A mais recente pesquisa Datafolha, divulgada nesta quinta-feira, escancara um cenário incômodo para o Palácio do Planalto: 40% dos brasileiros avaliam o governo Lula como ruim ou péssimo, contra 34% que o consideram ótimo ou bom. É a primeira vez, neste terceiro mandato, que o índice de rejeição supera o de aprovação com margem estatisticamente relevante, fora da margem de erro de dois pontos percentuais.
O levantamento, realizado entre os dias 23 e 25 de setembro com 2.020 eleitores em 113 municípios, também mostra que 24% consideram o governo regular, e 2% não souberam responder. Os números representam uma virada em relação à pesquisa anterior, de junho, quando a aprovação era de 38% e a rejeição, 35%. Em quatro meses, o governo perdeu 4 pontos percentuais de aprovação e ganhou 5 pontos de rejeição.
O que explica essa inflexão? Para analistas de mercado e cientistas políticos ouvidos pela imprensa, a resposta está na combinação de inflação persistente, juros elevados e a percepção de que o governo prioriza o ativismo ideológico em detrimento da gestão prática. A recente briga pública com o Banco Central, a tentativa de interferir na política de juros e o aumento do gasto público com programas de subsídios e incentivos a setores escolhidos a dedo — como a indústria automobilística — não passaram despercebidos pelo eleitor médio.
O dado mais preocupante para o Planalto, no entanto, está no recorte regional e de renda. Entre os eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos, a aprovação caiu de 45% para 40%, enquanto a rejeição subiu de 29% para 35%. É exatamente a base eleitoral histórica do lulismo que agora demonstra fadiga. E o motivo não é mistério: o preço dos alimentos segue pressionado, o desemprego recuou, mas a qualidade dos empregos gerados é precária, e o poder de compra do salário mínimo, corroído pela inflação, não acompanha a retórica oficial.
No Nordeste, tradicional reduto petista, a aprovação ainda é majoritária (48%), mas a rejeição subiu 4 pontos, chegando a 28%. Já no Sudeste, o governo amarga 45% de rejeição contra 29% de aprovação. O Sul, por sua vez, registra 48% de desaprovação. O mapa da rejeição coincide com as regiões de maior atividade econômica privada e maior peso do agronegócio, setores que se sentem asfixiados pela carga tributária e pela burocracia estatal.
Por que isso importa? Porque a pesquisa não mede apenas a popularidade de um homem, mas a confiança no modelo de governo. Lula e o PT sempre venderam a imagem de que o Estado é o grande indutor do desenvolvimento, o que justificaria o aumento da máquina pública, a criação de estatais e a expansão de programas de transferência de renda. O Datafolha agora mostra que essa narrativa encontra resistência até entre os que dela se beneficiam. O brasileiro quer serviços funcionando, não discursos ideológicos.
A análise FORTIS é direta: os 40% de rejeição são a conta de um governo que escolheu o caminho do intervencionismo em um momento em que o mundo clama por eficiência e competitividade. Enquanto o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tenta equilibrar as contas com aumento de impostos — como a taxação de compras internacionais e a reforma tributária que amplia a complexidade do sistema —, o governo gasta bilhões em subsídios para setores que não precisam de esmola estatal, mas de menos impostos e mais liberdade econômica. O resultado é o que se vê: crescimento pífio, inflação resistente e um eleitor que começa a despertar para o fato de que o Estado mínimo não é uma abstração ideológica, mas uma necessidade prática para a prosperidade.
É preciso, contudo, fazer o contraponto. Os defensores do governo argumentam que a avaliação negativa é influenciada por fatores externos, como a guerra na Ucrânia e a alta dos juros americanos, que pressionam as economias emergentes. Também lembram que a taxa de desemprego, de 6,8%, é a menor da série histórica, e que o PIB cresceu 2,5% no primeiro semestre, puxado principalmente pelo agronegócio e pelo consumo das famílias. Há, de fato, méritos que precisam ser reconhecidos. Mas a questão central não é se o governo está pior do que o mundo, e sim se está entregando o que prometeu. E a promessa de Lula, repetida à exaustão em 2022, era de que o Brasil voltaria a crescer com inclusão social. O crescimento atual, embora positivo, é insuficiente para gerar os empregos de qualidade e a renda que o eleitor esperava.
Outro ponto que merece registro: a pesquisa foi realizada antes do anúncio do pacote de corte de gastos que o governo prometeu para outubro. Se o pacote vier acompanhado de medidas críveis de contenção de despesas, é possível que a avaliação melhore. Mas, se for apenas mais um maquiagem fiscal, com cortes temporários e aumento de impostos disfarçado de ajuste, a tendência é de aprofundamento da rejeição. O eleitor não é bobo: ele sabe quando o governo está fazendo sua parte e quando está apenas tentando sobreviver politicamente.
O Datafolha é um retrato, não uma sentença. Mas o retrato mostra um governo que perdeu o encanto inicial e agora navega em águas turvas, com uma base de apoio que se desgasta e uma oposição que, mesmo fragmentada, ganha argumentos concretos para a eleição de 2026. Se Lula quiser reverter esse quadro, terá que abandonar o discurso de confronto com o mercado e com o Congresso, e adotar uma postura pragmática de redução do Estado e de estímulo à iniciativa privada. A história econômica do Brasil mostra que os governos que tentaram fazer o contrário — como Dilma Rousseff — terminaram em tragédia fiscal e institucional.
O FORTIS NEWS não torce para o fracasso de nenhum governo, mas acredita que a verdade factual é o único caminho para a credibilidade. E a verdade factual, neste caso, é que o brasileiro está cansado de pagar a conta de um Estado ineficiente. Os 40% de rejeição são um alerta, não apenas para Lula, mas para qualquer político que insista em tratar a máquina pública como fim em si mesma. O Brasil precisa de menos Estado, menos impostos e mais liberdade. Os dados do Datafolha mostram que o eleitor está começando a concordar.
Por Renan Filho · 2026-09-25