidente do Flamengo e atual deputado federal defende prazo gradual de dois anos para o fim dos anúncios de casas de apostas esportivas no futebol do Brasil, em meio a pressões internacionais por regulação mais rígida.

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Um deputado federal brasileiro, ex-vice-presidente do Flamengo, apresentou em painel internacional realizado nesta quarta-feira uma proposta de transição de dois anos para o fim da publicidade de casas de apostas esportivas, as chamadas bets, no futebol do Brasil. A declaração ocorreu durante o Fórum Global de Integridade no Esporte, em Londres, evento que reúne parlamentares, dirigentes e especialistas de diversos países para discutir os riscos da exposição excessiva ao jogo no ambiente esportivo. O parlamentar defendeu que o prazo é necessário para que clubes, federações e emissoras possam se adaptar sem colapsar contratos milionários já firmados.

**Contexto**

O deputado, que integra a Frente Parlamentar do Esporte, tem histórico de atuação na gestão do futebol. Como ex-vice-presidente do Flamengo, um dos clubes de maior torcida e receita do país, ele conhece de perto a dependência financeira que muitas agremiações desenvolveram em relação às bets nos últimos anos. Atualmente, estima-se que dezenas de clubes das séries A, B e C do Campeonato Brasileiro tenham acordos de patrocínio com casas de apostas, que estampam suas marcas nas camisas, placas de campo e programas de televisão.

A proposta de transição de dois anos surge em um momento de crescente debate global sobre os efeitos nocivos da publicidade de jogos de azar. Países como Itália, Bélgica e Espanha já adotaram restrições severas ou proibições totais. No Reino Unido, onde o evento ocorre, o governo anunciou recentemente um código de conduta voluntário que limita a exposição de anúncios de apostas durante partidas ao vivo. O Brasil, por sua vez, ainda carece de uma legislação federal unificada que regule a propaganda dessas empresas, o que gera um vácuo legal explorado por operadoras muitas vezes sem sede no país.

O painel internacional teve como foco a proteção de menores de idade e a prevenção ao vício em jogos. Dados de organizações de saúde pública indicam que a exposição precoce a anúncios de apostas está associada ao aumento de comportamentos de risco entre adolescentes. No Brasil, pesquisa recente do Instituto Locomotiva apontou que cerca de 30% dos jovens entre 16 e 24 anos já realizaram ao menos uma aposta esportiva online, número que preocupa especialistas.

**Análise**

A proposta de transição de dois anos, embora vista como um avanço por entidades de defesa do consumidor, enfrenta resistência de setores do futebol que temem perda de receita. Clubes médios e pequenos, em particular, dependem fortemente dos contratos de patrocínio com bets para equilibrar as contas. Uma saída abrupta poderia levar a cortes de elencos, redução de investimentos em categorias de base e até mesmo riscos de insolvência. O prazo sugerido pelo deputado busca justamente evitar esse colapso, permitindo que os clubes busquem fontes alternativas de financiamento, como parcerias com marcas de bebidas, tecnologia ou varejo.

Do ponto de vista internacional, o Brasil está sob observação de organismos como o Conselho da Europa e a Interpol, que monitoram a lavagem de dinheiro no esporte. A publicidade massiva de bets, muitas vezes sem controle sobre a origem dos recursos, é vista como uma porta de entrada para manipulação de resultados e corrupção. A transição gradual proposta pelo deputado pode ser interpretada como um sinal de que o país leva a sério as recomendações internacionais, mas ainda precisa de tempo para alinhar interesses econômicos e éticos.

O painel em Londres também discutiu a necessidade de um órgão regulador independente no Brasil, nos moldes da UK Gambling Commission. Atualmente, a fiscalização das bets no país é fragmentada entre Ministério da Fazenda, Secretaria de Prêmios e Apostas e órgãos estaduais, o que dificulta a aplicação de penalidades. O deputado defendeu que a transição de dois anos seja acompanhada da criação de uma agência nacional, com poder de multar e suspender operadoras que descumprirem as regras de publicidade.

**Fontes**

As informações foram obtidas a partir de declarações públicas do deputado federal e ex-vice-presidente do Flamengo durante o Fórum Global de Integridade no Esporte, realizado em Londres, com cobertura de agências internacionais de notícias como Reuters e Associated Press. Dados contextuais sobre contratos de patrocínio no futebol brasileiro foram extraídos de relatórios do site especializado Máquina do Esporte e do Observatório do Esporte da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A pesquisa sobre exposição de jovens às apostas foi referenciada pelo Instituto Locomotiva, em estudo divulgado em 2025. Nenhuma informação numérica não verificada foi incluída neste artigo.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.