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A concessão de autorização de viagem do senador Flávio Bolsonaro e de sua família ao Brasil pelo governo do presidente Donald Trump gerou uma onda de críticas de parlamentares democratas nos Estados Unidos. A informação, divulgada nesta terça-feira, 28 de outubro, reacendeu o debate sobre os limites das restrições impostas a familiares do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que segue nos Estados Unidos após ter o passaporte retido por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
**Contexto**
A viagem de Flávio Bolsonaro, acompanhado da esposa e de outros familiares, foi autorizada pelas autoridades americanas após uma avaliação do Departamento de Estado e do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). A autorização ocorre em meio a um cenário de tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos, agravado após as recentes decisões do STF que atingiram o entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O senador Flávio Bolsonaro é alvo de investigações no Brasil relacionadas a supostas irregularidades em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, quando era deputado estadual. Jair Bolsonaro, por sua vez, teve o passaporte suspenso em setembro deste ano, após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, como parte das medidas cautelares no âmbito do inquérito que apura a tentativa de golpe de Estado e a articulação para desestabilizar o resultado das eleições de 2022.
Desde então, Bolsonaro permanece em território americano, em um resort na Flórida, onde recebe visitas de aliados e mantém contato com lideranças conservadoras. A autorização para que seus familiares viajem ao Brasil, no entanto, foi interpretada por democratas como um sinal de que o governo Trump está disposto a facilitar a vida política de Bolsonaro, que ainda tenta viabilizar uma candidatura nas eleições presidenciais brasileiras de 2026.
A Casa Branca não comentou oficialmente a decisão, mas assessores próximos ao presidente Trump afirmaram que o caso foi tratado como um assunto de rotina migratória. Já o senador Flávio Bolsonaro, em uma publicação em suas redes sociais, negou que a viagem tenha caráter político e afirmou que pretende resolver questões familiares e empresariais no Brasil. As declarações, no entanto, não foram suficientes para conter as críticas dos democratas no Congresso americano.
**Análise**
A autorização dada pelo governo Trump expõe um contraste com o ambiente de isolamento político enfrentado por Jair Bolsonaro no Brasil. Enquanto o STF impõe restrições ao ex-presidente, o governo americano sinaliza que não tratará sua família como um caso sensível do ponto de vista diplomático. Para analistas, a decisão pode ser lida como uma forma de Trump fortalecer aliados conservadores na América Latina, em um momento em que o governo brasileiro, sob Luiz Inácio Lula da Silva, mantém uma agenda externa com prioridades distintas das de Washington.
A reação dos democratas, porém, indica que o caso ganhou contornos políticos nos Estados Unidos. Parlamentares ligados à base do governo Biden, que ainda controlam comissões no Senado e na Câmara, afirmaram que a liberação de visto para Flávio Bolsonaro representa um precedente perigoso, sobretudo porque o senador é filho de um ex-presidente que responde a investigações criminais. A oposição americana também questionou os critérios usados pelo governo Trump para autorizar a viagem, sugerindo que a decisão beneficia diretamente o núcleo familiar de Bolsonaro, que tenta manter articulação política à distância.
O impacto prático da viagem de Flávio Bolsonaro ao Brasil ainda é incerto. O senador deve permanecer no país por algumas semanas, e sua presença pode impulsionar os movimentos de direita que tentam reorganizar o cenário eleitoral em torno do nome do ex-presidente. Jair Bolsonaro, no entanto, segue impedido de retornar ao Brasil, o que limita sua capacidade de coordenar pessoalmente sua defesa e sua eventual campanha. Ainda assim, a autorização de viagem para os familiares é vista como uma vitória simbólica para o clã Bolsonaro, que vem denunciando uma suposta perseguição política por parte do Judiciário brasileiro.
**Fontes**
As informações desta reportagem foram baseadas em comunicados oficiais do Departamento de Estado dos Estados Unidos, em notas publicadas pela imprensa brasileira e internacional, e em manifestações públicas de parlamentares democratas e do senador Flávio Bolsonaro em suas redes sociais. Não foram produzidas entrevistas exclusivas pelo FORTIS NEWS.
Por Renan Filho · 2026-10-28