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Deputado Marcelo Aguiar (PL) é preso em flagrante após disparo de arma em casa noturna em São Paulo

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-19

O parlamentar foi detido pela Polícia Civil na madrugada desta segunda-feira (19) após efetuar um disparo dentro de uma boate na zona sul da capital paulista. Ninguém ficou ferido.

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O deputado federal Marcelo Aguiar (PL-SP) foi preso em flagrante na madrugada desta segunda-feira (19) após disparar uma arma de fogo dentro de uma casa noturna localizada na zona sul de São Paulo. A ocorrência foi registrada por volta das 2h da manhã, segundo informações do boletim de ocorrência da Polícia Civil. Ninguém ficou ferido. O parlamentar foi encaminhado ao 27º Distrito Policial (Campo Belo) e permanece à disposição da Justiça.

**Contexto**

Marcelo Aguiar, 47 anos, está em seu segundo mandato como deputado federal pelo Partido Liberal (PL) de São Paulo. Antes de ingressar na vida pública, foi empresário do setor de eventos e sempre manteve perfil ligado ao agronegócio e à pauta conservadora. Em 2022, foi um dos articuladores da bancada ruralista na Câmara e também integra a Comissão de Segurança Pública.

O episódio ocorreu em uma casa noturna famosa na região do Itaim Bibi. De acordo com as primeiras informações colhidas pela polícia, o deputado teria se envolvido em uma discussão com outros frequentadores antes de sacar a arma e efetuar o disparo para o alto. Testemunhas ouvidas no local afirmaram que o som do tiro causou pânico entre os presentes, mas ninguém ficou ferido. O segurança da boate conteve o deputado até a chegada da Polícia Militar.

A arma, um revólver calibre 38, foi apreendida. Aguiar não possuía registro de porte de arma para a ocasião, segundo a nota oficial do 27º DP. O delegado responsável, que não teve o nome divulgado, classificou a prisão como flagrante por disparo de arma de fogo em local público e por porte ilegal de arma de fogo de uso permitido. A defesa do deputado ainda não se pronunciou oficialmente até o fechamento desta edição.

Aguiar é conhecido por seu apoio a propostas de flexibilização do porte de armas. Em 2023, votou a favor do chamado “PL das Armas”, que ampliava a posse e o porte para cidadãos comuns. O contraste entre seu discurso e a situação atual já gera reações nas redes sociais e entre colegas parlamentares.

**Análise**

A prisão de um deputado federal em exercício por disparo de arma em casa noturna representa um fato incomum na política brasileira. O caso acende um alerta sobre a conduta de parlamentares que defendem o armamento irrestrito da população. Para analistas políticos, o episódio pode enfraquecer a imagem de Aguiar dentro do próprio partido e reduzir sua capacidade de liderar pautas sobre segurança pública na Câmara.

Em termos jurídicos, o deputado pode responder por crime de disparo de arma de fogo (artigo 15 da Lei 10.826/2003) e por porte ilegal de arma. A pena para o primeiro crime é de dois a quatro anos de reclusão, e para o segundo, de dois a quatro anos, além de multa. Como detém foro privilegiado, o processo poderá ser remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF), que decidirá sobre a manutenção da prisão e eventual perda do mandato.

Além das consequências penais, há o impacto político. A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados deve ser informada do fato nesta terça-feira (20), e há expectativa de que a Comissão de Ética abra procedimento disciplinar. O regimento interno prevê que deputados presos em flagrante por crime inafiançável podem ter a prisão mantida por decisão da Casa. No entanto, como o crime de disparo de arma é considerado de médio potencial ofensivo, não é inafiançável, o que pode levar a uma eventual liberdade provisória com medidas cautelares.

O caso também levanta discussões sobre a segurança e a responsabilidade de parlamentares que defendem o porte irrestrito. Para especialistas em segurança pública, a situação expõe a contradição entre o discurso e a prática, e pode servir como um teste para a aplicação das leis de armas existentes. Se o deputado for condenado, isso poderá repercutir negativamente para o lobby armamentista no Congresso.

**Fontes**

Boletim de Ocorrência do 27º Distrito Policial (Campo Belo/SP), nota da Polícia Civil de São Paulo, informações da assessoria de imprensa do Partido Liberal (não confirmadas oficialmente até o momento), registros da Câmara dos Deputados sobre a carreira do parlamentar, e declarações de especialistas em direito penal e segurança pública consultados pela reportagem.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.