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A TV Globo anunciou, nesta terça-feira (29), que o debate presidencial marcado para o dia 4 de outubro, em São Paulo, contará com um formato inédito: o candidato ausente terá sua cadeira vazia exibida em destaque e receberá perguntas formuladas pelos mediadores, mesmo sem estar presente. A decisão, tomada em conjunto com a equipe de segurança eleitoral da emissora, visa garantir que o eleitor tenha acesso ao máximo de informações possíveis, mas também levanta questões sobre a segurança jurídica do processo e a proteção da imagem dos postulantes.
**Contexto**
A medida foi revelada durante uma reunião interna da emissora, que contou com a presença de representantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e de especialistas em comunicação política. A Globo, que tradicionalmente realiza debates com todos os candidatos convidados, enfrentou, nos últimos ciclos eleitorais, a ausência de alguns postulantes em eventos similares, como o debate da Band em 2022, quando o então candidato Jair Bolsonaro não compareceu. Na ocasião, a cadeira vazia foi exibida, mas sem a interação de perguntas diretas.
A nova dinâmica, segundo a emissora, será aplicada apenas se o candidato confirmar presença e, posteriormente, desistir sem justificativa plausível, ou se simplesmente não comparecer sem aviso prévio. A justificativa oficial é que o debate é um serviço público e que o eleitor tem o direito de confrontar as propostas, mesmo que um dos participantes opte por se ausentar. A decisão, no entanto, não é unânime entre os estrategistas políticos, que veem na medida um potencial risco de constrangimento e de manipulação da narrativa.
**Análise**
A exibição de uma cadeira vazia com perguntas direcionadas pode ser interpretada como uma forma de pressão simbólica sobre os candidatos, mas também como um mecanismo de transparência. Em um cenário de polarização extrema, como o atual, a ausência de um candidato em um debate de alcance nacional pode ser vista como uma estratégia para evitar confrontos diretos ou para minimizar danos em um ambiente hostil. A Globo, ao manter o formato, assume o papel de garantidora do interesse público, mas precisa equilibrar isso com a necessidade de não criar um espetáculo que favoreça um lado em detrimento de outro.
Do ponto de vista da segurança eleitoral, a medida pode ser um precedente perigoso. Se um candidato se sentir coagido a comparecer por medo de ser alvo de perguntas sem direito de resposta, isso pode comprometer a espontaneidade do debate. Por outro lado, a ausência deliberada, sem consequências, pode enfraquecer a democracia, pois o eleitor fica privado de uma comparação direta. A solução encontrada pela Globo, de manter a cadeira vazia e as perguntas, tenta equilibrar esses dois extremos, mas a eficácia só poderá ser avaliada após a realização do evento.
A decisão também reflete uma tendência global de debates mais rígidos, onde a participação é quase obrigatória. Em países como os Estados Unidos, a ausência em debates presidenciais é rara, e quando ocorre, como em 1980, quando Jimmy Carter se recusou a debater com John Anderson, o impacto foi significativo. No Brasil, a cultura política ainda é marcada por uma certa flexibilidade, mas a pressão pública por transparência tem crescido, especialmente após os eventos de 8 de janeiro de 2023, que reforçaram a necessidade de proteger as instituições democráticas.
**Fontes**
As informações foram divulgadas pela própria TV Globo em comunicado oficial, corroboradas por relatos de participantes da reunião interna, que preferiram não se identificar. A assessoria do TSE confirmou que foi consultada sobre o formato, mas não emitiu parecer vinculante. Dados sobre a audiência de debates anteriores foram obtidos em relatórios públicos do Kantar Ibope Media, que indicam que o debate da Globo em 2022 teve picos de audiência, mas não há números exatos disponíveis para esta edição. A reportagem também consultou especialistas em direito eleitoral, que preferiram não comentar publicamente, mas reconheceram a legalidade da medida, desde que não haja tratamento desigual entre os candidatos.
Por Renan Filho · 2026-09-29