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Preferência pela democracia sobe a 73% no Brasil, aponta Datafolha; especialistas veem reflexo na segurança institucional

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-02

Pesquisa do Datafolha mostra que 73% dos brasileiros preferem a democracia a qualquer outra forma de governo, ante 69% em 2024. O aumento é interpretado como um sinal de fortalecimento da segurança democrática e da estabilidade política no país.

**Lead**

A preferência dos brasileiros pela democracia como sistema de governo subiu para 73%, segundo pesquisa do Datafolha divulgada nesta quinta-feira (2 de outubro de 2026). O índice era de 69% no levantamento anterior, realizado em 2024. O crescimento de quatro pontos percentuais em dois anos é interpretado por analistas como um indicador de amadurecimento político e de valorização da segurança institucional, especialmente após um período de tensões políticas e tentativas de desestabilização.

**Contexto**

O Datafolha entrevistou 2.556 eleitores em 130 municípios brasileiros entre os dias 25 e 29 de setembro de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A pergunta clássica — “Você diria que a democracia é sempre melhor do que qualquer outra forma de governo?” — foi respondida afirmativamente por 73% dos participantes. Outros 12% afirmaram que, em algumas circunstâncias, um regime autoritário pode ser preferível, enquanto 9% disseram que tanto faz e 6% não souberam responder.

O resultado marca a maior taxa de apoio à democracia desde o início da série histórica do instituto, em 2014. Naquele ano, o índice era de 62%. Desde então, o indicador oscilou entre 64% e 69%, com um pico em 2022 (71%) e uma leve queda em 2024 (69%). A recuperação observada em 2026 ocorre em um contexto de redução da polarização política e de consolidação de instituições como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF), que nos últimos anos enfrentaram ataques e questionamentos sobre sua legitimidade.

A pesquisa também revela que o apoio à democracia é maior entre os jovens de 16 a 24 anos (78%) e entre os eleitores com ensino superior (81%). Entre os que se declaram de direita, o índice é de 68%; entre os de esquerda, 79%; e entre os de centro, 75%. Os dados sugerem que, embora haja diferenças ideológicas, a maioria expressiva de todos os espectros políticos valoriza o regime democrático.

**Análise**

O aumento da preferência pela democracia não deve ser lido apenas como um dado de opinião pública, mas como um termômetro da segurança política do país. Em democracias consolidadas, altos níveis de apoio ao regime democrático estão associados a menor risco de rupturas institucionais, golpes de Estado ou erosão autoritária. No caso brasileiro, o indicador ganha relevância após os eventos de 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes antidemocráticos invadiram as sedes dos Três Poderes em Brasília. Desde então, o sistema político tem passado por um processo de fortalecimento de suas salvaguardas, com a aprovação de leis contra a desinformação e a atuação firme do STF na defesa da ordem constitucional.

Para especialistas em segurança pública e institucional, a preferência pela democracia também reflete uma percepção de que o regime democrático oferece mais segurança jurídica e social do que alternativas autoritárias. “A democracia, apesar de suas imperfeições, é vista pela maioria como o sistema que melhor garante direitos fundamentais, liberdade de expressão e proteção contra abusos de poder”, afirma o cientista político Carlos Melo, do Insper, em análise publicada nesta semana. “Quando a população rejeita o autoritarismo, ela está, na prática, escolhendo um modelo de segurança baseado em regras e instituições, e não no arbítrio.”

Outro fator que pode explicar o crescimento é a melhora dos indicadores econômicos e sociais nos últimos dois anos. A queda da inflação, o aumento do emprego formal e a redução da pobreza extrema podem ter contribuído para uma visão mais positiva do sistema democrático, que é frequentemente associado à capacidade de entregar bem-estar. A segurança pública, medida pela redução das taxas de homicídio e pela atuação mais integrada das forças policiais, também avançou, o que reforça a confiança nas instituições democráticas.

**Fontes**

- Datafolha. Pesquisa de opinião pública sobre preferência por regime de governo. Realizada entre 25 e 29 de setembro de 2026. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Disponível em: [site do Datafolha]. - Carlos Melo, cientista político do Insper. Análise publicada em 2 de outubro de 2026. - Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dados sobre segurança das urnas e processos eleitorais. - Supremo Tribunal Federal (STF). Decisões relacionadas à defesa da democracia.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.