**Lead**
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgou nesta semana projeções que apontam para um crescimento de 2,5% na demanda por combustíveis no Brasil em 2027. O estudo, que faz parte do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE), considera fatores como recuperação econômica, expansão da frota de veículos e aumento da produção agrícola. A previsão abrange gasolina, etanol, diesel e querosene de aviação, entre outros derivados.
**Contexto**
O Brasil é um dos maiores mercados de combustíveis do mundo, com consumo anual superior a 150 bilhões de litros. Nos últimos anos, a demanda oscilou devido à pandemia de Covid-19, às crises de oferta global e às políticas de preços da Petrobras. Em 2023 e 2024, o país registrou retomada gradual, com puxada pelo agronegócio e pelo transporte rodoviário. A EPE, vinculada ao Ministério de Minas e Energia, atualiza periodicamente suas estimativas com base em cenários macroeconômicos e tecnológicos.
A projeção de 2,5% para 2027 está alinhada com as metas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e com a expectativa de aumento da frota de veículos leves e pesados. O diesel, principal combustível consumido no país, deve continuar liderando a matriz, seguido pela gasolina. O etanol, tanto hidratado quanto anidro, também terá participação relevante, especialmente com o avanço dos carros flex e as políticas de descarbonização.
Especialistas do setor destacam que a demanda por combustíveis fósseis ainda será majoritária, mas a participação dos biocombustíveis deve crescer lentamente. O biodiesel, misturado obrigatoriamente ao diesel, e o etanol de cana-de-açúcar são os principais exemplos. A EPE também considera o impacto de veículos elétricos, que ainda representam uma fração mínima da frota nacional.
**Análise**
O crescimento de 2,5% na demanda por combustíveis reflete não apenas a recuperação econômica, mas também a dependência estrutural do Brasil em relação ao transporte rodoviário. Cerca de 60% do diesel consumido no país vai para caminhões e ônibus, setor que deve continuar aquecido com o escoamento da safra agrícola. Já a gasolina e o etanol são impactados pelo comportamento do consumidor e pelos preços relativos entre os dois combustíveis.
Do ponto de vista energético, a projeção sinaliza que o país precisará investir em infraestrutura de refino, logística e distribuição para atender ao aumento da demanda. A Petrobras já anunciou planos de ampliação de suas refinarias, e novas autorizações para importação de combustíveis podem ser necessárias. Ao mesmo tempo, o governo federal tem incentivado a produção de biocombustíveis como estratégia de redução de emissões, mas os resultados ainda são graduais.
A transição energética global impõe desafios de longo prazo para o mercado de combustíveis. No Brasil, a aposta em etanol e biodiesel é vista como vantagem competitiva, mas o crescimento projetado para 2027 mostra que os derivados de petróleo ainda ocuparão papel central. A EPE ressalta que as projeções podem ser revisadas conforme novas políticas climáticas ou variações no preço do petróleo.
**Fontes**
Empresa de Pesquisa Energética (EPE) – Plano Decenal de Expansão de Energia 2034; dados oficiais do Ministério de Minas e Energia; relatórios setoriais da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Por Renan Filho · 2026-10-19