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Política

Deltan chora em vídeo, cita Deus e acusa ministro ‘amigo de Moraes’ de censurá-lo

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-08

Ex-procurador da Lava Jato publica desabafo emocionado nas redes sociais; alega que ministro do STJ teria impedido sua fala em evento acadêmico por pressão política.

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O ex-procurador da República Deltan Dallagnol publicou na noite desta quarta-feira (7) um vídeo de aproximadamente quatro minutos em suas redes sociais no qual aparece visivelmente emocionado, com lágrimas nos olhos, e afirma ter sido vítima de censura por parte de um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a quem chamou de “amigo pessoal” do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. No desabafo, Deltan cita Deus, diz que sua liberdade de expressão está sendo “sufocada” e que o episódio representa “um ataque à democracia”. O vídeo já ultrapassa 2 milhões de visualizações e gerou forte reação entre apoiadores e críticos do ex-magistrado.

**Contexto**

Segundo Deltan, o incidente ocorreu durante um evento acadêmico realizado na última segunda-feira (5) em Brasília, promovido por uma universidade privada. O ex-procurador havia sido convidado para palestrar sobre “os limites da atuação do Ministério Público e a judicialização da política”. No entanto, minutos antes de iniciar sua fala, a coordenação do evento teria informado que um ministro do STJ — cujo nome Deltan não revelou no vídeo, mas que identificou como “próximo a Moraes” — teria telefonado para a reitoria da instituição exigindo o cancelamento da participação do ex-procurador, sob alegação de que sua presença “poderia gerar tumulto e desrespeito às decisões judiciais”.

Deltan afirmou que a universidade cedeu à pressão e o impediu de falar, mantendo-o no local apenas como ouvinte. “Eu estava ali para debater ideias, para falar de Direito, de Justiça. E fui calado por um telefonema. Um ministro, amigo do ministro Alexandre de Moraes, ligou e disse: ‘Tira ele daí’. E tiraram. Isso é censura. Isso é autoritarismo”, disse, com a voz embargada.

O ex-procurador, que foi coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba e hoje é filiado ao Partido Novo, tem sido um crítico frequente do STF e, em especial, de Alexandre de Moraes, a quem acusa de “perseguição política”. Em 2023, Deltan teve seu mandato de deputado federal cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por irregularidades na prestação de contas de campanha, decisão que ele atribui a “retaliação” de Moraes. Desde então, mantém uma intensa atividade nas redes sociais, onde acumula milhões de seguidores.

**Análise**

O episódio expõe mais um capítulo da crescente tensão entre setores do Judiciário e figuras ligadas à Lava Jato. A acusação de censura, vinda de um ex-procurador que já foi símbolo do combate à corrupção, ressoa fortemente entre a base conservadora e entre aqueles que veem no STF um “ativismo judicial” excessivo. Por outro lado, críticos de Deltan apontam que ele próprio, quando estava no Ministério Público, defendeu medidas que restringiam a liberdade de investigados — como prisões preventivas sem provas robustas — e que agora “chora” ao sentir na pele o que pregava.

A menção a Deus no vídeo — “Só Deus sabe o que estou passando. Minha fé é o que me sustenta” — não é casual. Deltan busca se conectar com o eleitorado evangélico e conservador, que vê nele uma vítima de um sistema judicial que consideram “tendencioso”. A escolha de não nomear o ministro do STJ também é estratégica: evita um confronto direto que poderia render um processo por calúnia ou difamação, ao mesmo tempo que alimenta a especulação e o engajamento nas redes.

Do ponto de vista institucional, o caso levanta questões delicadas sobre os limites da influência de ministros de tribunais superiores em eventos acadêmicos. Se a versão de Deltan for confirmada, estaria configurada uma interferência externa na autonomia universitária — o que é grave em qualquer democracia. A universidade envolvida, até o fechamento desta edição, não se manifestou oficialmente. O STJ, procurado pela reportagem, informou que “não comenta casos específicos sem identificação do ministro envolvido”.

**Fontes**

- Vídeo publicado por Deltan Dallagnol em seu perfil oficial no Instagram e Twitter, em 7 de outubro de 2026. - Nota oficial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) enviada à imprensa em resposta a questionamento do FORTIS NEWS. - Registros públicos de eventos acadêmicos em Brasília na semana de 5 de outubro de 2026. - Declarações anteriores de Deltan Dallagnol sobre sua cassação e relação com o STF, disponíveis em arquivos do TSE e da Câmara dos Deputados.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.