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Política

Datafolha: Tarcísio tem 60% dos votos válidos contra 35% de Haddad e pode vencer no primeiro turno

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-03

Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira aponta vantagem histórica do governador de São Paulo sobre o petista, consolidando cenário de vitória já no primeiro turno da eleição presidencial de 2026.

**Lead**

Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (3) mostra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com 60% dos votos válidos na disputa pela Presidência da República, contra 35% do ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro Fernando Haddad (PT). O levantamento, que ouviu 3.090 eleitores em 172 municípios brasileiros entre os dias 25 e 27 de setembro, aponta que, mantido o cenário atual, Tarcísio venceria a eleição já no primeiro turno. O Instituto Datafolha registrou a pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-09781/2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

**Contexto**

A pesquisa consolida um movimento iniciado há pelo menos seis meses, quando Tarcísio passou a figurar isolado na liderança das intenções de voto, superando não apenas Haddad, mas também outros potenciais candidatos que ainda não tiveram seus nomes oficializados. O governador paulista, que despontou nacionalmente após uma gestão de impacto em São Paulo — especialmente nas áreas de segurança pública e concessões —, construiu uma base de apoio que atravessa o espectro ideológico, agregando desde setores do agronegócio até fatias do eleitorado evangélico e de classe média urbana.

Haddad, por sua vez, tenta rearticular o campo progressista após a saída do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva do centro da disputa. O petista, que foi o candidato derrotado por Jair Bolsonaro em 2018 e depois ocupou o Ministério da Fazenda no governo Lula, enfrenta resistência interna dentro do próprio PT para unificar a esquerda em torno de seu nome. A pesquisa mostra que, mesmo entre eleitores que se declaram de esquerda, cerca de 20% preferem Tarcísio, um indicador da fragmentação da base petista.

A vantagem de Tarcísio se mantém em todos os recortes regionais, com desempenho particularmente forte no Sul e Centro-Oeste, onde supera os 70% dos votos válidos. No Nordeste, tradicional reduto do PT, a vantagem é menor, mas ainda favorável ao governador: 52% contra 44% de Haddad. Entre jovens de 16 a 24 anos, Tarcísio tem 58% das intenções, enquanto Haddad aparece com 32% — um dado que surpreende analistas, já que essa faixa etária historicamente tende a votar em candidatos de esquerda.

**Análise**

O cenário, se confirmado nas urnas, representaria uma virada no panorama político brasileiro com profundas consequências para o sistema partidário e para o equilíbrio de poder no Congresso. Tarcísio, que iniciou a carreira política como secretário estadual no governo de Jair Bolsonaro (PL) e depois foi eleito governador de São Paulo em 2022, construiu uma trajetória de pragmatismo administrativo que atraiu até mesmo setores do centro político que antes rejeitavam o bolsonarismo. Sua gestão à frente do maior estado do país — marcada por redução de homicídios, recordes de privatizações e avanço na digitalização de serviços públicos — lhe rendeu popularidade consistente.

A pesquisa também sinaliza que o antipetismo, embora arrefecido em relação a 2018 e 2022, ainda é um fator estruturante do voto. O percentual de rejeição a Haddad é de 47%, ante 32% de Tarcísio. Isso significa que, mesmo entre eleitores que avaliam mal o governo federal ou que se declaram insatisfeitos com a economia, há um espaço limitado para o petista crescer. Por outro lado, Tarcísio tem conseguido se descolar da imagem mais radical do bolsonarismo, projetando-se como um líder capaz de dialogar com o centro e com parte da centro-esquerda que prioriza a gestão eficiente.

Para Haddad, a missão de reverter a desvantagem nas próximas semanas é quase hercúlea. Com o tempo de propaganda eleitoral no rádio e na TV já em curso, sua campanha deverá apostar na tentativa de associar Tarcísio ao governo Bolsonaro, que teve rejeição elevada entre os eleitores de renda mais baixa e do Nordeste. No entanto, a estratégia encontra obstáculos: Tarcísio tem mantido uma retórica moderada, evitando embates pessoais e focando em propostas de emprego, segurança e reforma tributária — temas que, segundo os dados do Datafolha, são prioridade para 65% do eleitorado.

**Fontes**

As informações contidas nesta reportagem são baseadas na pesquisa Datafolha registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09781/2026, realizada entre 25 e 27 de setembro de 2026, com 3.090 entrevistas presenciais em 172 municípios. A margem de erro máxima é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%. Os dados serão detalhados no site do instituto e no sistema de divulgação do TSE. Este jornal também consultou o banco de dados históricos do Datafolha, o portal de transparência do TSE e análises do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) para contextualizar os percentuais de renda e rejeição. Nenhuma declaração de candidato ou assessor foi reproduzida por não ter sido possível confirmar a veracidade e a fonte direta das falas.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.