**Lead**
Uma nova pesquisa do instituto Datafolha revela que o interesse dos brasileiros nas eleições de 2026 é significativamente menor do que o observado no pleito anterior, de 2022. O levantamento, realizado entre os dias 20 e 25 de setembro, mostra que uma parcela expressiva do eleitorado demonstra apatia ou desencanto com o processo eleitoral. Embora os números exatos não sejam divulgados nesta reportagem, a tendência de queda é clara e preocupa analistas de segurança pública, que enxergam nesse desinteresse um potencial catalisador para crises de legitimidade e aumento da violência política.
**Contexto**
A pesquisa Datafolha, tradicionalmente utilizada como termômetro do humor político nacional, entrevistou eleitores em todas as regiões do país. Os resultados indicam que o nível de entusiasmo com a votação de 2026 está abaixo do registrado em 2022, quando o país vivia um ambiente polarizado após as eleições apertadas daquele ano. Na ocasião, a participação foi alta, mas também acompanhada de episódios de violência política e questionamentos sobre a lisura do processo. Agora, com a queda no interesse, especialistas temem que a abstenção possa superar os 20% registrados no primeiro turno de 2022, o que colocaria em xeque a representatividade do resultado.
O fenômeno não é isolado. Em diversos países democráticos, o desencanto com a política tradicional tem levado ao crescimento de movimentos antissistema e ao aumento da abstenção. No Brasil, fatores como a crise econômica persistente, a percepção de impunidade em casos de corrupção e a sensação de insegurança pública contribuem para o afastamento dos cidadãos das urnas. A própria segurança, aliás, emerge como um dos temas centrais da campanha, mas a falta de confiança nas instituições pode minar a eficácia de qualquer proposta.
**Análise**
A queda no interesse eleitoral não é apenas um problema para cientistas políticos; ela tem implicações diretas para a segurança pública. Quando uma parcela significativa da população se desengaja do processo democrático, aumenta o risco de que grupos radicais ou criminosos tentem preencher o vácuo de representação. Além disso, a baixa participação popular pode enfraquecer a legitimidade das forças de segurança e do sistema judiciário, que dependem do respaldo social para atuar. Em um cenário de descrença, cresce a tentação de soluções autoritárias ou de justiça com as próprias mãos.
Outro ponto crítico é a segurança dos próprios candidatos e eleitores. Em 2022, o Brasil registrou um aumento de ataques a políticos e a militantes, com destaque para ameaças e agressões físicas. Com menos pessoas engajadas, a fiscalização social diminui, e os atos de violência podem se tornar mais frequentes e menos denunciados. A pesquisa Datafolha, ao revelar o desinteresse, acende um alerta para que as autoridades redobrem a atenção durante o período eleitoral, especialmente em regiões onde o crime organizado já exerce influência sobre o voto.
**Fontes**
As informações sobre a pesquisa foram obtidas junto ao instituto Datafolha, que realizou o levantamento em setembro de 2026. A análise das implicações para a segurança pública baseia-se em relatórios de organizações como o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e em entrevistas com especialistas da área, que preferiram não ter seus nomes divulgados por questões de segurança profissional. Dados históricos de abstenção e violência política foram consultados junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Atlas da Violência.
Por Renan Filho · 2026-10-03