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Datafolha: 43% dos brasileiros estão pessimistas com o país às vésperas das eleições

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-02

Pesquisa divulgada pelo instituto Datafolha revela que 43% dos entrevistados veem o Brasil em pior situação do que há um ano, enquanto 30% acreditam em melhora. Levantamento foi realizado na véspera do primeiro turno das eleições presidenciais.

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Às vésperas do primeiro turno das eleições presidenciais, uma pesquisa do instituto Datafolha divulgada nesta sexta-feira mostra que 43% dos brasileiros estão pessimistas em relação ao rumo do país. O levantamento, realizado entre os dias 30 de setembro e 1º de outubro, entrevistou 2.500 eleitores em 150 municípios. Os dados indicam que a percepção negativa supera a positiva: 30% dos entrevistados afirmam que o Brasil está melhor do que há um ano, enquanto 27% consideram que a situação permanece igual. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

**Contexto**

O índice de pessimismo registrado pelo Datafolha é o mais alto desde o início da série histórica para este tipo de pergunta, iniciada em 2014. Na eleição anterior, em 2022, o percentual de pessimistas era de 38%, o que já indicava um descontentamento generalizado com a economia e a política. Agora, o agravamento do cenário reflete uma combinação de fatores: inflação persistente, juros elevados, desemprego ainda alto em algumas regiões e a percepção de estagnação em áreas como saúde e segurança pública.

A pesquisa também capturou a avaliação do governo atual. Entre os entrevistados, 52% consideram a gestão federal ruim ou péssima, enquanto 28% a classificam como ótima ou boa. Os 20% restantes a veem como regular. Esses números são particularmente relevantes porque, historicamente, a avaliação do governo é um dos principais preditores do resultado eleitoral. Em 2018, por exemplo, a rejeição ao governo Temer impulsionou a vitória de Jair Bolsonaro. Em 2022, a polarização entre Lula e Bolsonaro foi alimentada por avaliações opostas do governo anterior.

O levantamento do Datafolha também investigou as principais preocupações dos eleitores. A economia lidera, com 38% citando inflação, desemprego ou baixos salários como o problema mais grave. Em segundo lugar, a saúde pública aparece com 22%, seguida pela segurança (15%) e corrupção (10%). Esses dados ajudam a explicar o pessimismo: a maioria dos brasileiros sente no bolso e no dia a dia os efeitos de uma conjuntura adversa.

**Análise**

O pessimismo generalizado tem implicações diretas no comportamento do eleitor. Em cenários de desesperança, a tendência é que o voto seja mais reativo — contra o governo atual — do que propositivo. Isso favorece candidatos de oposição que consigam canalizar a insatisfação, mas também pode aumentar a abstenção. Nas últimas eleições, o comparecimento às urnas caiu para 79% do eleitorado, e o desencanto com a política pode reduzir ainda mais esse número.

Outro ponto relevante é a fragmentação do eleitorado. Com 43% de pessimistas, há um bloco significativo de eleitores que não se identifica com nenhum dos principais candidatos. Pesquisas qualitativas indicam que muitos desses eleitores estão em busca de uma alternativa “nova” ou “diferente”, o que abre espaço para candidaturas de terceira via. No entanto, a falta de tempo de televisão e de recursos financeiros limita o alcance dessas opções.

A pesquisa também sinaliza um risco de radicalização. Quando a percepção de que o país está piorando é forte, aumenta a propensão a apoiar discursos de ruptura institucional. Analistas políticos alertam que, independentemente de quem vença, o próximo presidente terá o desafio de reconstruir a confiança da população — tare

**Fontes**

Os dados mencionados são da pesquisa Datafolha divulgada em 2 de outubro de 2026, registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-2026/00123. A pesquisa foi encomendada pela Rede Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo. A metodologia inclui entrevistas presenciais com eleitores de 16 anos ou mais, em domicílios sorteados. O nível de confiança é de 95%.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.