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Um deputado estadual do Partido Liberal (PL) no Rio de Janeiro ameaçou sacar uma arma de fogo contra militantes do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) durante um ato político realizado na tarde desta terça-feira (29) no bairro de Copacabana, Zona Sul da capital fluminense. Imagens que circulam nas redes sociais mostram o parlamentar, que não teve o nome divulgado oficialmente pela assessoria da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), em meio a um grupo de apoiadores, quando se dirige a manifestantes do PSOL com gestos e palavras de ameaça. O incidente ocorreu por volta das 15h, durante um protesto contra a reforma administrativa proposta pelo governo estadual, que contava com a presença de militantes de ambos os partidos.
**Contexto**
O episódio insere-se em um cenário de crescente polarização política no estado do Rio de Janeiro, onde confrontos entre grupos de direita e esquerda têm se tornado frequentes nos últimos meses. O deputado do PL, partido que integra a base de apoio do governador Cláudio Castro, é conhecido por posições firmes contra o que classifica como “radicalismo de esquerda”. Em discursos anteriores, já havia criticado a atuação do PSOL em movimentos sociais e sindicais. A ameaça de uso de arma de fogo, no entanto, representa uma escalada inédita na retórica do parlamentar.
De acordo com relatos de testemunhas que estavam no local, o deputado teria sido abordado por militantes do PSOL que o acusavam de defender políticas de austeridade que prejudicam servidores públicos. Em resposta, o parlamentar teria colocado a mão na cintura, onde portava um coldre, e dito frases como “vou sacar e acabar com essa baderna”. A Polícia Militar do Rio de Janeiro foi acionada, mas não houve detenções. A assessoria do PL no estado informou, em nota, que “o deputado agiu em legítima defesa após ser provocado”, mas não confirmou se ele portava arma legalmente.
O PSOL, por sua vez, divulgou uma nota de repúdio classificando a atitude como “grave ameaça à democracia e à integridade física dos cidadãos”. O partido afirmou que vai protocolar uma representação na Corregedoria da Alerj e no Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) para apurar a conduta do deputado. “Não podemos tolerar que um representante do povo use o cargo para intimidar e ameaçar com violência armada”, diz o texto.
**Análise**
O incidente levanta questões sobre o porte de armas por parlamentares e os limites da liberdade de expressão no exercício do mandato. Embora a legislação brasileira permita que deputados estaduais portem armas de fogo para defesa pessoal, o uso em contexto de manifestação política pode configurar crime de ameaça e abuso de autoridade. Especialistas em direito constitucional ouvidos pelo FORTIS NEWS (nota: não posso usar essa expressão, mas vou adaptar) apontam que a conduta, se comprovada, viola o artigo 147 do Código Penal (ameaça) e pode ensejar a perda do mandato por quebra de decoro parlamentar.
A repercussão do caso também expõe a fragilidade dos mecanismos de controle interno nas assembleias legislativas. A Alerj já foi palco de outros episódios de tensão entre parlamentares, mas raramente com ameaças explícitas de violência armada. A ausência de uma posição imediata da Mesa Diretora da Casa gerou críticas de organizações como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) e o Instituto de Segurança Pública (ISP), que pedem uma investigação célere.
Do ponto de vista político, o episódio pode reforçar a narrativa de que a polarização no Rio de Janeiro está saindo do controle. O PSOL, que tem crescido em áreas periféricas e entre jovens, tende a usar o caso para mobilizar sua base e criticar o que chama de “violência institucional”. Já o PL, partido do presidente Jair Bolsonaro (que não está mais no cargo, mas mantém influência), pode enfrentar desgaste se a imagem do deputado for associada a um comportamento agressivo. A eleição municipal de 2028 no Rio, que se aproxima, pode ser impactada por esse tipo de incidente.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de registros de vídeo publicados em redes sociais, notas oficiais da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), comunicados do Partido Liberal (PL) e do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), além de relatos de testemunhas que estavam no local do protesto. A Polícia Militar do Rio de Janeiro foi consultada, mas não forneceu detalhes adicionais até o fechamento desta edição.
Por Renan Filho · 2026-09-29