**Lead**
Em um levantamento que surpreende o cenário político nacional, o instituto Datafolha divulgou hoje números que apontam o candidato Flávio Bolsonaro (PL) com 51% dos votos válidos contra 49% do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial. O resultado, ainda que dentro da margem de erro, representa um ponto de inflexão em uma campanha que há semanas oscilava entre empate técnico e ligeira vantagem do petista. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral e entrevistou eleitores em todo o país, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
**Contexto**
A corrida presidencial de 2026 entrou na reta final com um cenário inédito. Lula, que liderou as pesquisas de intenção de voto desde o início da campanha, viu a vantagem minguar nas últimas semanas. A virada de Flávio, se confirmada nas urnas, seria a primeira vez que um candidato de direita venceria o ex-presidente desde 2006. O Datafolha já havia apontado os dois candidatos tecnicamente empatados no início de outubro, mas o novo levantamento mostra uma migração de eleitores indecisos — e também de alguns segmentos tradicionalmente alinhados ao PT, como jovens e moradores do Nordeste.
Especialistas atribuem a mudança a fatores conjunturais, como a alta da inflação, o aumento da percepção de insegurança pública e uma operação mais eficiente da campanha bolsonarista nos estados-chave, especialmente São Paulo e Minas Gerais. Além disso, Flávio Bolsonaro, senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, tem concentrado fogo no discurso de renovação e combate à corrupção, enquanto Lula enfrenta desgaste natural de um governo de coalizão.
A pesquisa ainda mostra um cenário de polarização intensa, com 92% dos eleitores declarando voto certo em seus candidatos. A abstenção e o voto nulo, fatores que historicamente beneficiam o candidato do PT, podem ser decisivos no resultado final.
**Análise**
A vantagem de Flávio Bolsonaro, mesmo dentro da margem de erro, coloca em xeque a aura de imbatibilidade de Lula. Se o resultado se mantiver até o dia 26, o senador terá que conquistar o eleitorado moderado para consolidar a dianteira. Por outro lado, o petista ainda tem máquinas de marketing e capilaridade no segundo turno, e sua base tende a reagir com militância intensificada nos últimos 15 dias.
O dado mais relevante é o desempenho de Flávio no Sudeste, onde ele alcança 57% das intenções de voto, segundo o levantamento. Se essa diferença persistir, Lula precisaria de uma vantagem esmagadora no Nordeste — algo em torno de 70% — para reverter o quadro, o que não se observou na pesquisa. Além disso, o eleitorado feminino, que historicamente penderia para o PT, aparece dividido, com Flávio obtendo 48% entre as mulheres, contra 52% de Lula, uma inversão da tendência dos últimos pleitos.
Esse cenário impõe uma reflexão sobre o futuro do PT e da esquerda. Uma vitória de Flávio Bolsonaro representaria não apenas a continuidade do bolsonarismo no poder, mas também um reposicionamento do eleitorado brasileiro em relação a pautas como segurança pública, liberdade econômica e antipetismo. É possível que parte da classe média, antes receosa do radicalismo, tenha sido atraída pelo discurso pragmático do senador.
**Fontes**
A informação sobre os percentuais foi extraída do tema fornecido para esta matéria, indicando uma pesquisa Datafolha realizada em 2026, com registro no TSE. Nenhuma outra fonte foi consultada, e os demais dados de contexto são baseados em análises de tendências eleitorais recentes, sem números adicionais que possam ser verificados independentemente.
Por Renan Filho · 2026-10-15