**Lead**
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante debate com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, que o Brasil precisa de um “projeto de país” que transcenda governos e mandatos. O encontro, realizado em Brasília, reuniu lideranças políticas, juristas e representantes da sociedade civil para discutir os desafios estruturais da nação. Lula destacou que a polarização atual impede avanços e que é necessário construir consensos mínimos em áreas como educação, saúde, infraestrutura e segurança pública.
**Contexto**
A fala de Lula ocorre em um momento de intenso debate sobre o futuro institucional brasileiro. O país enfrenta uma série de questões não resolvidas, como a reforma tributária, a transição energética e a redução das desigualdades regionais. Flávio Dino, que integra o STF desde 2024, tem se posicionado publicamente sobre a necessidade de fortalecer o Estado Democrático de Direito e de promover políticas públicas estáveis. O debate foi organizado por uma coalizão de universidades e centros de estudo, com o objetivo de fomentar o diálogo entre os Poderes.
Lula lembrou que, em seus mandatos anteriores, conseguiu aprovar programas como o PAC e o Bolsa Família, mas reconheceu que muitos desses avanços foram descontinuados por governos posteriores. “Não podemos mais aceitar que cada novo governo comece do zero. Precisamos de um projeto de país que seja assumido por todos, independentemente de partido”, disse o presidente, em trecho repercutido pela imprensa. Flávio Dino, por sua vez, ressaltou que a judicialização da política tem sido um entrave, mas que o STF não pode substituir o Legislativo e o Executivo na formulação de políticas de longo prazo.
**Análise**
A proposta de Lula de um “projeto de país” ecoa debates antigos na ciência política brasileira, mas ganha contornos específicos no atual contexto. O presidente busca pavimentar um legado que vá além de seu mandato, especialmente diante da possibilidade de uma sucessão conturbada em 2026. Ao chamar Flávio Dino para o debate, Lula sinaliza que quer envolver o Judiciário na construção de consensos, o que pode gerar críticas de setores que defendem a separação estrita dos Poderes.
Especialistas ouvidos por veículos de comunicação avaliam que a iniciativa tem potencial para reduzir a instabilidade política, mas depende de adesão real de partidos de oposição e de setores econômicos. Sem uma base ampla, o projeto corre o risco de se tornar mais uma declaração de intenções. Flávio Dino, que já foi ministro da Justiça e hoje atua no STF, é visto como uma ponte entre o governo e o Judiciário, mas sua participação em debates políticos pode ser questionada por aqueles que defendem maior discrição de magistrados.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de reportagens de veículos como Folha de S.Paulo, O Globo e UOL, além de notas oficiais da Presidência da República e do Supremo Tribunal Federal. Não foram utilizadas fontes anônimas ou dados não verificados.
Por Renan Filho · 2026-10-16