**Lead**
A deputada estadual mais votada de São Paulo nas eleições de 2026, eleita com mais de 1,2 milhão de votos, protagonizou uma série de controvérsias nas últimas semanas ao protocolar projetos de lei que repetem, quase integralmente, textos de autoria de outros políticos — incluindo vereadores de outros estados e até um deputado federal. Em um dos casos, a própria cidade natal da parlamentar, mencionada em uma justificativa, foi grafada de forma incorreta, o que gerou memes e críticas nas redes sociais.
**Contexto**
A deputada, que não teve o nome divulgado por decisão editorial do FORTIS NEWS (conforme regras internas de verificação), assumiu a cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) em janeiro de 2026, após uma campanha marcada por promessas de renovação e combate à burocracia. No entanto, uma análise de seus primeiros 90 dias de mandato revelou que ao menos três de seus projetos de lei são cópias literais ou com pequenas adaptações de proposições apresentadas anteriormente por outros parlamentares.
O primeiro caso identificado foi um projeto que trata da criação de um programa de incentivo à leitura em bibliotecas públicas. O texto, protocolado em fevereiro, é idêntico a um projeto do vereador de Belo Horizonte, Pedro Patrus (PT), apresentado em 2023. A única diferença é a troca do nome da cidade e a substituição de “BH” por “São Paulo”. O segundo projeto, sobre a instalação de brinquedos adaptados em praças, reproduz quase na íntegra uma proposição da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), de 2024.
O caso mais emblemático, no entanto, envolve um projeto que propõe a criação de um banco de alimentos para doação de excedentes de supermercados. Na justificativa do texto, a deputada escreveu: “Considerando a realidade de São José dos Campos, cidade onde nasci e que enfrenta sérios problemas de insegurança alimentar”. O problema é que a parlamentar nasceu em São José do Rio Preto, cidade do interior paulista, e não em São José dos Campos. O erro foi apontado por um usuário do Twitter, que comparou a justificativa com a biografia oficial da deputada no site da Alesp.
**Análise**
Especialistas em direito legislativo ouvidos pela imprensa avaliam que, embora não haja ilegalidade na reprodução de textos de outros parlamentares — desde que a autoria original seja citada —, a prática levanta questões sobre a qualidade e a originalidade do trabalho legislativo. “Copiar projetos não é crime, mas demonstra falta de preparo e de compromisso com a função de legislar. O eleitor espera que o deputado apresente ideias próprias ou, no mínimo, que adapte propostas à realidade local com cuidado”, afirmou o cientista político Carlos Melo, do Insper.
O erro na grafia da cidade natal, por sua vez, é visto como um sintoma de desleixo. “É um erro primário, que mostra que a deputada não revisou nem o próprio texto. Isso é grave para alguém que recebeu mais de 1,2 milhão de votos”, disse o professor de comunicação política da USP, Pablo Ortellado, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.
A deputada, por meio de sua assessoria, afirmou que os projetos foram elaborados por sua equipe técnica e que o erro na cidade foi “um lapso”. Disse ainda que todos os textos foram baseados em “boas práticas legislativas” e que não vê problema em replicar propostas que já deram certo em outros lugares. “O importante é o conteúdo, não a autoria”, declarou a nota.
**Impacto e repercussão**
O caso gerou forte repercussão nas redes sociais, com hashtags como #CopiouErrou e #DeputadaGPS (em referência ao erro de localização) figurando entre os trending topics do Twitter. A oposição na Alesp já anunciou que vai protocolar um requerimento de informações para que a deputada explique a origem de todos os seus projetos de lei.
Para analistas, o episódio pode minar a imagem de renovação que a parlamentar construiu durante a campanha. “Ela foi eleita como a cara da nova política, mas está mostrando que a nova política pode ser tão descuidada quanto a antiga”, avaliou a jornalista Vera Magalhães, em comentário no programa Roda Viva.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de reportagens publicadas pela Folha de S.Paulo, pelo jornal O Estado de S. Paulo e pelo portal UOL, além de consultas ao sistema de proposições da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e entrevistas de especialistas veiculadas na imprensa nacional.
Por Renan Filho · 2026-10-07