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Internacional

De João Paulo II a Francisco: os problemas de saúde que marcaram os últimos papas e a repercussão no Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-11

A saúde dos pontífices sempre foi acompanhada de perto pelos fiéis brasileiros. De João Paulo II, que enfrentou Parkinson e infecções, a Francisco, com limitações respiratórias e de mobilidade, o tema gera comoção e reflexões sobre a sucessão papal.

**Lead**

A saúde dos papas sempre foi um tema de interesse global, mas no Brasil — país com a maior população católica do mundo — a comoção ganha contornos ainda mais profundos. De João Paulo II, que enfrentou uma longa batalha contra o mal de Parkinson e múltiplas internações, a Francisco, que lida com problemas respiratórios crônicos e limitações de locomoção, os últimos pontífices da Igreja Católica tiveram seus quadros clínicos acompanhados com atenção por milhões de brasileiros. A fragilidade física dos líderes religiosos não apenas mobiliza orações e vigílias, mas também levanta questões sobre a continuidade do papado e a influência da Santa Sé no país.

**Contexto**

João Paulo II, papa de 1978 a 2005, foi um dos pontífices mais longevos da história. Seus problemas de saúde tornaram-se públicos a partir da década de 1990, quando começou a apresentar tremores e rigidez muscular, sintomas clássicos da doença de Parkinson. Em 2005, uma infecção urinária agravada por complicações respiratórias levou à sua morte, aos 84 anos. Durante seus últimos anos, o papa polonês precisou de ajuda para se locomover e falar, mas continuou a celebrar missas e a receber fiéis até o fim. No Brasil, a comoção foi imensa: multidões acompanharam pela televisão as imagens de um papa visivelmente debilitado, mas que ainda assim se esforçava para abençoar os peregrinos na Praça São Pedro.

Bento XVI, que o sucedeu, renunciou em 2013 alegando falta de forças físicas e mentais para continuar o ministério. Embora não tivesse uma doença específica diagnosticada publicamente, sua saúde frágil — agravada por uma queda em 2012 que resultou em uma fratura no quadril — foi um fator determinante para a decisão inédita em séculos. Bento XVI viveu mais dez anos como papa emérito, até falecer em 2022. No Brasil, sua renúncia foi recebida com surpresa e respeito, e muitos fiéis lembraram que a saúde debilitada de João Paulo II já havia aberto o debate sobre os limites do papado.

Francisco, eleito em 2013, trouxe um estilo mais enérgico, mas também enfrenta desafios de saúde. Argentino, hoje com 89 anos, ele sofre de ciática, que lhe causa dores na perna e dificuldade para andar, além de problemas respiratórios decorrentes de uma pleurisia na juventude — que levou à remoção parcial de um pulmão. Em 2021, passou por uma cirurgia intestinal para tratar uma estenose no cólon. Em 2023, foi hospitalizado por uma infecção respiratória aguda. Apesar disso, mantém uma agenda intensa de viagens e audiências, embora use cadeira de rodas e bengala com frequência. No Brasil, sua saúde é acompanhada com apreensão, especialmente após a morte de Bento XVI e a percepção de que o próximo conclave pode estar mais próximo do que se imagina.

**Análise**

A saúde dos papas não é apenas uma questão pessoal; ela tem implicações diretas na governança da Igreja Católica. No Brasil, onde a Igreja enfrenta desafios como a queda no número de fiéis, o avanço de denominações evangélicas e a secularização, a figura do papa continua sendo um símbolo de unidade e autoridade moral. Quando um pontífice adoece, a comoção popular se traduz em aumento de missas, novenas e campanhas de oração — fenômeno observado tanto na morte de João Paulo II quanto nas internações de Francisco. A cobertura da mídia brasileira, por sua vez, costuma destacar o sofrimento humano do papa, aproximando-o dos fiéis comuns.

Além disso, a fragilidade física dos últimos papas reacendeu o debate sobre a possibilidade de renúncias futuras. Francisco já afirmou que, se a saúde o impedir de governar, seguiria o exemplo de Bento XVI. Para os católicos brasileiros, essa perspectiva gera incertezas: quem seria o próximo papa? Um conclave em meio a uma crise de saúde do pontífice poderia acelerar a escolha de um sucessor com perfil mais conservador ou mais progressista, dependendo do contexto. A influência do Brasil no colégio cardinalício é limitada — o país tem cerca de 15 cardeais, dos quais apenas alguns com idade para votar —, mas a devoção popular faz com que qualquer mudança no Vaticano seja sentida nas paróquias brasileiras.

**Fontes**

As informações sobre a saúde dos papas foram obtidas de comunicados oficiais da Sala de Imprensa da Santa Sé, de reportagens do Vatican News e de arquivos da Agência Reuters. Dados sobre a população católica no Brasil são do Centro de Pesquisa Aplicada da Universidade de Georgetown (CARA) e do Censo do IBGE. A cobertura midiática brasileira foi consultada em veículos como G1, UOL e Folha de S.Paulo, que acompanharam em tempo real as internações e falecimentos dos pontífices.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.