O instituto Datafolha divulgou nesta quinta-feira (24) o primeiro levantamento de intenção de voto para o Senado Federal pelo estado de Pernambuco, com cenário estimulado. A pesquisa, registrada no TSE sob o protocolo PE-01234/2026, ouviu 1.200 eleitores em 40 municípios entre os dias 20 e 23 de setembro de 2026. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
Marília Arraes (PDT) aparece com 19% das intenções de voto, seguida de perto por Humberto Costa (PT) com 17%. Em terceiro lugar surge o ex-prefeito de Caruaru, José Queiroz (PL), com 11%; o deputado estadual Coronel Alberto Feitosa (PRTB) tem 8%; e a senadora Teresa Leitão (PSB) aparece com 5%. Os demais candidatos pontuam abaixo de 4%, e 15% dos eleitores declararam voto em branco ou nulo, enquanto 21% não souberam responder.
O empate técnico entre Marília e Humberto, dentro da margem de erro, revela um eleitorado pernambucano ainda muito alinhado ao velho discurso do gasto público como solução para todos os problemas. Marília Arraes, neta do ex-governador Miguel Arraes e herdeira de uma tradição de esquerda, tenta se desvencilhar da imagem de “poste” do PT, mas sua trajetória no PDT não esconde a defesa de pautas estatizantes: ela votou a favor do aumento do fundo eleitoral e apoiou a expansão de programas de transferência de renda sem contrapartidas claras de produtividade.
Humberto Costa, por sua vez, é um velho conhecido do eleitorado pernambucano. Ex-ministro da Saúde no governo Lula e atual senador, ele acumula um histórico de votações alinhadas ao PT: defendeu a manutenção da CPMF, apoiou o aumento de impostos sobre lucros e dividendos e esteve na base do governo que elevou a carga tributária brasileira para 34% do PIB — um dos índices mais altos do mundo, como mostram dados do Banco Mundial.
Por que isso importa para o brasileiro que paga impostos? Pernambuco é um dos estados que mais depende de transferências federais para fechar as contas. Segundo dados do Tesouro Nacional, em 2025, o estado recebeu R$ 12,3 bilhões do Fundo de Participação dos Estados (FPE), enquanto sua arrecadação própria foi de apenas R$ 8,1 bilhões. A cada real que o governo federal envia, boa parte é consumida por uma máquina pública inchada — o estado tem o quarto maior número de servidores estaduais por habitante do Nordeste, conforme o Boletim de Pessoal do Ministério da Economia.
Na análise do FORTIS, o eleitor que busca eficiência, redução de impostos e liberdade econômica encontra um deserto de opções entre os dois líderes. Nem Marília nem Humberto propõem reformas estruturais como a privatização da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), a desestatização da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) ou a desburocratização do ambiente de negócios local. Em vez disso, ambos defendem o aumento do papel do Estado na economia, repetindo receitas que já levaram o país a anos de estagnação.
Contraponto necessário: há quem argumente que o estado de Pernambuco enfrenta problemas históricos de desigualdade e que a presença do poder público é indispensável. De fato, os indicadores sociais — como o IDH de 0,673, abaixo da média nacional de 0,754 — e a taxa de desemprego de 11,5% (IBGE, 2026) exigem atenção. No entanto, a questão central é que o modelo atual, defendido pelos dois principais candidatos, já foi testado e falhou. O crescimento médio do PIB pernambucano nos últimos 10 anos foi de apenas 1,2% ao ano, contra 2,5% de estados que seguiram caminhos mais liberais, como Santa Catarina (dados do IBGE).
O Datafolha também testou cenários espontâneos e de segundo turno, mas o recorte que mais interessa ao leitor do FORTIS é a falta de uma alternativa genuinamente liberal no páreo. Os candidatos que poderiam representar essa linha — como o Coronel Alberto Feitosa, que defende a simplificação tributária e a redução do Estado — aparecem com apenas 8%, indicando que o discurso de liberdade econômica ainda não encontrou ressonância suficiente entre os pernambucanos.
Por Renan Filho · 2026-09-24