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Um deputado italiano apresentou nesta semana um requerimento oficial à Comissão de Imigração do Parlamento da Itália solicitando uma investigação aprofundada sobre a concessão de cidadania italiana aos irmãos Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro. O pedido, protocolado na Câmara dos Deputados em Roma, questiona se os documentos apresentados para obter o reconhecimento de nacionalidade atendem aos critérios legais do país, especialmente no que diz respeito à comprovação de ascendência e residência. A iniciativa ocorre em meio a um contexto de crescente escrutínio sobre os mecanismos de concessão de cidadania por descendência (iure sanguinis) e levanta questionamentos sobre possíveis privilégios ou irregularidades.
**Contexto**
A cidadania italiana é regida por uma lei baseada no direito de sangue, que permite que descendentes de italianos nascidos após a unificação do país (1861) solicitem o reconhecimento, desde que comprovem a linha genealógica ininterrupta. No caso dos Bolsonaro, a família sempre afirmou ter ascendência italiana por parte de pai, mas detalhes sobre a documentação e o processo nunca foram divulgados publicamente de forma completa. Em 2019, durante o governo de Jair Bolsonaro, especulou-se que os três filhos do então presidente haviam iniciado o processo para obter passaportes italianos, o que gerou controvérsia devido a possíveis conflitos de interesse.
Eduardo Bolsonaro, deputado federal pelo PL-SP, já declarou em entrevistas que possui cidadania italiana e que a obteve por meio de sua avó paterna. Flávio e Carlos também seriam elegíveis. No entanto, parlamentares italianos de diferentes espectros políticos vêm questionando a rapidez e a transparência desses processos, especialmente quando envolvem figuras públicas estrangeiras com vínculos políticos relevantes.
O deputado autor do pedido, cujo nome não foi divulgado oficialmente pela presidência da comissão, argumenta que a investigação é necessária para garantir que a lei italiana não seja usada como “porta de entrada” para cidadãos que buscam benefícios fiscais ou mobilidade na União Europeia sem vínculo real com o país. A solicitação ganhou destaque na imprensa local e pode levar a uma audiência pública nas próximas semanas.
**Análise**
O movimento parlamentar italiano insere-se em uma tendência global de endurecimento das regras para concessão de dupla cidadania. Países como Portugal, Espanha e a própria Itália vêm revisando seus critérios para evitar fraudes e uso instrumental do instituto. No caso dos Bolsonaro, a investigação pode ter implicações políticas tanto na Itália quanto no Brasil. Na Itália, a centro-direita, que hoje governa, tem posições ambíguas: enquanto parte da coalizão defende restrições à imigração e nacionalidade, outra ala vê com bons olhos a presença de descendentes que possam fortalecer laços culturais.
Para o Brasil, a repercussão pode alimentar narrativas de oposição contra a família Bolsonaro, que já enfrenta uma série de investigações no país. Se a comissão italiana concluir que houve irregularidades, os filhos do ex-presidente poderiam perder a cidadania, o que afetaria sua capacidade de transitar livremente pela Europa e usufruir de benefícios como isenção de visto para diversos países. Além disso, o caso coloca em questão a ética de ex-presidentes e seus familiares na obtenção de segundas nacionalidades enquanto ocupam cargos públicos.
**Fontes**
A informação foi baseada em reportagens publicadas por veículos como Corriere della Sera e La Repubblica, além de comunicados oficiais da Câmara dos Deputados da Itália. O FORTIS NEWS não teve acesso direto ao documento protocolado, mas confirmou a existência do requerimento junto a fontes parlamentares italianas. A assessoria dos irmãos Bolsonaro não se pronunciou até o fechamento desta edição.
Por Renan Filho · 2026-10-29