**Lead**
Em um dos momentos mais tensos da campanha eleitoral, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se enfrentaram na noite desta quinta-feira no último debate antes da eleição presidencial marcada para domingo. Realizado nos estúdios da Rede Globo, em São Paulo, o encontro durou cerca de três horas e foi acompanhado por milhões de brasileiros. A polarização entre os dois campos ficou evidente desde o primeiro bloco, quando os candidatos apresentaram visões opostas para a economia, a segurança pública e o meio ambiente.
**Contexto**
Lula, que já governou o Brasil entre 2003 e 2010, lidera as pesquisas de intenção de voto, mas Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e atual senador, consolidou seu nome como principal representante da direita após a inelegibilidade do pai. A sucessão do clã Bolsonaro tornou-se o eixo central da campanha, com Flávio buscando capitalizar o legado do pai ao mesmo tempo que tenta se descolar das controvérsias que marcaram o governo anterior. Do outro lado, Lula aposta na memória do crescimento econômico e das políticas sociais de seus mandatos para reconquistar o eleitorado.
O debate desta quinta-feira foi o quinto e último do primeiro turno. As regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) permitiram perguntas diretas entre os candidatos, mediadas pelos jornalistas, além de blocos temáticos sobre saúde, educação e infraestrutura. Diferentemente de encontros anteriores, não houve participação de terceiros candidatos, já que apenas Lula e Flávio atingiram o índice de preferência necessário para o confronto final, segundo os critérios definidos pela emissora.
O contexto político brasileiro segue marcado por forte polarização. As pesquisas mais recentes indicam uma disputa acirrada, com vantagem numérica para Lula, mas dentro da margem de erro. A abstenção prevista é alta, e ambos os lados concentram esforços na mobilização de seus redutos. A segurança pública, em especial o combate ao crime organizado, foi um dos temas mais acalorados da noite.
**Análise**
O embate direto entre Lula e Flávio Bolsonaro representa mais do que uma simples disputa eleitoral: é o confronto entre dois projetos de país que dividem o Brasil desde as eleições de 2018. Lula defende o fortalecimento do Estado e a ampliação de programas sociais, enquanto Flávio propõe enxugamento da máquina pública e maior autonomia para estados e municípios na gestão da segurança. O debate cristalizou essas diferenças em momentos emblemáticos — como quando Lula criticou a política armamentista do governo anterior e Flávio rebateu apontando supostos casos de corrupção no PT.
A ausência de mediação direta em alguns blocos permitiu que a troca de acusações pessoais dominasse parte do programa. Especialistas ouvidos por veículos de imprensa, como a Folha de S.Paulo e O Globo, avaliaram que o tom agressivo pode ter mobilizado as bases, mas também corre o risco de afastar o eleitor indeciso. O impacto no eleitorado será medido nas pesquisas de boca de urna, mas analistas apontam que a performance de ambos foi consistente com suas estratégias de campanha: Lula buscou demonstrar experiência e serenidade, enquanto Flávio tentou se apresentar como renovação e combatividade.
Para o cenário político, o debate consolidou a percepção de que a eleição será decidida nos detalhes. A capacidade de cada candidato em converter os picos de audiência em votos depende da estrutura de campanha e do apoio de partidos aliados. Flávio conta com a máquina do PL e o legado bolsonarista, enquanto Lula mobiliza uma ampla frente de partidos de centro-esquerda. O resultado do pleito também terá repercussões internacionais, especialmente nas relações comerciais e ambientais do Brasil.
**Fontes**
As informações deste artigo foram baseadas em registros oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na cobertura ao vivo da Rede Globo, em matérias da Folha de S.Paulo, do jornal O Globo e do portal G1, além de declarações públicas das assessorias de campanha de Luiz Inácio Lula da Silva e de Flávio Bolsonaro.
Por Renan Filho · 2026-10-24