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Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira, 1º de outubro de 2026, aponta a governadora Raquel Lyra (PSDB) com 50% dos votos válidos na disputa pela reeleição em Pernambuco, contra 47% do prefeito do Recife, João Campos (PSB), em cenário de segundo turno. A diferença de três pontos percentuais está dentro da margem de erro, de dois pontos para mais ou para menos, o que configura empate técnico. O levantamento foi encomendado pela Rede Globo e ouviu eleitores de todas as regiões do estado.
**Contexto**
A sucessão estadual em Pernambuco é considerada uma das mais acirradas do país em 2026. Raquel Lyra, ex-prefeita de Caruaru, assumiu o governo em 2023 após vencer o primeiro turno contra a candidatura apoiada pelo ex-presidente Lula e pelo PSB, partido que domina a política pernambucana há mais de duas décadas. João Campos, herdeiro político do ex-governador Eduardo Campos e atual prefeito do Recife, tenta agora ocupar o Palácio do Campo das Princesas. A pesquisa simulou o segundo turno com os dois nomes, já que ambos despontam isolados nas intenções de voto desde o início da campanha.
O Instituto Datafolha entrevistou, segundo a metodologia divulgada, eleitores em municípios de todas as macrorregiões pernambucanas. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi feito dentro do prazo legal. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. Os votos válidos são calculados excluindo brancos, nulos e indecisos, que não foram divulgados neste recorte específico.
A vantagem nominal de Raquel Lyra nos votos válidos ocorre em um momento de queda na popularidade do governo federal no Nordeste e de forte exposição nacional de João Campos, que tem aparecido em pesquisas para a Presidência da República em cenários futuros. Apesar disso, o prefeito do Recife mantém alta rejeição entre eleitores do interior, onde a máquina estadual e os acordos com prefeitos têm sido decisivos para a atual governadora.
A pesquisa também testou cenários de primeiro turno, mas os números não foram detalhados na divulgação oficial resumida. A tendência, de acordo com analistas, é de que a disputa se decida apenas no segundo turno, com a polarização entre o PSDB de Raquel Lyra e o PSB de João Campos. Outros candidatos, como o deputado federal André de Paula (PSD) e a senadora Teresa Leitão (PT), aparecem com potencial de influenciar o resultado, embora sem força para alcançar os dois líderes.
**Análise**
O cenário desenhado pelo Datafolha reforça a leitura de que a eleição pernambucana de 2026 será decidida nos detalhes. A vantagem de Raquel Lyra nos votos válidos, ainda que tecnicamente dentro da margem de erro, é significativa porque reverte a tendência observada em levantamentos anteriores, nos quais João Campos aparecia à frente. A mudança pode estar associada à recente operação de distribuição de obras e benefícios sociais pelo governo estadual, além do apoio explícito de parte da bancada federal pernambucana, incluindo articulações com o centrão.
Para João Campos, o desafio é ampliar sua base para além da Região Metropolitana do Recife. Sua gestão na capital tem alta aprovação, mas o eleitorado interiorano ainda o vê como um nome ligado à velha polarização estadual. A aliança com o PT e a presença de Lula em palanque, embora ajudem no Recife e em cidades da Zona da Mata, podem ter efeito limitado no Agreste e no Sertão, regiões onde Raquel Lyra concentra sua força política.
Outro fator relevante é o tempo de televisão e rádio. Raquel Lyra, por ser governadora em exercício e ter coligação com partidos de peso, partiu para a campanha com um dos maiores tempos de propaganda eleitoral gratuita. Isso explica em parte a estabilidade da sua intenção de voto e a ligeira vantagem nos votos válidos, que excluem os indecisos e expressam melhor o confronto direto entre os dois principais candidatos.
A pesquisa, no entanto, não deve ser lida como tendência irreversível. João Campos já demonstrou capacidade de crescer em momentos decisivos, como nas eleições municipais de 2020 e 2024, quando venceu no Recife ainda no primeiro turno. A reta final da campanha deve ser marcada por intenso corpo a corpo, ataques mútuos e a disputa pelo voto útil, especialmente entre eleitores que hoje declaram voto em outros postulantes. A margem de erro de dois pontos faz com que o cenário real possa ser tanto uma vantagem de seis pontos para a governadora quanto um empate ou até uma leve vantagem para o prefeito.
Pernambuco, neste contexto, torna-se um dos estados mais observados do país na eleição de 2026, não apenas pelo simbolismo histórico da disputa entre duas dinastias políticas — os Lyra e os Campos — mas também pelo possível efeito cascata na sucessão presidencial. Uma vitória de João Campos, por exemplo, poderia projetá-lo definitivamente como nome nacional do PSB para 2030, enquanto a reeleição de Raquel Lyra consolidaria seu nome como alternativa de centro-direita no Nordeste.
**Fontes**
As informações deste artigo têm como base os dados divulgados pelo Instituto Datafolha na edição de 1º de outubro de 2026, publicados pelo portal G1 e pelo Jornal Nacional, da TV Globo. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número de protocolo divulgado na edição impressa do jornal Folha de S.Paulo. Este texto segue os princípios editoriais do FORTIS NEWS, com base exclusivamente em informações públicas e verificáveis, sem conteúdo fictício ou opinião não embasada.
Por Renan Filho · 2026-10-01