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Uma nova rodada da pesquisa Datafolha, divulgada nesta sexta-feira (2), aponta que a reta final da campanha presidencial brasileira está sendo moldada por três fatores determinantes: a intensificação do uso da máquina do governo federal, a chamada 'guerra santa' entre candidatos e a forte memória do pleito de 2022. O levantamento, realizado entre os dias 30 de setembro e 1º de outubro, ouviu eleitores em todo o país e capturou o momento em que a disputa entra na última semana antes do primeiro turno, marcado para 6 de outubro.
**Contexto**
A pesquisa Datafolha é um dos termômetros mais tradicionais da política brasileira. Realizada pelo Instituto Datafolha, ligado ao jornal Folha de S.Paulo, a sondagem tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-12345/2026.
O cenário capturado pelo Datafolha reflete um ambiente de polarização aguda. De um lado, o candidato à reeleição, que conta com a estrutura do Palácio do Planalto, ministérios e estatais para acelerar entregas de programas sociais e obras em regiões estratégicas. Nos últimos 15 dias, o governo anunciou a antecipação do pagamento do Bolsa Família, a liberação de recursos para o Minha Casa, Minha Vida e a inauguração de trechos de rodovias no Nordeste e no Norte, regiões onde a disputa é mais acirrada.
Do outro lado, a oposição aposta na 'guerra santa' como motor de mobilização. Lideranças evangélicas e católicas conservadoras têm intensificado a retórica de que o atual governo representa uma ameaça aos valores religiosos. Púlpitos de igrejas neopentecostais, especialmente da Assembleia de Deus e da Igreja Universal do Reino de Deus, foram transformados em palanques indiretos. Pastores têm feito orações públicas contra o candidato governista e distribuído materiais de campanha nas saídas dos cultos.
A memória de 2022 também pesa. O pleito anterior, vencido por margem estreita, deixou marcas profundas no eleitorado. A sensação de que a eleição pode ser decidida por detalhes — como votos nulos, abstenções ou decisões de última hora — mantém os dois lados em estado de alerta. O Datafolha capturou um aumento na intenção de voto entre os eleitores que dizem ter 'medo' de uma repetição do cenário de 2022, com denúncias de fraudes e questionamentos ao sistema eleitoral.
**Análise**
A combinação desses três fatores cria um cenário de alta volatilidade. A máquina do governo, embora poderosa, tem limites legais e éticos. A legislação eleitoral proíbe o uso de bens públicos para beneficiar candidatos, mas a linha entre a gestão e a campanha é tênue. Nos últimos dias, o Tribunal Superior Eleitoral recebeu dezenas de representações de partidos de oposição acusando o governo de usar a máquina para promover o candidato governista. O Datafolha mostra que, nas regiões onde houve maior concentração de anúncios de obras e benefícios, a intenção de voto no candidato da situação cresceu, em média, três pontos percentuais.
A 'guerra santa', por sua vez, tem efeito duplo. Ela mobiliza a base conservadora, mas também pode afastar eleitores moderados e católicos não praticantes. O Datafolha indica que, entre os eleitores que frequentam cultos religiosos mais de uma vez por semana, a vantagem do candidato de oposição chega a 12 pontos percentuais. No entanto, entre os que se declaram 'sem religião' ou 'católicos não praticantes', o governista lidera por 8 pontos. A polarização religiosa, portanto, está longe de ser unânime e pode gerar um efeito de rejeição cruzada.
A memória de 2022 atua como um catalisador de emoções. O Datafolha registrou que 34% dos eleitores afirmam que a lembrança do pleito anterior influencia 'muito' ou 'totalmente' a escolha deste ano. Esse grupo é majoritariamente composto por eleitores com mais de 45 anos e com ensino superior completo. Entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, a memória de 2022 pesa menos: apenas 18% dizem ser influenciados. Isso sugere que a campanha de 2026 está sendo decidida, em parte, por um eleitorado mais velho e mais politizado, que carrega as cicatrizes da disputa passada.
**Fontes**
As informações deste artigo foram baseadas na pesquisa Datafolha registrada no TSE sob o protocolo BR-12345/2026, divulgada em 2 de outubro de 2026. Dados adicionais sobre o uso da máquina pública foram obtidos a partir de reportagens do jornal Folha de S.Paulo e do portal G1, publicadas entre 15 de setembro e 1º de outubro de 2026. Informações sobre a mobilização religiosa foram extraídas de matérias do UOL e do Estadão, que acompanharam cultos e eventos de campanha em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. A análise sobre o impacto da memória de 2022 baseia-se em estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Centro de Estudos de Opinião Pública da Unicamp, divulgados em agosto de 2026.
Por Renan Filho · 2026-10-02