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Datafolha: Flávio Bolsonaro lidera em SP e RJ, Lula fica à frente em PE, e MG tem empate técnico para Presidência

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-25

Pesquisa do Instituto Datafolha divulgada nesta quinta-feira (25) mostra cenário eleitoral fragmentado para 2026: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece na dianteira nos dois maiores colégios eleitorais do país, enquanto o presidente Lula (PT) mantém força no Nordeste e Minas Gerais surge como campo de batalha decisivo.

A nova rodada da pesquisa Datafolha, realizada entre os dias 22 e 24 de setembro de 2026 com 12.800 eleitores em 320 municípios, traz um retrato da polarização que deve marcar a sucessão presidencial. No estado de São Paulo, maior colégio eleitoral do Brasil, Flávio Bolsonaro aparece com 38% das intenções de voto contra 29% de Lula – diferença de nove pontos percentuais, fora da margem de erro de dois pontos. No Rio de Janeiro, terra natal da família Bolsonaro, o senador amplia a vantagem: 41% a 26%.

Em Pernambuco, berço político do presidente Lula, o petista lidera com folga: 48% contra 22% de Flávio. Já Minas Gerais, tradicional termômetro eleitoral, apresenta empate técnico: Lula tem 34% e Flávio, 33% – ambos dentro da margem de erro de três pontos. O cenário nacional, ponderado pelo peso de cada estado, mostra Flávio com 35% e Lula com 32%, configurando um empate técnico também no agregado.

Por que isso importa? Os números indicam que o eleitorado dos grandes centros urbanos e do Sudeste, historicamente mais sensível a pautas econômicas de livre mercado, está se distanciando do projeto estatista do PT. Flávio Bolsonaro, embora não tenha cargo executivo, vem sendo apontado por aliados como o nome capaz de unir a direita liberal e a conservadora. Em suas redes sociais, o senador tem defendido reformas como a simplificação tributária, a desburocratização e a redução da máquina pública – bandeiras que dialogam com o descontentamento com a alta carga tributária e a ineficiência dos serviços públicos sob o atual governo.

Análise FORTIS: O levantamento revela que o eleitorado está cansado de um Estado que gasta mal, tributa demais e entrega pouco. Lula, mesmo com a máquina federal e o controle do Orçamento, não consegue converter popularidade em votos nos estados mais ricos. São Paulo e Rio de Janeiro, juntos, concentram cerca de 30% do eleitorado nacional – e a vantagem de Flávio nesses dois estados pode ser decisiva. O empate em Minas Gerais, onde o governo Lula investiu pesado em programas sociais e emendas parlamentares, sugere que o “fator Bolsa Família” já não garante mais a hegemonia petista.

Contraponto: Críticos apontam que Flávio Bolsonaro ainda é um nome pouco testado em eleições majoritárias de alto risco. Sua atuação no Senado, focada em pautas de costumes e segurança, pode não ser suficiente para conquistar o eleitor moderado. Além disso, a rejeição ao ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do senador, ainda é alta e pode contaminar a campanha do filho. Já Lula, mesmo sob a sombra de investigações e com a economia patinando, mantém base fiel no Nordeste e entre beneficiários de transferências de renda. A pesquisa também mostra que 18% dos eleitores ainda estão indecisos ou votariam em branco/nulo – espaço que pode definir o pleito.

O cenário reforça a tese de que 2026 será uma disputa de narrativas: de um lado, o discurso do Estado provedor e da intervenção econômica; de outro, a promessa de menos Estado, mais liberdade e responsabilidade fiscal. Para o liberal-conservador, o dado positivo é que a mensagem de Flávio Bolsonaro está encontrando eco justamente onde o custo de vida aperta e o cidadão sente no bolso o peso dos impostos.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.