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Deputado eleito e ex-prefeito Márcio Canella é preso pela PF no Rio; passado como dirigente esportivo vem à tona

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-15

Márcio Canella, deputado estadual eleito pelo Rio de Janeiro e ex-prefeito de São João de Meriti, foi preso nesta quarta-feira em operação da Polícia Federal. Antes da vida política, teve trajetória no esporte amador e na gestão de clubes.

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Uma figura conhecida nos bastidores políticos e esportivos do estado do Rio de Janeiro foi alvo da Polícia Federal na manhã desta quarta-feira. Márcio Canella, ex-prefeito de São João de Meriti e deputado estadual eleito para a Alerj, foi preso em uma operação que investiga supostos desvios de recursos públicos. A prisão reacende a memória de sua atuação como dirigente esportivo e gestor de projetos ligados ao esporte de base, área que ajudou a pavimentar sua carreira pública.

**Contexto**

Natural do Rio de Janeiro, Márcio Canella tem 57 anos e construiu sua trajetória política na Baixada Fluminense. Foi prefeito de São João de Meriti por dois mandatos consecutivos e, em outubro, foi eleito deputado estadual com mais de 30 mil votos. Antes disso, porém, Canella teve forte inserção no meio esportivo. Nos anos 2000, atuou como dirigente do Esporte Clube Tigres do Brasil, clube de futebol profissional sediado em Duque de Caxias, que disputou a Série A do Campeonato Carioca e as divisões de acesso do Campeonato Brasileiro.

A gestão de Canella no Tigres durou de 2004 a 2006, período em que o clube alcançou relativa estabilidade financeira, mas também enfrentou denúncias de irregularidades administrativas. Posteriormente, ele se aproximou de projetos sociais esportivos patrocinados por prefeituras, usando o esporte como base de sua plataforma eleitoral. Na campanha de 2026, seu material de divulgação destacava, com imagens de arquivo, sua atuação na criação de escolinhas de futebol e no incentivo ao esporte amador na região metropolitana do Rio.

A operação da PF, deflagrada em conjunto com o Ministério Público do Rio de Janeiro, cumpriu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em endereços ligados a Canella e a outros investigados. A investigação apura a suspeita de desvio de verbas de convênios firmados entre a prefeitura de São João de Meriti e organizações sociais esportivas, durante a gestão do ex-prefeito. Segundo a PF, o esquema teria desviado milhões de reais que deveriam ser destinados à manutenção de quadras, aquisição de equipamentos e pagamento de profissionais de educação física.

**Análise**

A prisão de Márcio Canella, embora tenha motivação estritamente criminal ligada à gestão pública, expõe um ponto sensível do cenário esportivo brasileiro: a promiscuidade entre o esporte de base, o financiamento público e a ascensão política. No Brasil, não é raro que dirigentes esportivos — de clubes, federações ou projetos sociais — utilizem o esporte como vitrine para construir capital eleitoral. A figura do "líder comunitário que leva o futebol para as crianças" muitas vezes esconde operações de captura de recursos públicos, com superfaturamento de contratos e desvio de finalidade.

Este caso específico, envolvendo um político eleito com mandato a iniciar, coloca em xeque a eficácia dos mecanismos de controle e transparência nos convênios esportivos. A Polícia Federal apontou que as organizações sociais beneficiadas pelos contratos tinham vínculos diretos com pessoas ligadas a Canella, sem experiência comprovada na gestão esportiva. O episódio reforça a necessidade de um debate mais amplo sobre a profissionalização da administração de projetos esportivos financiados com dinheiro público, especialmente em estados onde o esporte de base é usado como instrumento político.

Para o calendário esportivo fluminense, a prisão não tem impacto direto, mas mancha a imagem de figuras que usam o esporte como trampolim político. Enquanto isso, clubes e federações observam com cautela o desenrolar das investigações, que podem trazer à tona novos desdobramentos envolvendo agentes políticos e dirigentes esportivos.

**Fontes**

As informações foram obtidas por meio de reportagens de veículos como O Globo e G1, que acompanham a operação da Polícia Federal no Rio de Janeiro, com base em dados oficiais do inquérito e registros públicos da trajetória política e esportiva de Márcio Canella. Nenhuma entrevista direta ou declaração foi produzida pelo FORTIS NEWS.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.