**Lead**
Pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo instituto Datafolha revela que 73% dos brasileiros afirmam preferir a democracia a qualquer outra forma de governo, contra 69% registrados em 2024. O levantamento, realizado entre os dias 20 e 25 de setembro de 2026, ouviu 2.016 eleitores em 121 municípios do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
**Contexto**
O aumento de quatro pontos percentuais na preferência pela democracia ocorre em um cenário de intenso debate político no Brasil. Nos últimos dois anos, o país enfrentou crises institucionais, protestos e discussões sobre a solidez do regime democrático. Em 2024, o índice de 69% já representava uma recuperação em relação a 2022, quando a polarização eleitoral havia gerado incertezas. Pesquisas anteriores do mesmo instituto mostravam que, em 2018, 67% dos brasileiros preferiam a democracia; em 2020, o número caiu para 62% durante a pandemia e a crise política.
O Datafolha também mediu a rejeição a regimes autoritários: 15% dos entrevistados disseram que, em certas circunstâncias, um governo não democrático poderia ser aceitável, percentual estável em relação a 2024. Outros 12% não souberam responder ou se declararam indiferentes. A pesquisa ainda apontou que a confiança nas instituições democráticas — como Congresso Nacional, Judiciário e imprensa — permanece baixa, mas com ligeira melhora em relação ao ano anterior.
**Análise**
O crescimento da preferência pela democracia pode estar associado a eventos recentes que reforçaram a percepção de fragilidade do regime. Em 2025, o Brasil viveu uma tentativa de ruptura institucional durante a votação de uma reforma política polêmica, que mobilizou a sociedade civil e gerou ampla cobertura da mídia. A reação de órgãos como o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral, que garantiram a normalidade do processo, pode ter contribuído para uma valorização maior do sistema democrático entre a população.
Outro fator relevante é o contexto internacional. A onda de retrocessos democráticos em países como Hungria, Polônia e Venezuela tem sido amplamente noticiada no Brasil, gerando um efeito de alerta. Especialistas apontam que a comparação com nações onde a democracia foi erodida pode ter sensibilizado os brasileiros para a importância de preservar o regime. Além disso, a melhora em indicadores econômicos — como a queda da inflação e o crescimento do PIB em 2026 — pode ter reduzido o descontentamento que historicamente alimenta o apoio a soluções autoritárias.
No entanto, os dados também revelam desafios. Apesar do aumento na preferência pela democracia, a confiança nas instituições segue baixa: apenas 34% dos entrevistados disseram confiar no Congresso, e 41% no Judiciário. Isso sugere que a adesão ao regime é mais abstrata do que concreta, e que a insatisfação com a classe política ainda é alta. A pesquisa indica que, para muitos brasileiros, a democracia é o “mal menor”, mas não necessariamente um sistema que atende às suas expectativas de eficiência e justiça.
**Fontes**
Os dados mencionados são provenientes da pesquisa Datafolha divulgada em 2 de outubro de 2026, registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-2026-12345. A metodologia incluiu entrevistas presenciais domiciliares, com controle de cotas por sexo, idade, escolaridade e renda. Para informações históricas, foram consultados arquivos de pesquisas anteriores do mesmo instituto, disponíveis em seu site oficial. Não foram utilizadas fontes anônimas ou não verificáveis.
Por Renan Filho · 2026-10-02