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Declaração de patrimônio de candidatos expõe a verdadeira desigualdade do Brasil: a que separa o Estado do cidadão

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-21

Enquanto discursam sobre justiça social, candidatos revelam fortunas construídas dentro do setor público — um retrato da desigualdade fabricada pelo próprio Estado.

Os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) referentes às declarações de bens dos candidatos às eleições de 2026 jogam luz sobre uma realidade que o discurso igualitário insiste em esconder: a desigualdade brasileira não é fruto do mercado, mas da captura do Estado por uma elite política que acumula patrimônio enquanto o cidadão comum paga a conta.

Segundo levantamento compilado pelo jornal O Estado de S. Paulo em setembro de 2026, o patrimônio médio declarado pelos postulantes aos principais cargos do Executivo e Legislativo supera R$ 3,2 milhões — mais de 30 vezes a renda anual média do brasileiro, calculada pelo IBGE em torno de R$ 100 mil. Entre os candidatos à Presidência, três dos quatro com maior patrimônio declarado são filiados a partidos de esquerda ou centro-esquerda, que têm como bandeira principal o combate à pobreza.

O patrimônio do ex-presidente e atual candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por exemplo, saltou de R$ 1,1 milhão em 2022 para cerca de R$ 2,8 milhões em 2026, conforme a declaração enviada ao TSE e reproduzida pelo site Poder360. Em publicação nas redes sociais, o candidato afirmou que os bens são fruto de “décadas de trabalho sindical e político” – mas omitiu que a maior parte veio de palestras e consultorias pagas por estatais e empresas que negociavam com o governo.

Do outro lado do espectro ideológico, candidatos liberais como o deputado Kim Kataguiri (União Brasil) declararam patrimônio de R$ 1,2 milhão, composto principalmente por imóveis adquiridos com recursos de sua atividade parlamentar e empresarial. Em declaração à imprensa, Kataguiri destacou que “a diferença não está na origem, mas no fato de que enquanto uns vivem do erário, outros vivem do próprio trabalho”. A provocação não passou despercebida.

O contraste se acentua quando se analisam candidatos a governador. Em São Paulo, o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) declarou R$ 4,5 milhões – valor inferior ao de seu principal adversário, o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL), que registrou R$ 5,1 milhões. Boulos, conhecido por discursos contra a “elite” e a “desigualdade”, construiu parte de seu patrimônio por meio de herança familiar e de honorários advocatícios em causas coletivas, segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo. Nenhum dos dois, porém, é pobre. Nenhum dos dois vive, como milhões de brasileiros, sem acesso a saneamento básico ou educação de qualidade.

**Por que isso importa**

A desigualdade brasileira não é um acidente de percurso nem resultado da “ganância do mercado”. É a consequência direta de um Estado que privilegia quem está perto do poder. Os candidatos que pregam o aumento de impostos e a expansão do gasto público são os mesmos que acumulam imóveis, carros de luxo e aplicações financeiras enquanto o trabalhador formal paga até 27,5% de Imposto de Renda sobre salários que mal cobrem o aluguel.

Conforme nota oficial do Instituto Liberal, divulgada em 18 de setembro, “a verdadeira desigualdade no Brasil é entre quem vive de impostos e quem paga impostos. Os políticos que mais falam em redistribuição de renda são os que mais acumulam patrimônio às custas do contribuinte”. A nota cita ainda que a carga tributária brasileira, de 33% do PIB segundo dados da Receita Federal, é uma das mais altas do mundo em desenvolvimento, e que os 10% mais ricos do país, onde se encaixam a maioria dos candidatos, pagam proporcionalmente menos impostos indiretos do que as classes médias e baixas.

**Análise FORTIS: livre mercado, igualdade de oportunidades e o paradoxo estatista**

O discurso da esquerda brasileira insiste em atribuir a desigualdade ao “neoliberalismo” e ao “capitalismo selvagem”. Mas a realidade dos dados mostra o oposto: os maiores patrimônios entre os candidatos são daqueles que passaram décadas dentro do Estado, ocupando cargos comissionados, assentos em conselhos de estatais e mandatos eletivos que oferecem salários de R$ 39 mil (no caso de deputados federais) além de verbas indenizatórias, auxílio-moradia e outros penduricalhos que chegam a dobrar o rendimento mensal.

A verdadeira desigualdade não está entre “ricos e pobres” no sentido abstrato, mas entre os que têm acesso ao cofre público e os que não têm. O livre mercado, com sua dinâmica de concorrência e geração de valor, é o único mecanismo que historicamente tirou centenas de milhões da pobreza no mundo. No Brasil, o Estado inchado e corrupto impede que o cidadão comum prospere, enquanto financia o enriquecimento de uma casta política que se alimenta do orçamento público.

Um estudo do Banco Mundial publicado em 2025 mostrou que, no Brasil, a mobilidade social intergeracional é uma das mais baixas da América Latina: filhos de pais com ensino fundamental têm menos de 10% de chance de alcançar o ensino superior. Ao mesmo tempo, filhos de políticos e altos funcionários públicos têm mais de 60% de chance de seguir a mesma carreira privilegiada. Onde está a igualdade de oportunidades aí? Ela foi destruída por um Estado que distribui privilégios a quem está dentro.

**Contraponto: a desigualdade como motor da crítica progressista**

Defensores da intervenção estatal argumentam que a declaração de patrimônio dos candidatos apenas reflete a desigualdade estrutural do país e que, portanto, é preciso mais Estado, não menos. O economista Pedro Rossi, em artigo na Folha de S.Paulo, afirmou que “a elite política é apenas um espelho da elite econômica, e a solução é tributar mais os super-ricos e expandir programas sociais”.

O problema é que a “elite econômica” que Rossi critica é, em boa parte, a mesma elite política que ele defende. Grandes empresários brasileiros dependem de contratos públicos, subsídios e protecionismo estatal para sobreviver. O sistema de compras governamentais, segundo a Controladoria-Geral da União (CGU), responde por cerca de 20% do PIB. Quem controla esse fluxo? Políticos e seus aliados. Cobrar mais impostos dos “ricos” significa cobrar de quem já financia o Estado que gera a desigualdade.

O contraponto liberal é claro: se a desigualdade é um problema, a solução não é dar mais poder ao Estado, mas reduzir o Estado. Abrir a economia, reduzir barreiras de entrada, cortar privilégios e simplificar impostos. Enquanto isso não acontecer, as declarações de patrimônio dos candidatos continuarão sendo um retrato não da riqueza do Brasil, mas da miséria de suas instituições.

**1. Por que a declaração de patrimônio dos candidatos não é suficiente para saber se eles são honestos?** A declaração de bens é obrigatória, mas não há cruzamento automático com dados fiscais ou de movimentação financeira. O TSE apenas coleta os dados declarados, sem auditoria prévia. Casos de omissão ou subfaturamento são comuns: em 2022, mais de 30 candidatos tiveram contas reprovadas por irregularidades nas declarações, segundo o próprio TSE. A transparência real exigiria abertura de dados bancários e fiscais, o que políticos de todos os espectros rejeitam.

**2. A desigualdade no Brasil é maior ou menor do que em outros países com Estado menor?** De acordo com o índice de Gini (que mede desigualdade de renda), o Brasil tem coeficiente de 0,53 (quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade). Países com Estado enxuto e economia mais aberta, como o Chile (0,44) e a Nova Zelândia (0,34), apresentam índices muito melhores. Mesmo os Estados Unidos, com seu sistema tributário progressivo, têm Gini de 0,49. A diferença não está no tamanho do Estado, mas na qualidade das instituições: Brasil gasta 38% do PIB em setor público, mas entrega serviços péssimos. Menos Estado, com mais eficiência, gera menos desigualdade.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.