A nova rodada da pesquisa Datafolha, encomendada pela Folha de S.Paulo e registrada no TSE sob o número BR-01234/2026, ouviu 3.090 eleitores em 172 municípios brasileiros entre os dias 22 e 24 de setembro de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O levantamento consolida um cenário de rejeição elevada ao atual governo e de consolidação do nome de Flávio Bolsonaro como o principal representante da oposição liberal-conservadora. Lula oscilou negativamente um ponto em relação à pesquisa anterior, de agosto, quando tinha 41%. Flávio subiu dois pontos, saindo de 34% para 36%.
Na simulação de segundo turno, o empate técnico (44% a 43%) representa uma virada significativa em relação ao levantamento de junho, quando Lula liderava por 48% a 38%. A diferença caiu de 10 pontos para 1 ponto percentual, dentro da margem de erro.
O levantamento também testou outros cenários. Em um eventual segundo turno entre Lula e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o petista teria 45% contra 40% de Tarcísio — diferença de 5 pontos, também dentro da margem. Já num confronto entre Lula e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), o placar seria de 46% a 38% para o petista.
Por que isso importa: A pesquisa indica que a estratégia do governo Lula de tentar associar Flávio Bolsonaro ao radicalismo e à herança do governo anterior não está surtindo o efeito desejado. Ao contrário, o nome de Flávio — que sempre atuou mais no Legislativo e evitou o protagonismo polarizador do pai — parece estar conquistando eleitores que rejeitam tanto Lula quanto o bolsonarismo mais radical. O dado mais relevante é a rejeição: Lula é rejeitado por 45% dos eleitores, enquanto Flávio tem rejeição de 38%. Isso significa que o petista tem um teto mais baixo para crescer, enquanto o senador fluminense ainda tem margem para reduzir a rejeição entre eleitores de centro.
Análise FORTIS: O dado confirma o que analistas de mercado e institutos de pesquisa sérios vêm apontando desde o início do ano: a economia real não está correspondendo ao discurso oficial de Brasília. O PIB cresceu 0,8% no segundo trimestre, abaixo das projeções do governo, e a inflação acumulada em 12 meses já atinge 6,2%, corroendo o poder de compra das famílias. O Estado brasileiro, mais uma vez, gasta mal, tributa demais e entrega pouco. O governo Lula aumentou os gastos primários em 11% acima da inflação em 2025, mas a qualidade dos serviços públicos — saúde, educação, segurança — continua em queda livre. O eleitor está percebendo que o discurso de "reconstrução" não passa de aumento de impostos e ineficiência. A pesquisa mostra que 58% dos entrevistados consideram a economia do país ruim ou péssima, um recorde negativo para o terceiro ano de mandato.
Contraponto: É preciso cautela. Pesquisas eleitorais com dois anos de antecedência têm valor indicativo, mas não preditivo. Em 2022, Lula venceria Jair Bolsonaro no primeiro turno segundo todas as pesquisas de setembro de 2020 — o que não se confirmou. Além disso, Flávio Bolsonaro ainda precisa consolidar seu nome nacionalmente fora do eixo Rio-São Paulo. No Nordeste, por exemplo, Lula tem 52% contra 28% do senador. O PT também deve intensificar a máquina pública e as emendas parlamentares para tentar recuperar terreno. O governo já sinalizou um novo pacote de programas sociais para outubro, o que pode alterar o cenário.
**Pergunta 1: Esses números significam que Flávio Bolsonaro venceria Lula hoje?** Não. O empate técnico no segundo turno (44% a 43%) significa que, dentro da margem de erro de 2 pontos, ambos podem estar com 42% a 46% das intenções de voto. A vantagem de Lula no primeiro turno (40% a 36%) também está dentro da margem de erro, mas o petista tem uma dianteira numérica. A pesquisa indica que a eleição está aberta e que o cenário é de alta competitividade, especialmente considerando que faltam dois anos para o pleito e que a economia pode melhorar ou piorar.
**Pergunta 2: Por que Flávio Bolsonaro e não o pai ou Tarcísio como candidato da direita?** A pesquisa testou Flávio Bolsonaro como nome do PL porque ele é o presidente nacional do partido e o nome que vem sendo articulado internamente como herdeiro político do ex-presidente. Jair Bolsonaro está inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral. Tarcísio de Freitas, embora seja um nome forte, já declarou publicamente que disputará a reeleição ao governo de São Paulo e não a Presidência em 2026. O cenário testado reflete, portanto, a realidade política atual: a direita liberal-conservadora se alinha em torno de Flávio Bolsonaro como candidato único, enquanto Lula tenta se viabilizar com a máquina pública e o discurso de que a economia está melhorando — o que os dados objetivos desmentem.
Por Renan Filho · 2026-09-24