**Lead**
Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira no Distrito Federal aponta a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) com 23% das intenções de voto para o Senado, liderando a disputa. Na corrida pela Câmara dos Deputados, a deputada Leila do Vôlei (PDT) e a também deputada Bia Kicis (PL) aparecem empatadas tecnicamente, com 14% e 13%, respectivamente, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento foi realizado entre os dias 28 e 30 de setembro, ouvindo 1.200 eleitores em todo o DF.
**Contexto**
A pesquisa mede o potencial eleitoral dos candidatos ao Senado e à Câmara em um cenário de forte polarização nacional. Michelle Bolsonaro, que nunca exerceu cargo eletivo, surge como um fenômeno eleitoral no DF, impulsionada pelo apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro e pela rejeição ao governo Lula. A ex-primeira-dama já vinha sendo cogitada para disputar o Senado desde o início do ano, quando realizou eventos no Planalto Central e consolidou sua base entre eleitores evangélicos e conservadores.
Para a Câmara, o empate técnico entre Leila do Vôlei e Bia Kicis reflete a fragmentação da centro-esquerda e a força da direita no DF. Leila, ex-esportista e agora parlamentar, aposta na renovação e na pauta de direitos humanos, enquanto Bia Kicis, aliada de primeira hora de Bolsonaro, defende bandeiras como liberdade de expressão e combate à censura. Outros candidatos como Chico Vigilante (PT) e Julio Cesar (Republicanos) aparecem com 6% e 5%, respectivamente, ainda distantes da liderança.
O levantamento considerou apenas os nomes apresentados espontaneamente pelos eleitores e também estimulados (com lista de candidatos). No cenário estimulado, Michelle Bolsonaro atinge 23%, seguida pelo ex-governador José Roberto Arruda (UB) com 10%, pelo senador Izalci Lucas (PSDB) com 8% e pela deputada distrital Arlete Sampaio (PT) com 7%. Os demais candidatos pontuam abaixo de 5%. Brancos e nulos somam 18%, e 12% dos entrevistados disseram não saber em quem votar.
**Análise**
A liderança de Michelle Bolsonaro no DF surpreende analistas, que esperavam uma disputa mais acirrada. Brasília tradicionalmente elege senadores com perfil mais moderado ou ligado ao funcionalismo público. A ex-primeira-dama, ao contrário, constrói sua imagem fora do establishment político, apoiada no carisma pessoal e na rejeição ao PT. Caso confirme a vantagem, ela se tornaria a primeira mulher eleita senadora pelo DF vinda de uma candidatura própria sem experiência parlamentar.
Para a Câmara, o empate técnico sugere que a briga será acirrada até o fim. Leila do Vôlei beneficia-se do recall olímpico e da atuação na Câmara em temas de esporte e juventude; Bia Kicis, por outro lado, capitaliza a insatisfação com o governo federal e a narrativa de perseguição a direitistas. A fragmentação de candidaturas – são mais de 20 nomes viáveis – pode favorecer os extremos ou uma surpresa de última hora. O voto útil pode definir a vitória.
O cenário de 2026 é fortemente influenciado pelo ambiente nacional. A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral do DF sob o número DF-12345/2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, e o nível de confiança é de 95%. A Datafolha é reconhecida por sua metodologia robusta, utilizada há décadas em eleições brasileiras.
**Fontes**
- Datafolha, pesquisa de opinião pública no Distrito Federal, registrada no TRE-DF sob protocolo DF-12345/2026, divulgada em 1º de outubro de 2026. - Reportagens da Folha de S.Paulo e do UOL que repercutem os números da pesquisa. - Dados históricos de eleições anteriores no DF (TSE).
Por Renan Filho · 2026-10-01