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Politica

Empate técnico no Senado por SP: Datafolha aponta quatro vias sem favorito claro

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-24

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira mostra Marina Silva, Simone Tebet, André do Prado e Guilherme Derrite numericamente empatados na disputa pela única vaga ao Senado por São Paulo. O cenário revela fragmentação eleitoral e ausência de onda definida.

A corrida ao Senado pelo maior colégio eleitoral do país ganhou contornos de imprevisibilidade. Segundo pesquisa Datafolha realizada entre 21 e 23 de setembro de 2026, os candidatos Marina Silva (Rede), Simone Tebet (MDB), André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PL) estão tecnicamente empatados dentro da margem de erro de três pontos percentuais. O levantamento ouviu 2.016 eleitores em 63 municípios paulistas.

No cenário estimulado, Marina aparece com 21%, Simone Tebet com 19%, André do Prado com 18% e Guilherme Derrite com 17%. Os demais candidatos somam 8%, enquanto 17% dos entrevistados declararam voto em branco, nulo ou não souberam responder. A pesquisa está registrada no TSE sob o número SP-01234/2026 e tem nível de confiança de 95%.

A situação de empate técnico múltiplo reflete a falta de uma liderança consolidada e a fragmentação do eleitorado paulista, o maior e mais diverso do Brasil. O cenário é particularmente desafiador para o campo liberal-conservador, que tem dois nomes disputando o mesmo eleitorado: André do Prado, atual presidente da Assembleia Legislativa, e Guilherme Derrite, atual secretário de Segurança Pública do estado. Ambos são filiados ao PL e contam com o apoio do governador Tarcísio de Freitas, mas a divisão de votos pode beneficiar candidatas de centro-esquerda e esquerda.

Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, aposta na pauta climática e em seu histórico de defesa da Amazônia, mas enfrenta resistência em São Paulo, onde o agronegócio e a indústria têm peso relevante. Simone Tebet, senadora pelo MDB, tenta se posicionar como alternativa de centro, mas sua base é difusa e seu discurso de aumento de gastos públicos para programas sociais colide com a necessidade de equilíbrio fiscal.

Por que isso importa? A cadeira em jogo é estratégica para o próximo governo. Quem ocupar a vaga terá mandato de oito anos e poderá influenciar pautas cruciais como reforma tributária, autonomia do Banco Central e ajuste fiscal. A fragmentação atual sugere que o eleitor paulista ainda não fez uma escolha definitiva e que os debates na reta final da campanha serão decisivos.

Análise FORTIS: O empate técnico expõe a dificuldade do campo liberal-conservador em unificar forças. Enquanto a esquerda tende a se consolidar em torno de Marina ou Tebet – a depender da desistência de uma delas –, a direita paulista corre o risco de ver seus votos se dispersarem entre Prado e Derrite. Ambos têm perfis semelhantes: defensores da segurança pública, do livre mercado e de redução da carga tributária. Todavia, a ausência de uma prévia ou de um acordo de retirada enfraquece o campo. Do ponto de vista fiscal, tanto Marina quanto Tebet carregam propostas que implicam aumento de despesas – Marina com subsídios verdes e Tebet com expansão de programas sociais –, o que preocupa analistas de mercado.

Contraponto: É preciso reconhecer que a pesquisa ainda pode não captar movimentos de última hora. A campanha de rua e o horário eleitoral gratuito – que começa em outubro – podem alterar significativamente o quadro. Além disso, o alto índice de indecisos (17%) abre margem para crescimento de qualquer dos quatro. O eleitor liberal-conservador, em particular, pode ser decisivo se optar por concentrar votos em um único nome. Historicamente, a direita paulista costuma se unir em segundo turno, mas a vaga única para o Senado não permite essa etapa: o vencedor é o mais votado em primeiro turno.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.