**Lead**
O deputado estadual Lucas Bove (PL) foi preso em flagrante na madrugada de sábado após disparar uma arma de fogo em uma casa noturna localizada na zona oeste de São Paulo. A prisão ocorreu após denúncias de clientes que ouviram o estampido e acionaram a Polícia Militar. Durante a abordagem, os agentes constataram que o veículo utilizado pelo parlamentar exibia placas oficiais da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), porém não constava na frota de veículos destinada aos deputados. O caso levanta questionamentos sobre privilégios e o uso indevido de símbolos públicos.
**Contexto**
Segundo o boletim de ocorrência, o disparo ocorreu por volta das 3h da manhã em uma balada na região da Vila Madalena. Testemunhas afirmaram que o deputado, após uma discussão com um segurança do local, sacou uma pistola e atirou para o alto. Ninguém ficou ferido. A Polícia Militar foi chamada e encontrou Bove ainda no estacionamento do estabelecimento, dentro de um veículo SUV preto com placas oficiais da Alesp. Ao verificar a numeração das placas, os policiais descobriram que o carro não fazia parte da frota oficial fornecida pela assembleia aos deputados. A Alesp informou, em nota, que as placas são de uso exclusivo de veículos da frota institucional e que abrirá uma sindicância para apurar o ocorrido.
O deputado Lucas Bove, eleito pelo PL em 2022, já havia sido alvo de controvérsias anteriores. Em 2023, ele foi denunciado por ameaças a um jornalista e responde a um processo por injúria. A assessoria de Bove afirmou que o veículo era de sua propriedade e que as placas foram colocadas por engano, versão contestada pela Alesp, que afirma não ter autorizado o uso das placas fora da frota. A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar a origem das placas e se houve falsificação ou desvio de material oficial.
**Análise**
O episódio expõe uma brecha no controle administrativo da Assembleia Legislativa. A utilização de placas oficiais por parlamentares em carros particulares não é um fato isolado. Levantamentos de organizações de transparência apontam que, nos últimos anos, ao menos uma dezena de deputados estaduais foram flagrados com placas da Alesp em veículos não cadastrados. A prática permite que esses veículos circulem com imunidade a multas de trânsito e pedágios, além de conferir um status diferenciado que pode ser usado para coagir agentes públicos. O caso de Bove, associado a um ato de violência, acende um alerta sobre a necessidade de uma auditoria rigorosa na gestão das placas oficiais.
Do ponto de vista jurídico, o deputado pode responder por porte ilegal de arma, disparo em via pública e, se comprovado o uso indevido de placas oficiais, por falsidade ideológica e usurpação de função pública. A prisão em flagrante foi convertida em preventiva pela Justiça, que considerou o risco de fuga e a gravidade do ato. A Assembleia Legislativa deve instalar um conselho de ética para avaliar a conduta do parlamentar, que pode perder o mandato. O caso também reacende o debate sobre o armamento de civis, especialmente de figuras públicas que deveriam dar exemplo de respeito à lei.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir do boletim de ocorrência registrado no 14º Distrito Policial de São Paulo, de nota oficial da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) e de reportagens do portal G1 e da Folha de S.Paulo sobre o caso. Dados sobre o controle de placas oficiais foram consultados no site da Transparência Brasil.
Por Renan Filho · 2026-10-19