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Politica

Datafolha aponta queda no interesse dos brasileiros pela eleição de 2026 em relação a 2022

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-03

Pesquisa do instituto Datafolha revela que a parcela da população com alto interesse no pleito presidencial deste ano é inferior à registrada no mesmo período do ciclo anterior, sinalizando possível desencanto ou cansaço político.

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Pesquisa divulgada nesta semana pelo instituto Datafolha indica que o interesse dos brasileiros na eleição presidencial de 2026 é significativamente menor do que o observado no mesmo período de 2022. O levantamento, realizado em todo o território nacional, mostra que a proporção de eleitores que se declaram “muito interessados” no pleito caiu em relação ao ciclo anterior, reforçando um padrão de desengajamento que preocupa analistas políticos e partidos.

**Contexto**

A pesquisa foi conduzida entre os dias 20 e 25 de setembro de 2026, com 2.500 entrevistados em 150 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O Datafolha perguntou aos eleitores: “Qual o seu grau de interesse pela eleição presidencial deste ano?” As opções variavam de “nenhum interesse” a “muito interesse”.

Em 2022, no mesmo período pré-eleitoral, cerca de metade dos entrevistados afirmava ter “muito interesse” no pleito que opôs Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL). Agora, esse percentual recuou de forma expressiva. Embora o instituto não tenha divulgado o número exato da queda — por tratar-se de uma comparação preliminar —, a tendência de redução é clara e consistente com outros indicadores de participação política.

O levantamento também capturou um aumento no grupo de eleitores que declaram “pouco” ou “nenhum interesse”. Esse contingente, que em 2022 girava em torno de um terço do eleitorado, agora se aproxima da metade. A desmotivação é mais acentuada entre jovens de 16 a 24 anos, moradores de regiões metropolitanas e eleitores com renda familiar mais baixa.

**Análise**

A queda no interesse pela eleição de 2026 pode ser atribuída a múltiplos fatores. O primeiro deles é o cansaço com a polarização política que marcou os últimos pleitos. Em 2022, a disputa entre Lula e Bolsonaro gerou um nível de engajamento atípico, com altas taxas de comparecimento e intensa mobilização nas redes sociais. Quatro anos depois, o cenário é de fragmentação partidária e ausência de um confronto tão claro entre dois polos opostos.

Outro elemento relevante é a descrença nas instituições e na capacidade do voto de gerar mudanças concretas. Pesquisas de opinião pública realizadas por outros institutos, como o Ipec e o AtlasIntel, já vinham apontando um crescimento da insatisfação com a classe política e com os resultados das políticas públicas. A eleição de 2026 ocorre em um contexto de desafios econômicos persistentes — inflação ainda elevada, juros altos e crescimento moderado —, o que pode estar alimentando o desencanto.

Além disso, a campanha eleitoral deste ano tem sido marcada por uma profusão de candidaturas sem que nenhuma delas tenha conseguido consolidar uma liderança clara nas pesquisas de intenção de voto. A ausência de um nome que desperte entusiasmo popular contribui para que o eleitor médio se sinta menos compelido a acompanhar o processo.

**Impactos e tendências**

Se confirmada a tendência de menor interesse, as consequências podem ser sentidas diretamente na participação eleitoral. Embora o voto seja obrigatório no Brasil, o abstenção tem crescido a cada eleição. Em 2022, o comparecimento foi de cerca de 79% do eleitorado apto, o menor percentual desde 1998. Para 2026, analistas projetam que a abstenção pode superar os 22%, especialmente se o desinteresse continuar a aumentar nas semanas finais da campanha.

Partidos e candidatos já começam a ajustar suas estratégias. A redução do interesse significa que a comunicação política precisará ser mais direta e focada em temas práticos, como emprego, renda e segurança pública, em vez de grandes narrativas ideológicas. As redes sociais, que em 2022 foram palco de intensa guerra de informações, podem perder relevância se o eleitor simplesmente deixar de consumir conteúdo político.

Para a democracia brasileira, o dado é um sinal de alerta. O desinteresse eleitoral não é apenas um problema de participação numérica, mas também de legitimidade do sistema representativo. Quando uma parcela significativa da população não se importa com quem será o próximo presidente, as decisões tomadas pelo vencedor carregam menos respaldo social.

**Fontes**

Instituto Datafolha — pesquisa de opinião pública realizada em setembro de 2026, com 2.500 entrevistados em 150 municípios. Margem de erro de 2 p.p. Dados comparativos com o levantamento de setembro de 2022.

Instituto Ipec — pesquisas anteriores sobre confiança nas instituições e percepção da política.

AtlasIntel — levantamentos sobre intenção de voto e engajamento eleitoral em 2026.

Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — estatísticas oficiais de comparecimento e abstenção nas eleições de 2022.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.