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Opiniao

Datafolha aponta que amigos, redes sociais, igreja e imprensa ganham peso no voto na reta final da eleição

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-03

Pesquisa do instituto Datafolha revela que, nos últimos dias antes da votação, influências interpessoais e midiáticas superam fatores tradicionais como partido e candidato na decisão do eleitor brasileiro.

**Lead**

Uma nova pesquisa do instituto Datafolha, divulgada nesta semana, indica que, na reta final da campanha eleitoral brasileira, fatores como conversas com amigos, engajamento em redes sociais, orientações religiosas e a cobertura da imprensa passam a exercer influência mais decisiva sobre o voto do que o histórico partidário ou a trajetória individual dos candidatos. O levantamento, realizado em todo o país, reforça a percepção de que o eleitor brasileiro se torna mais suscetível a influências imediatas e emocionais conforme o dia da votação se aproxima.

**Contexto**

O Datafolha, um dos institutos de pesquisa mais respeitados do Brasil, realiza periodicamente sondagens sobre o comportamento eleitoral. A mais recente, cujos resultados foram obtidos pelo FORTIS NEWS, concentrou-se no período de duas semanas que antecede o pleito — momento crítico em que indecisos e eleitores com baixa fidelidade partidária costumam definir seus votos. Segundo a pesquisa, nessa fase, as interações cotidianas ganham relevância: o conselho de um amigo ou familiar, a postagem viral em uma rede social, a recomendação de um líder religioso ou a manchete de um veículo de imprensa podem ser o fator decisivo.

Historicamente, estudos de ciência política já apontavam que a chamada “influência de proximidade” — aquela exercida por pessoas do círculo social — tende a crescer quando a campanha se intensifica. No Brasil, onde a capilaridade das igrejas e a penetração das redes sociais são altas, esse fenômeno se amplifica. A pesquisa do Datafolha confirma que, para uma parcela significativa do eleitorado, a última palavra não vem do programa de governo ou do debate televisionado, mas de uma conversa informal ou de um conteúdo compartilhado no WhatsApp.

A imprensa, por sua vez, mantém papel relevante, especialmente entre eleitores de maior escolaridade. A cobertura de escândalos, propostas e eventos de campanha nos últimos dias pode cristalizar percepções negativas ou positivas que já estavam latentes. Já as redes sociais, com seu algoritmo de engajamento, amplificam mensagens curtas e emocionais, muitas vezes desprovidas de contexto, que circulam em grupos de família, amigos e colegas de trabalho.

**Análise**

A descoberta do Datafolha tem implicações diretas para a estratégia das campanhas. Se, no início do processo eleitoral, o foco está em consolidar a imagem do candidato e apresentar propostas, na reta final o esforço deve se deslocar para a mobilização de redes de confiança. Amigos, líderes comunitários e religiosos tornam-se “influenciadores” informais, capazes de converter indecisos ou reforçar a lealdade de eleitores já inclinados a um nome. As campanhas que ignoram esse fenômeno correm o risco de perder votos nos minutos finais.

Além disso, o dado levanta questões sobre a qualidade da informação que chega ao eleitor nesse período. A influência de redes sociais, muitas vezes dominadas por desinformação e conteúdo polarizado, pode distorcer a escolha racional. A igreja, embora legítima como espaço de formação de opinião, também pode ser usada como canal de propaganda política, o que gera debates sobre limites éticos. A imprensa, pressionada pela velocidade do ciclo noticioso, precisa equilibrar a cobertura factual com a responsabilidade de não induzir o voto.

O estudo do Datafolha não é um diagnóstico definitivo, mas um alerta para eleitores, candidatos e instituições. Compreender que o voto na reta final é moldado por fatores relacionais e midiáticos ajuda a explicar viradas eleitorais e surpresas de última hora. Também reforça a necessidade de educação midiática e de fortalecimento de fontes confiáveis de informação.

**Fontes**

A informação foi baseada em pesquisa do instituto Datafolha, cujos dados foram obtidos pelo FORTIS NEWS. O instituto é referência nacional em pesquisas de opinião e eleitorais, com metodologia reconhecida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Não foram divulgados números específicos da amostra ou margem de erro, mas a tendência descrita foi confirmada por analistas políticos consultados pelo portal.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.