A nova rodada da pesquisa Datafolha, realizada entre os dias 22 e 24 de setembro de 2026, trouxe sinais mistos para os dois principais polos da disputa presidencial. De um lado, a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu o levantamento como um alívio: a aprovação do governo oscilou para 38%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, interrompendo uma sequência de quedas. A reprovação, porém, permanece em 52%, o que mantém o petista em terreno delicado.
Do outro lado, a equipe do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que articula uma candidatura própria ao Palácio do Planalto, não se surpreendeu com os números. Em conversas internas, a avaliação é de que a rejeição a Lula seguirá alta enquanto a inflação dos alimentos e o desemprego não cederem. A aposta da equipe bolsonarista, segundo fontes próximas ao senador, concentra-se no chamado “voto útil” – a consolidação do eleitorado de direita em torno de um único nome para derrotar o PT no segundo turno.
Por que isso importa? O Datafolha é considerado o termômetro mais confiável do cenário eleitoral brasileiro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa ouviu 2.016 eleitores em 139 municípios. Embora o levantamento não aponte cenários de segundo turno, a tendência de voto útil sinaliza que o campo conservador pode se unir antes mesmo da formalização das candidaturas.
Análise FORTIS: Os números da Datafolha confirmam o que o mercado e os liberal-conservadores já sabem: o governo Lula não consegue reverter o quadro de estagnação econômica. O PIB cresce a 1,2% ao ano, a dívida pública bruta já ultrapassa 80% do PIB, e a carga tributária bateu recorde de 36,3% – tudo sob o comando de um governo que prometeu “pagar a dívida social”. A estabilidade na aprovação, na verdade, é um atestado de paralisia. O eleitor ainda não viu piora, mas também não vê melhora. É o que os economistas chamam de “equilíbrio de baixo nível”.
A aposta da equipe de Flávio Bolsonaro no voto útil, por sua vez, tem lógica eleitoral, mas exige cuidado. O senador fluminense carrega o sobrenome mais forte da direita brasileira, mas também responde a processos no STF e a desgastes herdados do governo anterior. Em pesquisa QualiBest de agosto, 62% dos eleitores de direita afirmaram que votariam “em qualquer nome que não fosse Lula” – o que reforça o potencial do voto útil, mas também indica fragilidade programática. O voto útil funciona quando há rejeição consolidada ao adversário; não necessariamente quando há forte identificação com o candidato próprio.
Contraponto: Nem todos no campo conservador concordam com a estratégia. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem evitado declarar apoio explícito a Flávio, mantendo a própria viabilidade como opção de centro-direita. Para analistas do Instituto Mises Brasil, “o voto útil em um candidato com alta rejeição pode ser um tiro no pé: atrai o anti-petista, mas afasta o eleitor moderado que busca renovação”. A mesma pesquisa Datafolha mostra que a avaliação de “ruim ou péssimo” do governo Lula é de 50% entre os eleitores com renda acima de cinco salários mínimos – exatamente o segmento que mais tende ao voto útil conservador, mas que também exige propostas claras de reformas pró-mercado.
Por Renan Filho · 2026-09-25